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10/04/2020 16:11 -03 | Atualizado 10/04/2020 18:23 -03

Em 10 dias, número de mortes por coronavírus mais que quadruplica no Brasil e passa de 1.000

Nos primeiros dias de abril, casos de covid-19 saltaram 187%.

A curva da covid-19 no Brasil está crescendo com mais força em abril. O balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira (10) indica 19.638 casos confirmados da doença e 1.057 mortes. No dia 1º, eram 6.836 diagnósticos positivos e 240 óbitos. Em apenas 10 dias, o número de infectados saltou 187% e o de mortos, mais que quadruplicou. A taxa de letalidade é de 5,4%.

De quinta (9) para esta sexta, o incremento no número de casos foi de 1.781, com 115 novas mortes. Até então, eram 17.857 casos confirmados e 941 óbitos. 

São Paulo é o estado com mais alto número de registros: conta 8.216 casos e 540 mortes. Rio de Janeiro tem 2.464 diagnósticos positivos e 147 mortes. Ceará é o terceiro estado com o maior número de registros”são 1.478 casos e 58 mortes. 

O coeficiente de mortalidade é maior no Amazonas e em São Paulo, com taxa de 1,2 por cada 100 mil habitantes. Na sequência estão Rio da Janeiro (0,8), Pernambuco (0,7) e Ceará (0,6). A média nacional é 0,5.

Apenas Tocantins não tem, até o momento, mortes confirmadas.

A previsão é que os números continuem crescendo de forma acelerada. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, a expectativa é de pico de casos no fim de abril e começo de maio para unidades da Federação com taxas de incidência mais elevadas, como Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Ceará e Amazonas.

Alessandro Dahan via Getty Images
Até quinta (9), eram 17.857  casos confirmados e 941 óbitos.   

O número dois da pasta é contra o relaxamento de medidas de distanciamento social nesses locais. “Quanto ao afrouxamento das quarentenas, esses locais que estão com sinal vermelho, com aumento bastante considerável do número de casos, devemos dar a máxima atenção à mobilidade”, disse Gabbardo.

Sobre subnotificações de casos, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, tem afirmado que a pasta irá publicar um portaria fixando a obrigatoriedade dos hospitais informarem os registros de internação. Apesar de reconhecer que há falhas no diagnóstico, ele acredita que esse fator não terá grande impacto nas políticas públicas. “Não creio que a subnotificação vá influenciar muito o planejamento”, diz.

Oliveira admitiu que a maioria dos casos de infectados, cerca de 85% que são assintomáticos, não serão detectados. O ministério tem trabalhando em estabelecer parceiras com universidade para realização dos chamados inquéritos sorológicos, um tipo de testagem mais ampla da sociedade.