NOTÍCIAS
05/07/2020 18:14 -03

Casos confirmados de covid-19 passam de 1,6 milhão e total de mortes se aproxima de 65 mil

Devido à baixa testagem, a previsão é de que a soma de diagnósticos positivo seja maior do que a contabilizada.

O Brasil tem 1.603.055 casos confirmados de covid-19. O número deste domingo (5) indica que 26.051 diagnósticos positivos a mais do que o registrado no sábado (4). O total de mortes chegou a 64.867, com 602 novas vítimas fatais confirmadas, de acordo com dados coletados pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde) até às 18 . A taxa de letalidade é de 4%.

São Paulo segue o estado com mais casos e mortes. São 320.179 diagnósticos e 16.079 óbitos. O Rio de Janeiro é o segundo estado com mais mortes, são 10.667, em seguida estão o Ceará, com 6.441, e Pernambuco, 5.147.

Apesar dessa contagem, há subnotificação e ela prejudica uma compreensão real do cenário da crise sanitária no País. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais. 

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. 

A diferença das taxas de testagem entre o Brasil e os Estados Unidos, por exemplo, de 37.188 testes por milhão de habitantes nos EUA e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - é uma das evidência dessa subnotificação.

Segundo o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, a porcentagem de testes com resultado positivo no Brasil, de 31%, é um indicador de subnotificação. “Nos países que aplicam grande número de testes, a porcentagem de positivos fica perto de 5%”, diz.

A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Amazonas, com altos indicadores de mortalidade, têm iniciado esse tipo de medida.

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. No início de junho, o Brasil ocupava o quarto lugar no ranking mundial. Ao longo do mês, ultrapassou Itália e Rússia.

O novo coronavírus já causou 531,7 mil óbitos no mundo. São cerca de 11,3 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados neste domingo. 

Luis Alvarenga via Getty Images

Cloroquina

No sábado, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que interrompeu seus testes com o medicamento para malária hidroxicloroquina e o medicamento combinado contra o HIV lopinavir/ritonavir em pacientes hospitalizados com covid-19, depois de não reduzirem a mortalidade.

“Esses resultados preliminares mostram que a hidroxicloroquina e o lopinavir/ritonavir produzem pouca ou nenhuma redução na mortalidade de pacientes com covid-19 hospitalizados quando comparados ao padrão de atendimento. Os investigadores do estudo de solidariedade interromperão os ensaios com efeito imediato”, afirmou a OMS em comunicado, referindo-se a amplas análises em vários países que a agência está liderando.

A agência da ONU disse que a decisão, tomada por recomendação do comitê de condução internacional do estudo, não afeta outros estudos em que os medicamentos são usados para pacientes não hospitalizados ou como profilaxia. Outro braço do estudo liderado pela OMS está analisando o efeito potencial sobre o covid-19 do remédio antiviral remdesivir, da Gilead.

O governo brasileiro fez uma grande aposta na cloroquina. Além de não ter eficácia científica comprovada, o medicamento aumenta o risco cardíaco, o que pode ocasionar a morte de quem usa. Entretanto, desde 15 de junho, o governo ampliou recomendação de uso para gestantes e crianças com sintomas da covid-19. Na segunda (29), o Ministério da Saúde informou que já foram distribuídas 4,3 milhões de unidades de cloroquina no País. 

Secretário-executivo do ministério, Elcio Franco nega a ausência de evidências científicas. “A cloroquina é uma possibilidade que já se mostrou efetiva conforme referências; inclusive na Índia, é bastante consistente o uso desse medicamento associado a outros”, opinou na segunda. Ele ressaltou que ao longo dos próximos meses estudos demonstrarão quais medicações tiveram maior ou menor efeito sobre o tratamento da doença.