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08/09/2020 18:23 -03

Mortes por covid-19 ultrapassam 127 mil, e casos confirmados somam mais de 4,1 milhões

Nas últimas 24 horas, foram confirmados 14.279 diagnósticos e 504 óbitos.

O total de mortes causadas pelo novo coronavírus no Brasil chegou a 127.464 nesta terça-feira (8), de acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com registros compilados até 18h. São 504 registros a mais em 24 horas.

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais com 31.430 notificações, seguido pelo Rio de Janeiro, com 16.646, Ceará (8.567), Pernambuco (7.741) e Pará (6.269).

Quanto aos diagnósticos, são 4.162.073 casos confirmados, 14.279 a mais em relação ao balanço de segunda.

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, atrás apenas dos Estados Unidos.

Quanto ao número de casos, está em terceiro lugar, atrás da Índia e dos norte-americanos. Há diferenças entre as taxas de testagem dos 3 países, o que evidencia a subnotificação. No território norte-americano, foram registrados mais de 6,3 milhões de casos e a média de testes diários é de 139 mil por 100 mil habitantes, segundo a universidade.  No Brasil, a média é 37 por 100 mil habitantes. Na Índia, são 4,2 milhões de diagnósticos e a média é de 1 por 100 mil.

Ao considerar a população de cada nação, o Brasil ocupa a 10ª posição tanto em relação casos quanto a óbitos, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). São 19.465,24 diagnósticos por milhão de habitantes e 595,83 mortes por milhão.

O novo coronavírus já causou mais de 894 mil mortes no mundo. São cerca de 27,4 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade de Hopkins, atualizados nesta terça.

Para onde vai a epidemia no Brasil? 

De acordo com Boletim InfoGripe mais recente, com dados até 29 de agosto, o número de internações por Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) segue muito alto em todo o País. Entre as ocorrências com resultado positivo para os vírus respiratórios, 97,4% dos casos e 99,3% dos óbitos se deram em consequência do novo coronavírus, de acordo com o levantamento feito por pesquisadores de Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Segundo o boletim, todas as regiões encontram-se na zona de risco e com número de casos semanais e de óbitos por SRAG e covid-19 acima do valor considerado muito alto com base no padrão histórico. 

Capitais como Belém (PA), Macapá (AM), Palmas (TO), Maceió (AL), Recife (PE), São Luís (MA) e Rio de Janeiro não retomaram a tendência de queda observada anteriormente. “Em João Pessoa, Maceió, Recife, Salvador e Vitória a tendência de longo prazo apresenta tendência moderada de alta, probabilidade maior que 75%, sendo que em João Pessoa e Salvador essa tendência também se observa no curto prazo, o que recomenda atenção redobrada”, alerta Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.

Quanto às unidades da Federação, em 8 há pelo menos uma macrorregião com tendência de curto e/ou longo prazo com sinal de crescimento. São elas: Pará, Alagoas, Ceará, Paraíba, Piauí, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. 

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Internações por SRAG seguem altas no país e Belém, Recife e Rio não recuperaram tendência de queda de casos.

De acordo com boletim mais recente do Ministério da Saúde, a média diária de óbitos na última semana analisada - encerrada em 29 de agosto - foi de 887, abaixo das semanas anteriores. A média de casos diários ficou em 37.684, também menor em comparação aos semanas pregressas.

O boletim aponta diferenças na transmissão do vírus nas 5 regiões do País. Na comparação entre as duas últimas semanas epidemiológicas analisadas, na região Norte, houve queda de casos (-5%) e de mortes (-11%). No Sudeste, ambos indicadores reduziram 8%.

No Nordeste, os casos aumentaram 1% e os óbitos recuaram 12%. No Centro Oeste, os diagnósticos subiram 5% e as mortes caíram 18%. No Sul, os casos cresceram 15% e os óbitos reduziram em 16%. O cenário, contudo, também é muito diverso de um estado para o outro. 

Taxa de transmissão 

A taxa de transmissão calculada pelo Imperial College London voltou a melhorar. De acordo com o relatório mais recente, com dados até 30 de agosto, o País voltou ao patamar abaixo de 1 na taxa de transmissão (Rt), nível necessário para frear a epidemia.

O indicador está em 0,94. Isso significa que 100 pessoas contaminadas contagiam outras 94 que, por sua vez, passam a doença para outras 88. É a menor taxa desde o final de abril.

O indicador é nacional e devido à dimensão continental do Brasil, muitos estados e municípios ainda registro crescimento mais acelerado da transmissão.

O Imperial College calcula a taxa com base no número de mortes reportadas, mas há um intervalo entre o momento do óbito e o registro oficial que pode chegar a até 30 dias. Estados populosos como Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul também têm indícios de subnotificação. 

Tanto a subnotificação quanto o atraso passam a impressão de que a crise sanitária está numa situação melhor do que a realidade, ainda que se use indicadores como médias móveis.

Subnotificação da pandemia

Em junho, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. A divulgação regular só foi retomada em 9 de junho, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Há também um atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

No final de junho, o ministério anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderia ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser um incentivo a menos para aplicação de testes RT-PCR (moleculares), forma mais precisa de diagnóstico.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde, foram distribuídos 6.366.884 testes RT-PCR. Após essa etapa, também há entraves até o resultado do exame. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. Na prática, o exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

Segundo o Ministério da Saúde, 4.797.948 exames moleculares haviam sido processados até 29 de agosto. A taxa de positividade era de 34,4% nos laboratórios públicos e de 38,6% nos particulares. A OMS recomenda que essa taxa esteja em torno de 5%.

De acordo com painel da pasta, 8.004.800 testes rápidos sorológicos foram entregues. Segundo o boletim, 7.128.192 testes sorológicos (rápidos e laboratoriais) foram feitos. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. Os sorológicos, se há anticorpos no organismo.