NOTÍCIAS
08/05/2020 19:48 -03

Brasil registra quase 10 mil mortes por covid-19, duas vezes mais que o total da China

Em mais um recorde, País contabilizou 751 mortes nas últimas 24h.

O número de mortes causadas pela covid-19 no Brasil chegou a 9.897, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde às 19h desta sexta-feira (8) — mais que o dobro do total registrado na China (4.637). Em relação ao balanço divulgado às 19h de quinta (7), foram 751 novos óbitos confirmados, um novo recorde diário.

Os dados reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Desde terça-feira (5), o total de mortes confirmadas de um dia para o outro passou para um patamar acima de 600.

Também nas últimas 24 horas, foram registrados 10.222 novos casos, crescimento de 7,5%. Ao todo, os diagnósticos confirmados no Brasil somam145.328.

O maior número de diagnósticos positivos no balanço mais recente está no estado de São Paulo, com 3.416 óbitos e 41.830 casos. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 1.503 mortes, Ceará (966), Pernambuco (927) e Amazonas (874).

Escalada da pandemia

Desde 23 de abril, o número de mortes confirmadas em 24 horas subiu do patamar acima de 400 em diversos boletins. Naquele dia, foi registrado o recorde de 407 óbitos confirmados de um dia para o outro.

Em 28 de abril, foram 474 mortes confirmadas em 24 horas. Nesse dia, o ministro da Saúde, Nelson Teich, reconheceu o agravamento da crise sanitária, mas não anunciou qualquer ação específica. Dois dias depois, ele disse que a política pública não mudaria em função do número de mortes.

Nesta semana, o patamar subiu para 600 óbitos confirmados em 24 horas em 5 de maio e 615 nesta quarta-feira (6). De acordo com o subsecretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, dessas 615, 140 mortes foram nos últimos 3 dias — 11 na quarta, 70 na terça-feira (5) e 59 na segunda-feira (4).

Mortes confirmadas X mortes no dia

O ministério não divulga informações diárias de atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia. Ao divulgar o boletim epidemiológico especial “Vigilância do óbito no contexto da covid-19” nesta sexta, a pasta informou que todas as análises de mortalidade são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

De acordo com o diretor de análise da secretaria de Vigilância em Saúde da pasta, Eduardo Macário, apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber a informação.

Além do SIM, o ministério usa o Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (SIVEPGripe) para coletar informações sobre óbitos. Por ser online, “no momento em que é encerrada a investigação [da causa da morte], pode ser dada a entrada nesse sistema de informação”, afirmou Macário em coletiva de imprensa. “Lá que a gente coleta os óbitos hospitalizados ou não por SRAG (síndrome respiratória aguda grave).”

Nestes ano foram registradas 107.895 hospitalizações por SRAG, 606% de incremento em relação ao mesmo período de 2019. Desse grupo, de todas essas hospitalizações que evoluíram para óbito, até o momento se sabe que 7.780 foram por covid-19. Há 1.876 em investigação e também mortes de pessoas internadas por SRAG causadas por outros vírus respiratórios.

Dos óbitos provocados pelo novo coronavírus, 69% estava acima 60 anos e 65% apresentam pelo menos um fator de risco, como cardiopatias.

JARBAS OLIVEIRA via Getty Images
Desde 23 de abril, o número de mortes confirmadas em 24 horas subiu do patamar acima de 400 em diversos boletins. Naquele dia, foi registrado o recorde de 407 óbitos confirmados de um dia para o outro.

Exceto São Paulo, Minas Gerais e Goiás, todos os demais estados apresentam menos registros de óbitos por covid-19 no SIVEPGripe do que o reportado no Portal Coronavírus. De acordo com Macário, as diferença se devem a uma questão de atualização de informações “já que as equipes estaduais e municipais estão sendo bastantes exigidas em termos de atualização de dados”.

Segundo o secretário, o ministério tem discutido com as secretarias estaduais uma metodologia para reforçar a capacidade de processamento de dados, “inclusive sugerindo a contratação de digitadores e também auxiliando na melhoria de questões de informática, ampliação da capacidade de rede”.

Ainda sobre as informações de óbitos, estados como Espírito Santos e Paraná têm sistemas próprios. “Estamos trabalhando com a integração das diferentes bases de dados para compor uma base de dados nacional que possa servir de acompanhamento durante a pandemia”, disse Macário.

Ministério da Saúde
Exceto São Paulo, Minas Gerais e Goiás, todos os demais estados apresentam menos registros de óbitos por covid-19 no SIVEPGripe do que o reportado no Portal Coronavírus.

De acordo com o boletim divulgado nesta sexta, até o momento, 23 de abril teria sido o dia mais crítico da pandemia, em termos de mortalidade, com 260 mortes. “Esse que a gente identifica como sendo o maior número, aquele dia em que ocorreram mais óbitos confirmados por coronavírus no Brasil, considerando as limitações e lembrando que esse dias podem mudar”, disse Macário. 

“A gente tem um atraso na confirmação de óbitos e à medida que esses óbitos forem confirmados, a gente utiliza essa curva para identificar o comportamento dessa curva. A princípio a gente imagina que essa curva esteja baixando, mas isso pode ser uma informação equivocada porque a medida que os óbitos são informados e considerando que a gente tem um atraso essa planilha é seguidamente atualizada”, completou o secretário.

Ministério da Saúde
De acordo com o boletim divulgado nesta sexta, até o momento, 23 de abril teria sido o dia mais crítico da pandemia, em termos de mortalidade, com 260 mortes.

A expectativa é que o número atual de óbitos seja ainda maior devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no resultado de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

Nesta quarta, Wanderson Oliveira prometeu que a fila de testes pendentes de resultado nos laboratórios será zerada na próxima semana. “Nós vamos zerar a fila de testes. Isso fará com que o número de casos também aumente, porque tem muitos resultados aguardando para serem inseridos no sistema”, disse. 

De acordo com o secretário, 93 mil testes aguardavam análise nos laboratórios públicos estaduais até segunda passada. Já as grandes redes privadas tinham mais de 100 mil exames que ainda não haviam sido incluídos no sistema do ministério até terça.

Segundo o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, foram confirmados 3,9 milhões de casos da covid-19 no mundo inteiro e mais de 273 mil mortes, de acordo com dados atualizados nesta quinta-feira (7). O Brasil está em 8º lugar no mundo no número de casos e no 6º lugar no número de óbitos.