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08/04/2020 17:07 -03 | Atualizado 08/04/2020 17:52 -03

Mortes por covid-19 chegam a 800; são 15.927 casos confirmados

Brasil registra novo recorde diário de óbitos (133) e taxa de letalidade alcança a marca de 5%.

O número de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil chegou a 15.927, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (8). O número de mortes é de 800. A taxa de letalidade é de 5%.

Apenas Tocantins não tem, até o momento, mortes confirmadas. Os óbitos registrados são: Acre (2), Amazonas (30), Amapá (2), Pará (6), Rondônia (1), Roraima (1), Alagoas (2), Bahia (15), Ceará (43), Maranhão (11), Paraíba (4), Pernambuco (46), Piauí (5), Rio Grande do Norte (11), Sergipe (4), Espírito Santo (6), Minas Gerais (14), Rio de Janeiro (106), São Paulo (428), Distrito Federal (12), Goiás (7), Mato Grosso do Sul (2), Mato Grosso (1), Paraná (17), Rio Grande do Sul (9) e Santa Catarina (15).

Nesta terça-feira (7), eram 13.717 casos confirmados e 667 óbitos. A quantidade de diagnósticos positivos cresceu 16% de segunda para terça e a de mortes, 20%. São 2.210 novos casos de um dia para o outro e 133 mortes, no mesmo período.

O maior número de casos atuais está concentrado na região Sudeste — com 9.487 infectados — 59,6% de todas as contaminações. São Paulo é o estado com mais alto número de registros: conta 6.708 casos e 428 mortes. Rio de Janeiro tem 1.938 diagnósticos positivos e 106 mortes.

A região Nordeste tem 17,7% das infecções —2.825 casos. Logo atrás, a região Sul conta 9,7% — 1.551 diagnósticos positivos. O Norte tem 1.222 casos, e o Centro-Oeste, 842 casos.

A demora no resultado de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais. Há também uma subnotificação de casos confirmados devido à limitação de testes de diagnóstico.

De acordo com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a alta de mortes é resultado de um atraso nos resultados dos exames laboratoriais e não necessariamente uma evidência de evolução da doença. “Quando a gente começou a ter mais ter mais teste RT-PCR, a gente começou a testar mais. Nós tínhamos um estoque maior de óbitos aguardando. Você começa a fechar o diagnóstico e sobe [o número de mortes]”, disse.

A incidência para o Brasil é de 7,5 por 100 mil habitantes. O indicador varia por unidade da Federação, sendo a mais alta no Amazonas (19,1 por 100 mil habitantes). Além do Amazonas, estão em situação crítica - 50% acima da incidência nacional - os estados do Amapá, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal.

Nesta quarta, sem citar nomes, Mandetta criticou a troca do secretário de saúde no Amazonas. “A gente precisa de uma pessoa habituada com a rede para que não tenha que começar tudo do zero”, disse. O governo do Amazonas anunciou nesta quarta a saída de Rodrigo Tobias, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). É o primeiro estado a fazer essa mudança desde o início da crise.

Já o coeficiente de mortalidade maior é no estado de São Paulo (0,9 por 100 mil habitantes). Em seguida aparecem Amazonas (0,7 por 100 mil), Rio de Janeiro (0,6 por 100 mil), Pernambuco e Ceará (ambos com 0,5 por 100 mil) e Distrito Federal (0,4 por 100 mil).

Segundo informações do Ministério da Saúde, 77% das pessoas que morreram tinham mais de 60 anos, 59,1% são homens e 75% apresentam pelo menos um fator de risco, como cardiopatias, diabetes ou pneumonia. 

Desde o início da pandemia, foram registradas 34.905 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave) no Brasil. Do total com esse quadro sintomático, 3.416 casos (11%) foram confirmados para covid-19. O restante são infecções causadas por outros vírus, como influenza.

São Paulo é o estado mais crítico nas internações. 49% das hospitalizações por SRAG no período ocorreram nesta unidade da Federação, sendo que 74% desse total eram casos de covid-19.

Em todo o território nacional, houve um incremento de 277% em 2020 em relação ao mesmo período de 2019 do total de internações de SRAG, o que indica sobrecarga no sistema. 

Alexandre Schneider via Getty Images
Segundo Ministério da Saúde, na última semana, foram distribuídos 82,6 mil testes de biologia molecular (RT-PCR), que identificam a contaminação logo no início.

Testes para covid-19

Os dados de casos confirmados e mortes estão disponíveis em um painel online do Ministério da Saúde com informações dos estados e municípios. Desde que foram feitas modificações na alimentação do sistema de informações oficiais e na ampliação de testes, o governo federal espera um aumento de diagnósticos.

Segundo a pasta, 500 mil testes rápidos começaram a ser distribuídos no País na semana passada. Este é o primeiro lote de um total de 5 milhões de testes rápidos adquiridos pela Vale e doados ao governo federal. Os outros 4,5 milhões devem chegar ao Brasil neste mês.

Esse tipo de teste é direcionado para profissionais de saúde, além de agentes de segurança, como policiais, bombeiros e guardas civis com sintomas de síndrome gripal. Apesar do resultado em minutos, esse tipo de teste, por meio de sorologia, só é eficaz após dias de contaminação, devido ao tempo de reação do organismo para produzir anticorpos.

Sobre essa limitação, o ministério afirma que está elaborando um protocolo com recomendações sobre o uso dessa modalidade. Os testes rápidos devem ser usados como triagem após o 7º dia do início dos sintomas respiratórios, desde que a pessoa já não apresente mais sintomas.

“A iniciativa permite que estes profissionais, que estão na linha de frente e fazem parte de serviços essenciais, retornem ao trabalho em menos tempo, com segurança, e não precisem aguardar os 14 dias de isolamento preconizado”, diz nota enviada pela assessoria de imprensa.

Além do lote da Vale, outros 3 milhões de testes rápidos serão comprados por meio da Fiocruz, segundo o Ministério da Saúde.

Quanto aos testes de biologia molecular (RT-PCR), que identificam a contaminação logo no início, na última semana, foram distribuídos 82,6 mil unidades, de acordo com a pasta. Com esta nova remessa, chega a 137,4 mil o total desse tipo de teste, usado para diagnosticar casos graves internados com a covid-19.

Essa modalidade também é usada na Rede Sentinela, que acompanha por amostragem a evolução da doença no Brasil, como os sintomas dos casos associados ao vírus tanto em quadros graves (SRAG) quanto nos leves, de síndrome gripal.

Nesta semana, devem ser entregues mais 295 mil testes RT-PCR. O Ministério da Saúde também prometeu investir R$ 200 milhões para estruturação dos 27 laboratórios públicos, além de financiar a construção de um Biobanco Nacional no Instituto Evandro Chagas (IEC) para armazenar e gerenciar amostras clínicas positivas para a covid-19, a fim de melhorar as condições de pesquisa.

A ampliação da testagem é uma resposta à orientação internacional. Antes, apenas os casos mais graves, em que há indicação de internação, faziam o exame no Brasil, apesar da orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde) de testar todo caso suspeito.