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07/08/2020 18:04 -03

Brasil chega a 99.572 mortes por covid-19 e 2.962.442 casos confirmados

Boletim da Fiocruz aponta tendência de alta de óbitos em 5 estados: Roraima, Rondônia, Amapá, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

O Brasil se aproxima do marco de 100 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus. São 99.572 vítimas da covid-19 até essa sexta-feira (7), de acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com registros compilados até 18h. Foram 1.079 confirmações nas últimas 24 horas.

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais com 24.735 registros, seguido pelo Rio de Janeiro, com 14.028, Ceará (7.921), Pernambuco (6.867) e Pará (5.854).

Quanto ao número de casos, de segunda para terça foram 50.230 novas confirmações. O acumulado é de 2.962.442.

O Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos no ranking mundial de casos e é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. 

Os 2 países repetem as posições também em relação ao número de diagnósticos. No território norte-americano, foram registrados mais de 4,9 milhões de casos. A diferença das taxas de testagem entre os dois países - 37.188 testes por milhão de habitantes nos EUA e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - por sua vez, é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

Na comparação que considera a população de cada nação, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil está na 12ª posição tanto em relação aos óbitos - com 440,17 por milhão de habitantes - quanto aos diagnósticos - com 12.739,41 casos por milhão de habitantes.

O novo coronavírus já causou mais de 715 mil mortes no mundo. São cerca de 19,1 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins atualizados nesta sexta.

Interiorização da epidemia

Apesar de ter sido observado certo arrefecimento nas grandes capitais, como Manaus (AM) e São Paulo, a crise sanitária continua grave em boa parte do País, especialmente no interior e em estados do Sul e do Centro-Oeste. 

Quando olhamos os dados acumulados nacionais, os gráficos epidemiológicos assumiram a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes acumulados. Por outro lado, os casos e óbitos diários, que indicam o ritmo da epidemia, não estabilizaram.

Houve uma inversão de comportamento ao longo do tempo, com a interiorização da epidemia. Segundo boletim divulgado nesta quarta pelo Ministério da Saúde, 5.503 (98,98%) dos municípios têm casos confirmados de covid-19 e 3.627 (65,1%) cidades registraram mortes causadas pela covid-19. 

Das 7.114 mortes registradas na semana encerrada em 31 de julho, 52% foram na região metropolitana e 48% no interior, de acordo com o documento. 

Já a média diária de óbitos na última semana analisada foi de 1.016, nível semelhante ao das semanas anteriores. A primeira vez que o Brasil registrou mais de mil mortes por dia foi em 19 de maio. Desde então, isso aconteceu mais de 40 vezes.

Quanto aos casos, a semana encerrada em 31 de julho foi uma das mais graves da pandemia do novo coronavírus no Brasil. A média diária de diagnósticos foi de 44.766, patamar semelhante ao da semana anterior (45.665), recorde até o momento.

Na comparação entre as duas últimas semanas epidemiológicas analisadas no boletim do Ministério da Saúde, no Sul do País, foi registrado aumento de 11% tanto no número de casos quanto de mortes. No Centro-Oeste, houve estabilização (+2%) de casos e crescimento de 8% de óbitos no mesmo período. No Sudeste, houve estabilização (-3%) nos casos e redução de 8% nas mortes. 

No Nordeste os diagnósticos estão estáveis (-3%) nas comparação entre as semanas encerradas em 25 de julho e 31 de julho. Já o número de mortes no período caiu 11%. Na região Norte, os casos recuaram 16% e os óbitos, 39%.

NELSON ALMEIDA via Getty Images
O perfil das vítimas de covid-19 é 72,3% acima de 60 anos, 58% do sexo masculino e 61,8% com menos um fator de risco, como cardiopatia ou diabetes.

5 estados têm tendência de alta de mortes

De acordo com Boletim Observatório Fiocruz Covid-19 com dados até 25 de julho, as maiores taxas de incidência foram observadas nos estados de Rondônia, Roraima, Amapá, Sergipe, Mato Grosso e no Distrito Federal. Esses estados também registraram as maiores taxas de mortalidade na última semana analisada.

O documento alerta para forte tendência de aumento no número de óbitos em Roraima, Rondônia e Amapá, além de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

De acordo com a análise feita pelos pesquisadores no boletim, nas últimas semanas houve uma grande flutuação no número de casos, com picos localizados ou mudanças de tendências, o que “pode ser consequência tanto da flexibilização do isolamento e da interiorização da pandemia, quanto do aumento do número testes realizados”. Os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, reverteram na última semana a tendência de queda de casos.

Quanto ao monitoramento de internações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave), os níveis “de atividades muito alta já indicam situação de alerta para todo país”. Estão m situação mais grave - acima de 10 casos por 100 mil habitantes - os seguintes estados: Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. No Distrito Federal, o indicador supera 20 internações por 100 mil habitantes.

Em relação aos leitos de UTI (unidade de tratamento intensivo) para covid-19, segundo registros do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) no período de 13 a 27 de julho, houve uma pequena queda na disponibilidade por 10 mil habitantes no Pará e Maranhão e um incremento em Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, “possivelmente refletindo a redução e aumento de casos, respectivamente”, segundo o boletim.

Quem morre por covid-19 no Brasil

Segundo o boletim, em 2020 foram notificadas 516.124 hospitalizações por SRAG, sendo 258.013 (50,0%) identificadas como covid-19, 258.013 (50,0%) causadas por vírus não especificado, 85.628 (16,6%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

Quanto aos óbitos por SRAG, são 133.423 contabilizados no ano, sendo 90.973 (67,2%) por covid-19, 40.003 (29,5%) causados por vírus não especificado, 3.578 (2,6%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

O perfil das vítimas de covid-19 é 72,3% acima de 60 anos, 58% do sexo masculino e 61,8% com menos um fator de risco, como cardiopatia ou diabetes. Quanto à raça/cor, 35,4% das mortes foram de pessoas identificadas como pardas, seguidas por brancas (27,8%), pretas (5,1%), amarelas (1,1%) e indígenas (0,4%). Segundo o boletim, 30,3% dos registros não tinham essa informação.

Subnotificação da pandemia

Em junho, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. A divulgação regular só foi retomada em 9 de junho, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

A pasta também chegou a anunciar que adotaria uma nova metodologia, com boletins diários de óbitos ocorridos nas últimas 24 horas e não confirmados. A mudança, contudo, não foi colocada em prática até agora.

Na prática, ela inviabilizava uma comparação com os dados anteriores, dificultando a compreensão da evolução da pandemia no Brasil. Ela também atrapalharia a comparação dos números com outros países, por adotar critérios distintos do resto do mundo. 

Com a mudança, as “novas mortes” seriam menores. Na prática, a medida também evita notícias negativas sobre recordes de óbitos diários. Integrantes do governo de Jair Bolsonaro, especialmente a ala militar, têm criticado esse tipo de cobertura jornalística.

Há uma atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

De acordo com dados mais recentes do Ministério da Saúde, 12 de maio é o dia em que mais mortes por covid ocorreram de fato. Foram 1.098 óbitos, de acordo com boletim divulgado nesta quarta.

No final de junho, o ministério anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderia ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser um incentivo a menos para aplicação de testes RT-PCR (moleculares), forma mais precisa de diagnóstico.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde, foram distribuídos 5.324.948 testes RT-PCR. Após essa etapa, também há entraves até o resultado do exame. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. Na prática, o exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

Segundo o Ministério da Saúde, 3.316.167 exames moleculares haviam sido processados até 31 de julho, sendo 1.715.681 na rede pública e 1.600.486 na rede privada. A taxa de positividade era de 37,5% nos laboratórios públicos e de 31,1% nos particulares.

De acordo com painel da pasta, outros 8.004.080 testes rápidos sorológicos foram entregues. Segundo o boletim, 4.956.998 testes sorológicos (rápidos e laboratoriais) foram feitos e a positividade foi de 32,1%. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. Os sorológicos, se há anticorpos no organismo.