NOTÍCIAS
05/06/2020 22:04 -03 | Atualizado 05/06/2020 22:56 -03

Pelo 4º dia seguido, Brasil registra mais de mil mortes por covid-19

Só nos últimos 3 dias foram contabilizadas 3.827 mortes. Já são 35.026 vítimas fatais.

Na semana mais crítica da pandemia do novo coronavírus no Brasil, 1.005 mortes foram confirmadas nas últimas 24 horas e o total de óbitos soma 35.026, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira (5). Segundo a pasta, entre as confirmações mais recentes, 3.827 mortes ocorreram nos últimos 3 dias.

Nesta quinta-feira, o Brasil superou a Itália no total de óbitos e se tornou o terceiro país com mais vítimas fatais da covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. Até o momento, Estados Unidos e Reino Unido ocupam, respectivamente, o primeiro e segundo lugar.

A pandemia já causou mais de 391 mil óbitos no mundo. São 6, milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados nesta sexta.

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais diagnósticos, atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com 1,8 milhão de casos. 

Com 30.830 casos confirmados nas últimas 24 horas, o total de diagnósticos nas cidades brasileiras chegou a 645.771, de acordo com o boletim desta quinta. O maior número de infecções está no estado de São Paulo, com mais de 134 mil casos e 8.842 mortes. Em seguida, aparecem Ceará, com 3.890 óbitos, Pará (3.538), Rio de Janeiro (3.473) e Pernambuco (3.205).

Os dados mais recentes evidenciam mais uma vez o agravamento da crise sanitária no País. Esta é a 11ª vez que o total de mortes confirmadas de um dia para o outro é acima de mil.

A primeira vez em que isso ocorreu foi em 19 de maio, com 1.170 óbitos confirmados em 24 horas. O número também foi um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Superou o total de 919 mortes confirmadas de um dia para o outro no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

Outro marco foi na semana seguinte. Em 25 de maio, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos no registro diário de mortes: 807 novos óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano incluiu 620 mortes no balanço oficial. 

Segundo dados apresentados nesta quinta pelo ministério, o Brasil ocupa a 34ª entre as taxa de incidência do vírus no mundo e a 21ª maior taxa de mortalidade. Ambos os indicadores consideram a população das nações.

São 2.779 casos por milhão de habitantes no País e 155 óbitos por milhão de habitantes. Os indicadores variam dentro do território, sendo que a região Norte está na situação mais crítica. São 333 óbitos por milhão de habitantes. 

Governo mudou horário de divulgação

Pelo terceiro dia seguido, os dados foram divulgados às 22h, três horas após o horário em que os boletins eram publicados anteriormente. Com a mudança, os dados mais atualizados não estão disponíveis no horário dos telejornais noturnos, período em que as televisões têm maior audiência.

O Ministério da Saúde não justificou a alteração. Questionado sobre o atraso em coletiva de imprensa na quinta, o secretário substituto de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário, afirmou que “essa situação pode acontecer porque o processo de checagem [dos dados locais] é muito variável”. “Pode ser que aconteçam problemas e que a gente tenha que corrigir”, disse.

Anadolu Agency via Getty Images
Na semana mais crítica da pandemia no Brasil, total de mortes supera Itália e país passa a ser o terceiro no total de vítimas de covid-19.

Evolução da pandemia no Brasil

Segundo informações divulgadas pelo ministério nesta quinta, 4.222 (75,8%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.821 (32,7%) confirmaram óbitos causados pela doença. Na terça-feira passada, eram 3.771 cidades afetadas e, em 28 de março, apenas 297.

Até esta quinta, foram contabilizadas 219.121 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave), sendo 80.162 confirmadas para covid-19. Outras 60.805 estão em investigação e o restante se refere a outros vírus respiratórios.

Do total de internações por SRAG, 49.595 evoluíram para óbito, sendo 28.344 confirmados por covid-19. Outras 4.159 mortes estão em investigação, e o restante foi causada por outros vírus respiratórios. 

O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia. Segundo dados divulgados pela pasta nesta terça, 12 de maio é o dia com maior número de óbitos em um único dia: 670. Essas informações são constantemente atualizadas, então há variação dos dados.

Das mortes confirmadas por coronavírus, 70% eram de pacientes acima 60 anos e 62%  apresentam pelo menos um fator de risco. 

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. 

Segundo balanço apresentado nesta quinta, 1.085.891 exames do tipo moleculares RT-PCR foram realizados, sendo 556.094 processados em laboratórios públicos e 529.797 na rede particular. Na rede pública, 74,1% são analisados em até 5 dias, de acordo com o ministério.

O levantamento inclui ainda outros 748.916 testes rápidos, que identificam se a pessoa tem anticorpos para o novo coronavírus. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento.

Os dois tipos de exames somam 1.834.807, de forma que a taxa de testagem é de 8.737 exames por milhão de habitantes. O número ainda é distante de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o indicador é de 37.188 testes por milhão de habitantes.

A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Amazonas, com altos indicadores de mortalidade, têm iniciado esse tipo de medida.

Quanto aos indicadores de mortalidade, de acordo com o Ministério da Saúde, todas as análises são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta. Além do SIM, o ministério usa o SIVEPGripe para coletar informações sobre óbitos.