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04/06/2020 22:06 -03 | Atualizado 05/06/2020 11:25 -03

Brasil supera Itália em mortes por covid-19, tem novo recorde e acumula 34.021 vítimas fatais

Atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido, País é o terceiro com mais mortes causadas pelo novo coronavírus.

Na escalada da pandemia do novo coronavírus, o Brasil, com um novo recorde de mortes, superou a Itália nesta quinta-feira (4) e se tornou o terceiro país com mais vítimas fatais de covid-19: 34.021, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde. São 1.473 óbitos nas últimas 24 horas. Na quarta (3), haviam sido registrados 1.349 óbitos.

Com 33.689 mortes, a Itália estava em terceiro lugar no ranking, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. Até o momento, Estados Unidos e Reino Unido ocupam, respectivamente, o primeiro e segundo lugar.

A pandemia já causou mais de 387 mil óbitos no mundo. São 6,5 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados nesta quinta. 

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais diagnósticos, atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com 1,8 milhão de casos. 

Com 30.925 casos confirmados nas últimas 24 horas, o total de diagnósticos nas cidades brasileiras chegou a 614.941, de acordo com o boletim desta quinta. O maior número de infecções está no estado de São Paulo, com 129 mil casos e 8.560 mortes. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro, com 6.327 óbitos, Ceará (3.813), Pará (3.416) e Pernambuco (3.134).

Os dados mais recentes evidenciam mais uma vez o agravamento da crise sanitária no País. Esta é a 10ª vez que o total de mortes confirmadas de um dia para o outro é acima de mil

A primeira vez em que isso ocorreu foi em 19 de maio, com 1.170 óbitos confirmados em 24 horas. O número também foi um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Superou o total de 919 mortes confirmadas de um dia para o outro no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

Outro marco foi na semana seguinte. Em 25 de maio, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos no registro diário de mortes: 807 novos óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano incluiu 620 mortes no balanço oficial. 

Na quarta, assim como nesta quinta, o boletim com números nacionais foi divulgado às 22h, três horas após o horário regular. Questionado sobre o atraso, o secretário substituto de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário, afirmou que “essa situação pode acontecer porque o processo de checagem [dos dados locais] é muito variável”. “Pode ser que aconteçam problemas e que a gente tenha que corrigir”, disse.

De acordo com Macário, nas regiões Norte e Nordeste, há uma tendência de estabilização nas próximas semanas pelo “período sazonal em que historicamente te diminui a transmissão de doenças respiratórias” nesses locais. O secretário admitiu que há um aumento crescente de casos e mortes por covid-19 a cada semana, mas não respondeu quando será o pico da pandemia.

Segundo dados apresentados nesta quinta pelo ministério, o Brasil ocupa a 34ª entre as taxa de incidência do vírus no mundo e a 21ª maior taxa de mortalidade. Ambos os indicadores consideram a população das nações.

São 2.779 casos por milhão de habitantes no País e 155 óbitos por milhão de habitantes. Os indicadores variam dentro do território, sendo que a região Norte está na situação mais crítica. São 333 óbitos por milhão de habitantes. 

Atendimento em favelas e comunidades

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta novos serviços de saúde para pacientes com sintomas leves de covid-19. Uma das ações é voltada para comunidades e favelas.

Serão destinados R$ 215,3 milhões para centros comunitários em 196 municípios. São cidades com população residente em áreas caracterizadas como aglomerado subnormal, de acordo com o IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística). A estimativa é contemplar 17 milhões de pessoas.

A outra iniciativa é o Centro de Atendimento para Enfrentamento à COVID-19. Todos municípios podem contar com esse serviço, mas precisam se cadastrar, o que poderá ser feito a partir de segunda-feira (8). O orçamento é de R$ 896,6 milhões.

“Vai possibilitar que gestores municipais que não têm dentro de sua área cobertura de equipamento de saúde da família, nem unidade básica de saúde, utilizar o equipamento social que tem na área para adaptar para permitir o acesso das pessoas ao atendimento”, disse Daniela Ribeiro, secretária substituta da Atenção Primária da pasta.

Nesses locais, assim como em outros serviços da Atenção Básica, deve ser feito o monitoramento de contatos de infectados, de acordo com o ministério. Esse tipo de medida não tem sido feita de forma eficaz desde o início da epidemia.

ASSOCIATED PRESS
Segundo informações divulgadas pelo ministério na última sexta, 3.936 (70,7%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.645 (29,5%) confirmaram óbitos causados pela doença.

Evolução da pandemia no Brasil

Segundo informações divulgadas pelo ministério nesta quinta, 4.222 (75,8%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.821 (32,7%) confirmaram óbitos causados pela doença. Na terça-feira passada, eram 3.771 cidades afetadas e, em 28 de março, apenas 297.

Até esta quinta, foram contabilizadas 219.121 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave), sendo 80.162 confirmadas para covid-19. Outras 60.805 estão em investigação e o restante se refere a outros vírus respiratórios.

Do total de internações por SRAG, 49.595 evoluíram para óbito, sendo 28.344 confirmados por covid-19. Outras 4.159 mortes estão em investigação, e o restante foi causada por outros vírus respiratórios. 

O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia. Segundo dados divulgados pela pasta nesta terça, 12 de maio é o dia com maior número de óbitos em um único dia: 670. Essas informações são constantemente atualizadas, então há variação dos dados.

Das mortes confirmadas por coronavírus, 70% eram de pacientes acima 60 anos e 62%  apresentam pelo menos um fator de risco. 

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. 

Segundo balanço apresentado nesta quinta, 1.085.891 exames do tipo moleculares RT-PCR foram realizados, sendo 556.094 processados em laboratórios públicos e 529.797 na rede particular. Na rede pública, 74,1% são analisados em até 5 dias, de acordo com o ministério.

O levantamento inclui ainda outros 748.916 testes rápidos, que identificam se a pessoa tem anticorpos para o novo coronavírus. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento.

Os dois tipos de exames somam 1.834.807, de forma que a taxa de testagem é de 8.737 exames por milhão de habitantes. O número ainda é distante de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o indicador é de 37.188 testes por milhão de habitantes.

A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Amazonas, com altos indicadores de mortalidade, têm iniciado esse tipo de medida.

Quanto aos indicadores de mortalidade, de acordo com o Ministério da Saúde, todas as análises são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta. Além do SIM, o ministério usa o SIVEPGripe para coletar informações sobre óbitos.