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31/08/2020 18:19 -03

Casos de covid-19 ultrapassam 3,9 milhões; mortes somam 121.381

Ao longo do mês de agosto, foram registrados mais de 27 mil óbitos pela doença.

O mês de agosto se encerra com um acumulado de 121.381 mortes causadas pela covid-19 desde o início da epidemia no Brasil, de acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com registros compilados até 18h desta segunda-feira (31). Foram 553 óbitos notificados nas últimas 24 horas. Em agosto, foram 27.847 registros.

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais com 30.014 notificações, seguido pelo Rio de Janeiro, com 16.065, Ceará (8.409), Pernambuco (7.593) e Pará (6.146).

Quanto aos casos confirmados, o acumulado é de 3.908.272, sendo 45.961 notificados nas últimas 24 horas.

Na comparação internacional, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos no ranking mundial e é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. 

Os dois países repetem as posições também em relação ao número de diagnósticos. No território norte-americano, foram registrados mais de 6 milhões de casos. A diferença entre as taxas de testagem entre os dois países - mais de 30 mil testes por milhão de habitantes nos EUA e menos de 10 mil por milhão de habitantes no Brasil - é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

Ao considerar a população de cada nação, o Brasil passou da 10ª para 9ª posição no ranking de diagnósticos, com 18.094,48 casos por milhão de habitantes, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). O país é o 10º em relação aos óbitos, com 566,72 por milhão de habitantes. 

O novo coronavírus já causou mais de 847 mil mortes no mundo. São cerca de 25,3 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade de Hopkins, atualizados nesta segunda.

O ritmo da epidemia no Brasil

De acordo com boletim mais recente do Ministério da Saúde que compara dados semanais, a média diária de óbitos na última semana analisada - encerrada em 22 de agosto - foi de 1.003, nível um pouco acima das semanas anteriores.

Após duas semanas com indicador abaixo de mil, o País voltou a atingir a marca. A primeira vez que o Brasil registrou mais de mil mortes por dia foi em 19 de maio. Desde então, o marco tem sido alcançado com frequência.

Desde meados de maio, quando olhamos os dados acumulados nacionais, os gráficos epidemiológicos assumiram a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes acumulados. 

Relatório mais recente do Imperial College London, com dados até 23 de agosto, também mostrou que o Brasil voltou ao patamar de 1 na taxa de transmissão (Rt). Nesse nível, cada infectado transmite a doença para uma pessoa, mantendo constante o contágio.

Na semana anterior, pela primeira vez desde abril, a taxa estava menor do que 1, em 0,98. Isso significa que 100 pessoas contaminadas contagiam outras 98 que, por sua vez, passam a doença para outras 96.

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Relatório mais recente do Imperial College London, com dados até 23 de agosto, também mostrou que o Brasil voltou ao patamar de 1 na taxa de transmissão (Rt). 

O indicador é nacional e devido à dimensão continental do Brasil, muitos estados e municípios ainda registro crescimento mais acelerado da transmissão.

O próprio boletim do Ministério da Saúde aponta diferenças na transmissão do vírus nas 5 regiões do País. Na comparação entre as duas últimas semanas epidemiológicas analisadas, na região Sul, houve redução nos casos (-17%) e mortes (-8%). No Sudeste, os casos reduziram em 15%, mas as mortes aumentaram em 8%. No Centro-Oeste, também houve redução nos casos (-11%) e aumento nas mortes (+17%)

No Norte, houve estabilização nos casos, com aumento de 2%, e incremento de 9% nos óbitos. No Nordeste, houve redução nos casos e nas mortes, de 14% e 5%, respectivamente. O cenário, contudo, também é muito diverso de um estado para o outro.    

Subnotificação da pandemia

Em junho, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. A divulgação regular só foi retomada em 9 de junho, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

A pasta também chegou a anunciar que adotaria uma nova metodologia, com boletins diários de óbitos ocorridos nas últimas 24 horas e não confirmados. A mudança, contudo, não foi colocada em prática até agora.

Na prática, ela inviabilizava uma comparação com os dados anteriores, dificultando a compreensão da evolução da pandemia no Brasil. Ela também atrapalharia a comparação dos números com outros países, por adotar critérios distintos do resto do mundo. 

Com a mudança, as “novas mortes” seriam menores. A medida também evita notícias negativas sobre recordes de óbitos diários. Integrantes do governo de Jair Bolsonaro, especialmente a ala militar, têm criticado esse tipo de cobertura jornalística.

Há uma atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

No final de junho, o ministério anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderia ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser um incentivo a menos para aplicação de testes RT-PCR (moleculares), forma mais precisa de diagnóstico.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde, foram distribuídos 5.723.484 testes RT-PCR. Após essa etapa, também há entraves até o resultado do exame. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. Na prática, o exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

Segundo o Ministério da Saúde, 4.152.652 exames moleculares haviam sido processados até 15 de agosto. A taxa de positividade era de 36,4% nos laboratórios públicos e de 31,2% nos particulares.

De acordo com painel da pasta, 7.976.380 testes rápidos sorológicos foram entregues. Segundo o boletim, 6.100.454 testes sorológicos (rápidos e laboratoriais) foram feitos. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. Os sorológicos, se há anticorpos no organismo.