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03/06/2020 22:16 -03

Brasil bate novo recorde e pela 9ª vez registra mais de mil óbitos em 24h por covid-19

País contabiliza 32.548 óbitos, 1.349 a mais do que o total registrado na terça-feira (2).

Um dia após atingir novo recorde diário de mortes causadas pelo novo coronavírus confirmadas, o Brasil bate um novo recorde, em reflexo do agravamento da pandemia no Brasil. Há 32.548 óbitos até o momento, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde. São 1.349 a mais do que o total registrado nesta terça-feira (2).

Já os casos confirmados somam 584.016, 28.633 a mais do que no boletim anterior. O maior número de infecções está no estado de São Paulo, com 123.483 mil casos e 82.76 mortes. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro, com 6.010 óbitos, Ceará (3.605), Pará (3.193) e Pernambuco (3.012).

Os dados mais recentes reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Esta é a 9ª vez que o total de mortes confirmadas de um dia para o outro é acima de mil.

A primeira vez em que isso ocorreu foi em 19 de maio, com 1.170 óbitos confirmados em 24 horas. O número também foi um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Superou o total de 919 mortes confirmadas de um dia para o outro no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

Outro marco foi na semana seguinte. Em 25 de maio, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos no registro diário de mortes: 807 novos óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano incluiu 620 mortes no balanço oficial.

Após ultrapassar a Espanha e a França nos últimos dias no ranking de países com mais vítimas da pandemia, o Brasil é o quarto na lista de mortes, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins.

Apenas Estados Unidos, Reino Unido e Itália estão na frente do País no número de óbitos. Como o total de mortes na Itália é de 33.601, segundo dados mais recentes, é possível que o Brasil mude de posição nos próximos dias.

A covid-19 já causou mais de 382 mil óbitos no mundo. São 6,4 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados nesta quarta.

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais diagnósticos, atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com 1,8 milhão de casos.

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A covid-19 já causou mais de 382 mil óbitos no mundo. São 6,4 milhões de casos confirmados.

Flexibilização do isolamento

Mesmo sem sinais de alívio na pandemia, estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Amazonas, com altos indicadores de mortalidade, têm iniciado planos de flexibilização.

Um dos entraves para que esse tipo de medida seja bem sucedida é a baixa testagem. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados na última sexta-feira (29), foram processados 930.013 testes. Dessa forma, a taxa de testagem é de 4.428 exames por milhão de habitantes. Nos Estados Unidos, o indicador é de 37.188 testes por milhão de habitantes.

Segundo informações divulgadas pelo ministério na última sexta, 3.936 (70,7%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.645 (29,5%) confirmaram óbitos causados pela doença. Na terça-feira passada, eram 3.771 cidades afetadas e, em 28 de março, apenas 297.

Até sexta passada, foram contabilizadas 192.8011 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave), sendo 65.758 confirmadas para covid-19. Outras 56.535 estão em investigação e o restante se refere a outros vírus respiratórios.

Do total de internações por SRAG, 41.621 evoluíram para óbito, sendo 22.543 confirmados por covid-19. Outras 4.245 mortes estão em investigação, e o restante foi causada por outros vírus respiratórios. 

O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia. Segundo dados divulgados pela pasta nesta terça, 5 de maio é o dia com maior número de óbitos em um único dia: 608. Essas informações são constantemente atualizadas, então há variação dos dados.

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

De acordo com o ministério, todas as análises de mortalidade são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta. Além do SIM, o ministério usa o SIVEPGripe para coletar informações sobre óbitos.