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29/05/2020 19:33 -03 | Atualizado 29/05/2020 19:47 -03

Brasil passa Espanha e é 5º país com mais mortes por covid-19 no mundo

Total de vítimas chega a 27.878; são 465.166 casos confirmados.

Após 1.124 confirmações em 24 horas, o Brasil acumula 27.878 mortes causadas pelo novo coronavírus, de acordo com balanço publicado nesta sexta-feira (29) pelo Ministério da Saúde. O país ultrapassou a Espanha, que registra 27.121 óbitos, e se tornou o quinto com mais vítimas fatais da pandemia, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins.

O total de casos confirmados chegou a 465.166 no boletim diário, com 26.928 confirmados de quinta para sexta, recorde do indicador. Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais diagnósticos, atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com 1,7 milhão de casos. 

A covid-19 já causou mais de 363 mil óbitos no mundo. São 5,8 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados nesta sexta.

No Brasil, o maior número de infecções está no estado de São Paulo, com 101 mil casos e 7.275 mortes. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 5.079 óbitos, Ceará (1.859), Pará (1.827) e Pernambuco (1.669).

Os dados mais recentes reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Por 7 vezes, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro foi acima de mil.

A primeira vez em que isso ocorreu foi em 19 de maio, com 1.170 óbitos confirmados em 24 horas O número também foi um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Superou o total de 919 mortes confirmadas de um dia para o outro no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

Dois dias depois, na quinta-feira (21), foi registrado o recorde de confirmações de vítimas da doença em um intervalo de 24 horas: 1.188.

Na segunda-feira (25), foi atingido um novo marco. O Brasil superou os Estados Unidos no registro diário de mortes: 807 novos óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano incluiu 620 mortes no balanço oficial.

Questionado sobre quando será o pico da crise sanitária, o secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, evitou fazer previsões. “A gente não trabalha com estimativa de mortes porque a gente prioriza a vida”, afirmou nesta sexta.

Segundo o sanitarista, a situação crítica nas regiões Norte e Nordeste se deve a um fator de sazonalidade das doenças respiratórias nesses locais, o que deve começar a ocorrer no Sul e Sudeste.

Questionado sobre a estratégia de avaliação de risco, que serviria para orientar decisões de isolamento social nos estados, Macário respondeu que ela ainda está sendo discutida entre o ministro interino, Eduardo Pazuello, e os conselhos estaduais e municipais de saúde.

ASSOCIATED PRESS
Por 6 vezes, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro foi acima de mil.  

Testes por milhão de habitantes

Nesta semana, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, estimou que até 4 de agosto o Brasil devem chegar a 88.300 mortes causadas pelo novo coronavírus.

Integrantes da Opas reforçaram a importância do isolamento social e da ampliação da testagem. “O Brasil precisa aumentar o número de testes. Atualmente, são cerca de 3 mil por milhão de habitantes. Em um País tão grande, de cidades povoadas como Rio e São Paulo, é de importância vital implementar medidas de mitigação, como aumentar os testes e tentar manter o distanciamento social”, afirmou o diretor do Programa de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal.

Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados nesta sexta, foram processados 930.013 testes. Dessa forma, a taxa de testagem é de 4.428 exames por milhão de habitantes. Nos Estados Unidos, por exemplo, o indicador é de 37.188 testes por milhão de habitantes.

Infectologistas e epidemiologistas recomendam o confinamento das pessoas em casa e o distanciamento social, nas atividades essenciais nas ruas e ambientes internos, como formas de conter a transmissão do coronavírus. O isolamento social pode achatar a curva de contaminação — que está em acelerada alta no País neste momento.   

70% dos municípios atingidos pela pandemia

Segundo informações divulgadas pelo ministério nesta sexta, 3.936 (70,7%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.645 (29,5%) confirmaram óbitos causados pela doença. Na terça-feira, eram 3.771 cidades afetadas e, em 28 de março, apenas 297.

Considerando dados até 23 de maio, o Brasil registra 1.653 casos por milhão de habitante e 103 óbitos por milhão de habitantes. Apresentação do ministério divulgada nesta sexta com dados de outros países elencou dados para minimizar o cenário da pandemia. De acordo com o documento, o Brasil ocupava 45° lugar em relação à incidência e 124º de mortalidade, ambos indicadores considerando países com mais de 1 milhão de habitantes. 

Até essa sexta, foram contabilizadas 192.8011 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave), sendo 65.758 confirmadas para covid-19. Outras 56.535 estão em investigação e o restante se refere a outros vírus respiratórios.

Do total de internações por SRAG, 41.621 evoluíram para óbito, sendo 22.543 confirmados por covid-19. Outras 4.245 mortes estão em investigação, e o restante foi causada por outros vírus respiratórios. 

O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia. Segundo dados divulgados pela pasta nesta terça, 5 de maio é o dia com maior número de óbitos em um único dia: 608. Essas informações são constantemente atualizadas, então há variação dos dados.

Grávidas vítimas da covid-19

De acordo com boletim epidemiológico divulgado nesta sexta pelo Ministério da Saúde, foram confirmadas 484 infecções do novo coronavírus entre gestantes e 36 evoluíram para óbito. Esses casos estão sendo investigados, de acordo com Macário.

Foram analisados apenas 288 casos devido à falta de informações de algumas pacientes. Observou-se que 248 (86,1%) das grávidas estavam na faixa etária de 20 a 39 anos de idade. Desse grupo, 215 (86,7%) tiveram alta e 33 (13,3%) evoluíram para óbito.

Quanto ao recorte racial, 107 (42,5%) das gestantes registradas como pardas tiveram alta e 19 (52,8%) evoluíram ao óbito. Houve 67 (26,6%) gestantes recuperadas e 5 (13,9%) morreram entre as registradas como brancas.

Entre crianças menores de 12 anos, foram 662 infectados e 62 mortes. Já para adolescentes (12 a 18 anos), o total de casos confirmados é de 254, sendo 37 óbitos.

De acordo com o ministério, dos óbitos por SRAG confirmados de covid-19, 70% eram pacientes acima 60 anos e 62% apresentam pelo menos um fator de risco, como cardiopatia e diabetes. 

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

O represamento de resultados chegou ao ponto de haver 93 mil testes que aguardavam análise nos laboratórios públicos estaduais no início do mês. Já as grandes redes privadas tinham mais de 100 mil exames que ainda não haviam sido incluídos no sistema do ministério também em maio. Nesta sexta, a pasta informou que 74,7% dos testes são analisados em até 5 dias.

De acordo com o ministério, todas as análises de mortalidade são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta. Além do SIM, o ministério usa o SIVEPGripe para coletar informações sobre óbitos.