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29/07/2020 18:40 -03 | Atualizado 30/07/2020 08:23 -03

Com recorde de 1,5 mil mortes em 24 horas, Brasil chega a 90 mil óbitos por covid-19

País também bateu recorde de casos confirmados de um dia para o outro, com 69.074 registros.

Nesta quarta-feira (29) o Brasil registra novos marcos na pandemia do novo coronavírus. São 90.134 óbitos contabilizados até agora, segundo boletim divulgado pelo Ministério da Saude com dados coletados até 18h. Na comparação com o balanço de terça, são 1.595 mortes a mais, um recorde do indicador. O segundo número mais alto foi em 4 de junho, quando 1.473 óbitos foram contabilizados de um dia para o outro.

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais, com 22.389 óbitos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 13.198, Ceará (7.643), Pernambuco (6.484) e Pará (5.694).

Quanto ao número de casos, de terça para quarta, foram 69.074 confirmados, também um novo recorde. O anterior era de 67.860 em 22 de julho. O acumulado é de 2.552.265.

Em coletiva de imprensa, o Ministério da Saúde informou que houve uma correção dos dados do Amazonas. O correto são 975 casos no estado nas últimas 24 horas, o que levaria ao acumulado de 99 mil na unidade da Federação.

Ao analisar o ranking mundial, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos e é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. 

Os dois países repetem as posições também em relação aos diagnósticos. No território norte-americano, foram registrados mais de 4,3 milhões de casos. A diferença das taxas de testagem entre os dois países - 37.188 testes por milhão de habitantes nos EUA e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - por sua vez, é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

O novo coronavírus já causou mais de 661 mil óbitos no mundo. São cerca de 16,7 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins atualizados nesta quarta.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde divulgado nesta quarta, a incidência da doença é de 11.394,5 casos por milhão de habitantes enquanto que a taxa de mortalidade é de 411,4 por milhão de habitantes. Na comparação com outros países com mais de um milhão de habitantes, o Brasil ocupa a 10ª posição tanto no ranking de diagnósticos quanto de mortes.

Recorde de casos semanais

A semana encerrada em 25 de julho foi uma das mais graves da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Houve um recorde de casos registrados da covid-19, com 319.653 notificações, um aumento de 36% em relação à semana anterior. No mesmo período, foram registradas 7.677 mortes, um crescimento de 5%. Os números são de boletim divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (29).  

Os gráficos epidemiológicos brasileiros assumiram a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes. A média diária de óbitos por semana permanece estável e alta desde a 22ª semana epidemiológica, encerrada em 30 de maio. Na última semana, por 6 vezes, foram registradas mais de mil mortes por dia - entre 21 e 25 de julho. 

A média diária de casos registrados na semana epidemiológica 30, encerrada em 25 de julho, foi de 45.665. O número era 33.573 na semana anterior.

Já a média diária de óbitos na última semana analisada foi de 1.029, contra 1.043 da semana anterior e mesmo número na semana 28, encerrada em 11 de julho.

Questionado em coletiva de imprensa nesta quarta sobre a alta de mortes em alguns estados, o secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros, disse que era importante focar nos números de recuperados.

“Temos um número muito triste de óbitos. Uma vida conta, mas também conta mais de um milhão de vidas recuperadas. Se fôssemos olhar e avaliar a vida recuperada talvez tenha uma história de luta muito grande que passou dias, semanas no leito de UTI brigando pela vida”, afirmou.

Uma vida conta, mas também conta mais de um milhão de vidas recuperadas.Secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros

Na comparação entre as duas últimas semanas epidemiológicas analisadas no boletim, no Sul do País, foi registrado aumento de 25% no número de casos e de 18% nas mortes. No Centro-Oeste, houve acréscimo de 63% nos diagnósticos e de 7% de óbitos no mesmo período. No Sudeste, houve acréscimo de 17% nos casos e de 9% de mortes. 

No Nordeste os diagnósticos cresceram 27% nas comparação entre as semanas encerradas em 18 de julho e 25 de julho. Já o número de mortes no período caiu 8%. Na região Norte, os casos cresceram 8% e os óbitos, 13%.

Persiste a interiorização da pandemia no Brasil. Segundo o boletim do Ministério da Saúde, 5.475 (98,2%) dos municípios têm casos confirmados de covid-19 e 3.476 (52,4%) cidades registraram mortes causadas pela covid-19. 

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Entre as vítimas da pandemia, 58,2% são do sexo masculino e a faixa etária mais acometida permanece a de 70 a 79 anos, (25,0%), de acordo com o Ministério da Saúde.

Segunda onda em 4 estados

Dados do boletim InfoGripe mais recente, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), mostram indicativos de uma segunda onda em alguns estados. De acordo com o documento com registros até 18 de julho, no Amapá, Maranhão, Ceará e Rio de Janeiro o número de novos casos semanais de SRAG (síndrome respiratória aguda grave) voltou a subir após ter atingido um pico e iniciado um processo de queda.

De acordo com o Ministério da Saúde, até 25 de julho foram registradas 479.819 hospitalizações por SRAG. Desse total, 236.852 (49,4%) foram confirmados para covid-19, 154.663 (32,2%) não têm causa especificada, 82.617 (17,2%) estão com investigação em andamento e o restante foi causada por outros vírus respiratórios.

Do total de internados com covid-19, a raça/cor mais prevalente é a parda (31,3%), seguida da branca (29,3%), preta (4,6%), amarela (1,0%) e indígena (0,3%). Sendo que em 33,5% estavam sem informação.

Do total de 126.108 óbitos por SRAG, 83.966 (66,6%) foram confirmados para covid-19, 37.495 (29,7%) não têm causa especificada, 3.840 (3,0%) estão com investigação em andamento e o restante foi causado por outros vírus respiratórios.

Entre as vítimas da pandemia, 58% são do sexo masculino e 72,1% estava acima dos 60 anos, segundo o boletim. O perfil de raça/cor se manteve, sendo a parda (35%) a mais frequente, seguida da branca (26,6%), preta (5%), amarela (1,1%) e indígena (0,4%) e 32% estava em branco. Ainda de acordo com o documento, (61,5%) apresentavam pelo menos uma comorbidade ou fator de risco para a doença.  

Subnotificação da pandemia

Em junho, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. A divulgação regular só foi retomada em 9 de junho, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

A pasta também chegou a anunciar que adotaria uma nova metodologia, com boletins diários de óbitos ocorridos nas últimas 24 horas e não confirmados. A mudança, contudo, não foi colocada em prática até agora.

Na prática, ela inviabilizava uma comparação com os dados anteriores, dificultando a compreensão da evolução da pandemia no Brasil. Ela também atrapalharia a comparação dos números com outros países, por adotar critérios distintos do resto do mundo. 

Com a mudança, as “novas mortes” seriam menores. Na prática, a medida também evita notícias negativas sobre recordes de óbitos diários. Integrantes do governo de Jair Bolsonaro, especialmente a ala militar, têm criticado esse tipo de cobertura jornalística.

Há uma atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde, 12 de maio é o dia em que mais mortes por covid ocorreram de fato. Foram 1.098 óbitos, de acordo com boletim divulgado nesta quarta.

O mês com mais mortes por data de ocorrência é maio (30.199), seguido por junho (24.059) e julho (16.443), com dados até 27 de julho. 

No final de junho, o ministério anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderia ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser um incentivo a menos para aplicação de testes RT-PCR (moleculares), forma mais precisa de diagnóstico.

De acordo com boletim do ministério publicado nesta quarta, foram distribuídos 5.015.252 testes RT-PCR (moleculares). Após essa etapa, também há entraves até o resultado do exame. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. Na prática, o exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

De acordo com o Ministério da Saúde, 2.678.927 exames moleculares haviam sido processados até 25 de julho, sendo 1.548.507 na rede pública e 1.130.420 na rede privada. A taxa de positividade era de 37,7% nos laboratórios públicos e de 28,5% nos particulares.

De acordo com painel da pasta, outros 8.004.080 testes rápidos sorológicos foram entregues. Segundo o boletim, 4.398.066 testes sorológicos (rápidos e laboratoriais) foram feitos e a positividade foi de 32,2%. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. Os sorológicos, se há anticorpos no organismo.