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27/05/2020 19:47 -03

Brasil tem pela 5ª vez mais de mil mortes por covid-19 confirmadas em 24h e soma 25.598 vítimas

Com taxa de testagem considerada baixa, de 4.252 exames por milhão de habitantes, Brasil contabiliza 411.821 casos da doença.

O Brasil soma 411.821 diagnósticos positivos da covid-19, com 20.599 novos casos nas últimas 24 horas, de acordo com balanço do Ministério da Saúde, divulgado nesta quarta-feira (27). O País atingiu a marca de 25.598 mortes em decorrência da infecção causada pelo novo coronavírus, com 1.086 novos registros de terça para quarta, sendo que 500 ocorreram nos últimos 3 dias. É a 5ª vez que o Brasil tem mais de mil mortes confirmadas em 24h.

Epicentro da pandemia do novo coronavírus na América do Sul, o Brasil é o segundo país com maior número de diagnósticos, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam 1,6 milhão de registros, de acordo com dados do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins.

O maior número de diagnósticos positivos da doença no Brasil está no estado de São Paulo, com 89 mil casos e 6.712 mortes, de acordo com dados mais recentes. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 4.605 mortes, Ceará (2.571), Pará (2.545) e Pernambuco (2.468).

O secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, afirmou em coletiva de imprensa nesta terça-feira (26) que há uma “tendência de interiorização da pandemia”.

Devido a características climáticas, ele recomendou atenção especial para moradores da região Sul. “Medidas de higiene, etiqueta da tosse e proteção devem ser enfatizadas principalmente para residentes da região Sul que vão passar pelo processo de sazonalidade histórica de transmissão de vírus respiratórios e por isso precisam tomar mais cuidado para que não se exponham e não se infectem pelo coronavírus”, recomendou o sanitarista.

Escalada da pandemia no Brasil 

Os dados mais recentes reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Desde 5 de maio, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro passou para um patamar acima de 600. 

Na semana passada, o País superou pela primeira vez a marca de mais de mil mortes confirmadas de um dia para o outro: 1.170 em 19 de maio. O número também foi um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Superou o total de 919 mortes confirmadas em 24 horas no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

Dois dias depois, na quinta-feira (21), foi registrado o recorde de confirmações de vítimas da doença em um intervalo de 24 horas: 1.188. Nesta quarta é a quinta vez que o número de óbitos de um dia para o outro ultrapassou mil registros.

Nesta segunda-feira (25), foi atingido um novo marco. O Brasil superou os Estados Unidos no registro diário de mortes: 807 novos óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano incluiu 620 mortes no balanço oficial.

Segundo o mapeamento da Johns Hopkins, foram confirmados cerca de 5,6 milhões de casos da covid-19 no mundo inteiro e mais de 353 mil mortes, de acordo com dados atualizados nesta quarta. O Brasil está em 6º no total de óbitos.  

Andre Coelho via Getty Images
Taxa de testagem do Brasil é de 4.252 exames por milhão de habitantes, segundo Ministério da Saúde. Nos Estados Unidos, que lidera o número de diagnósticos, o indicador é de 37.188 testes por milhão de habitantes.

Testes por milhão de habitantes

Nesta terça, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, estimou que até 4 de agosto o Brasil devem chegar a 88.300 mortes causadas pelo novo coronavírus.

Integrantes da Opas reforçaram a importância do isolamento social e da ampliação da testagem. “O Brasil precisa aumentar o número de testes. Atualmente, são cerca de 3 mil por milhão de habitantes. Em um País tão grande, de cidades povoadas como Rio e São Paulo, é de importância vital implementar medidas de mitigação, como aumentar os testes e tentar manter o distanciamento social”, afirmou o diretor do Programa de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal.

Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados nesta terça, foram processados 871.839 testes. Dessa forma, a taxa de testagem é de 4.252 exames por milhão de habitantes. Nos Estados Unidos, por exemplo, o indicador é de 37.188 testes por milhão de habitantes.

De acordo com o Macário, apesar de a testagem ainda não ser ideal, o “Brasil está conseguindo alcançar certo nível adequado de testagem de casos suspeitos que estão entrando nas unidades de saúde”. No entendimento do secretário, o Brasil “tem avançado na diminuição do sub-registro e demonstra que a doença está em crescimento”, completou.

Interiorização da covid-19

Segundo informações divulgadas pelo ministério nesta terça, 3.771 (67,7%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.536 (27,6%) confirmaram óbitos causados pela doença. Na semana passada, eram 1.426 cidades afetadas e, em 28 de março, apenas 297.

Considerando dados até esta segunda, o Brasil registra 1.653 casos por milhão de habitante e 105 óbitos por milhão de habitantes. Apresentação do ministério divulgada nesta terça com dados de outros países elencou dados para minimizar o cenário da pandemia. De acordo com o documento, o Brasil ocupava 51° lugar em relação à incidência e 14º de mortalidade, ambos indicadores considerando países com mais de 1 milhão de habitantes. 

Há diferenças regionais. No Sudeste, epicentro do novo coronavírus quando se olha os dados absolutos, são 1.486 casos por milhão de habitante e 120 óbitos por milhão de habitantes. A situação mais grave, pelo recorte de números que considera a população, está no Norte, com 3.764 casos por milhão de habitante e 230 óbitos por milhão de habitantes.  

Até 23 de maio, foram contabilizadas 173.819 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave). Desse total, 36.792 evoluíram para óbito, sendo 19.313 confirmados por covid-19. Outras 3.882 mortes estão em investigação, e o restante foi causada por outros vírus respiratórios. 

O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia. Segundo dados divulgados pela pasta nesta terça, 5 de maio é o dia com maior número de óbitos em um único dia: 548. Essas informações são constantemente atualizadas, então há variação dos dados.

De acordo com o ministério, dos óbitos por SRAG confirmados de covid-19, 69% eram pacientes acima 60 anos e 63% apresentam pelo menos um fator de risco, como cardiopatia e diabetes. 

Infectologistas e epidemiologistas recomendam o confinamento das pessoas em casa e o distanciamento social, nas atividades essenciais nas ruas e ambientes internos, como formas de conter a transmissão do coronavírus. O isolamento social pode achatar a curva de contaminação — que está em acelerada alta no País neste momento.