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26/05/2020 20:03 -03

Brasil tem mais de mil mortes confirmadas por covid-19 pela 4ª vez e acumula 24.512 vítimas

Secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde afirmou que há uma “tendência de interiorização da pandemia”.

O Brasil tem 391.222 diagnósticos positivos da covid-19, com 16.324 novos casos nas últimas 24 horas, de acordo com balanço do Ministério da Saúde, divulgado nesta terça-feira (26). Também nesta terça, o País atingiu a marca de 24.512 mortes em decorrência da infecção causada pelo novo coronavírus, com 1.039 novos registros de segunda para terça. É a quarta vez que o Brasil confirma mais de mil mortes de um dia para o outro.

Epicentro da pandemia do novo coronavírus na América do Sul, o Brasil é o segundo país com maior número de diagnósticos, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam 1,6 milhão de registros, de acordo com dados do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins.

O maior número de diagnósticos positivos da doença no Brasil está no estado de São Paulo, com 86 mil casos e 6.423 mortes, de acordo com dados mais recentes. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 4.361 mortes, Ceará (2.603), Pará (2.469) e Pernambuco (2.328).

O secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, afirmou nesta terça que há uma “tendência de interiorização da pandemia”.

Devido à características climáticas, ele recomendou atenção especial para moradores da região Sul. “Medidas de higiene, etiqueta da tosse e proteção devem ser enfatizadas principalmente para residentes da região Sul que vão passar pelo processo de sazonalidade histórica de transmissão de vírus respiratórios e por isso precisam tomar mais cuidado para que não se exponham e não se infectem pelo coronavírus”, recomendou o sanitarista.

O secretário também afirmou ser contra a ideia da “imunidade de rebanho” nesse contexto. “Questões que têm sido colocadas como ‘é importante que o Brasil adquira uma imunidade de rebanho de 70% de infectados para que a gente tenha uma diminuição no número de casos efetivos’, eu considero que essa não é a melhor estratégia se você não tem uma vacina. Se vocês tem uma vacina disponível, esse sim vai ser o ideal, que a gente consiga vacinar 70%, 80%, 90% da população vacinada consiga proteger a população não vacinada”, completou.

As declarações do secretário foram feitas em coletiva de imprensa antes da divulgação do balanço. Questionado sobre os dados só serem divulgados após a entrevista, Macário afirmou que foi um ajuste feito devido ao fluxo de trabalho das secretarias estaduais. Na gestão de Luiz Henrique Mandetta os dados eram enviados a jornalistas antes da coletiva.

Sobre outras mudanças na comunicação do ministério, como a redução de entrevistas coletivas e limitação de temas por dia, Macário afirmou que o objetivo da alteração é aprofundar a análise. “Não basta avaliarmos dia a pós dia, mas fazermos análises aprofundadas por semana”, disse.

Escalada da pandemia no Brasil 

Os dados mais recentes reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Desde 5 de maio, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro passou para um patamar acima de 600. 

Há uma semana, na terça-feira (19), o País superou a marca de mais de mil mortes confirmadas de um dia para o outro: 1.170. O número também foi um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Superou o total de 919 mortes confirmadas em 24 horas no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

Dois dias depois, na quinta-feira (21), foi registrado o recorde de confirmações de vítimas da doença em um intervalo de 24 horas: 1.188. No dia seguinte, foram 1.001.

Nesta segunda (25), foi atingido um novo marco. O Brasil superou os Estados Unidos no registro diário de mortes: 807 novos óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano incluiu 620 mortes no balanço oficial.

Segundo o mapeamento da Johns Hopkins, foram confirmados cerca de 5,5 milhões de casos da covid-19 no mundo inteiro e mais de 348 mil mortes, de acordo com dados atualizados nesta quinta. O Brasil está em 6º no total de óbitos. 

Testes por milhão de habitantes

Nesta terça, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, estimou que até 4 de agosto o Brasil devem chegar a 88.300 mortes causadas pelo novo coronavírus.

Integrantes da Opas reforçaram a importância do isolamento social e da ampliação da testagem. “O Brasil precisa aumentar o número de testes. Atualmente, são cerca de três mil por milhão de habitantes. Em um País tão grande, de cidades povoadas como Rio e São Paulo, é de importância vital implementar medidas de mitigação, como aumentar os testes e tentar manter o distanciamento social”, afirmou o Diretor do Programa de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal.

Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados nesta terça, foram distribuídos 3.129.808 testes RT-PCR para laboratórios estaduais e 460.102 exames foram processados. Outros 411.737 foram feitos por laboratórios privados. Com a soma, o total chega a 871.839. Dessa forma, a taxa de testagem é de 4.252 exames por milhão de habitantes.

De acordo com o Macário, apesar de a testagem ainda não ser ideal, o “Brasil está conseguindo alcançar certo nível adequado de testagem de casos suspeitos que estão entrando nas unidades de saúde”. No entendimento do secretário, o Brasil “tem avançado na diminuição do sub-registro e demonstra que a doença está em crescimento”, completou.

ASSOCIATED PRESS
Nesta segunda (25), o Brasil superou os Estados Unidos no registro diário de mortes.

Interiorização da covid-19

Segundo informações divulgadas pelo ministério nesta terça, 3.771 (67,7%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.536 (27,6%) com óbitos confirmaram óbitos causados pela doença. Na semana passada, eram 1.426 cidades afetadas e, em 28 de março, apenas 297.

Considerado dados até esta segunda, o Brasil registra 1.653 casos por milhão de habitante e 105 óbitos por milhão de habitantes. Apresentação do ministério divulgada nesta terça com dados de outros países elencou dados para minimizar o cenário da pandemia. De acordo com o documento, o Brasil ocupava 51° lugar em relação à incidência e 14º de mortalidade, ambos indicadores considerando países com mais de 1 milhão de habitantes. 

Há diferenças regionais. No Sudeste, epicentro do novo coronavírus quando se olha os dados absolutos, são 1.486 casos por milhão de habitante e 120 óbitos por milhão de habitantes. A situação mais grave, pelo recorte de números que considera a população, está no Norte, com 3.764 casos por milhão de habitante e 230 óbitos por milhão de habitantes.  

Até 23 de maio, foram contabilizadas 173.819 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave). Desse total, 36.792 evoluíram para óbito, sendo 19.313 confirmados por covid-19. Outras mortes 3.882 estão em investigação e o restante foram causadas por outros vírus respiratórios. 

O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia. Segundo dados divulgados pela pasta nesta terça, 5 de maio é o dia com maior número de óbitos em um único dia: 548. Essas informações são constantemente atualizadas, então há variação dos dados.

De acordo com o ministério, dos óbitos por SRAG confirmados de covid-19, 69% eram pacientes acima 60 anos e 63% apresentam pelo menos um fator de risco, como cardiopatia e diabetes. 

Infectologistas e epidemiologistas recomendam o confinamento das pessoas em casa e o distanciamento social, nas atividades essenciais nas ruas e ambientes internos, como formas de conter a transmissão do coronavírus. O isolamento social pode achatar a curva de contaminação — que está em acelerada alta no País neste momento.  

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

O represamento de resultados chegou ao ponto de haver 93 mil testes que aguardavam análise nos laboratórios públicos estaduais no início do mês. Já as grandes redes privadas tinham mais de 100 mil exames que ainda não haviam sido incluídos no sistema do ministério também em maio.

De acordo com a pasta, todas as análises de mortalidade são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta. Além do SIM, o ministério usa o SIVEPGripe para coletar informações sobre óbitos.