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26/06/2020 18:24 -03

Com 46.860 casos de covid-19 confirmados em 24h, Brasil chega a 1,27 milhão de infectados

Relatório do InfoGripe mostra que todas as regiões do País apresentaram números de casos e de mortes por SRAG muito altos.

A epidemia do novo coronavírus no Brasil continua em alta, com 1.274.974 casos confirmados, de acordo com levantamento divulgado pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com dados compilados até às 18h desta sexta-feira (26). São 46.860 a mais em 24 horas, segundo maior patamar diário desse indicador desde o início da crise sanitária.

Os óbitos, por sua vez, somam 55.961, segundo o Conass. São 990 a mais em relação ao balanço de quarta-feira (24). Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas da pandemia, com 13.966 mortes, seguido pelo Rio de Janeiro (9.587), Ceará (5.920), Pará (4.803) e Pernambuco (4.610)

Na última quarta, o Ministério da Saúde anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderá ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser um incentivo a menos para aplicação de testes, forma mais precisa de diagnóstico.

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. No início de junho, o Brasil ocupava o quarto lugar no ranking mundial. Ao longo do mês, ultrapassou Itália e Rússia. 

Quanto aos diagnósticos, o Brasil é o segundo país com mais casos confirmados de contaminação, atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com cerca de 2,4 milhões de casos, segundo o controle da Johns Hopkins.

A diferença das taxas de testagem entre os dois países - 37.188 testes por milhão de habitantes nos EUA e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

Na última segunda-feira (22), o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, afirmou que a porcentagem de testes com resultado positivo no Brasil, de 31%, é um indicador de subnotificação. “Nos países que aplicam grande número de testes, a porcentagem de positivos fica perto de 5%”, afirmou.

O novo coronavírus já causou mais de 491 mil óbitos no mundo. São cerca de 9,7 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados nesta sexta.

A evolução da pandemia no Brasil

Os gráficos epidemiológicos brasileiros nas últimas semanas assumem aos poucos a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes. Nesta quarta, o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia, reconheceu um “número significativo de casos novos” na última semana de epidemia. “A gente tinha falado que parecia que a curva tenderia a certa estabilização, ou diminuição do número de casos. A gente vê que nesta semana tivemos aumento significativo de casos novos”, afirmou.

No mesmo dia, o diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis, Eduardo Macário, afirmou que as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste passam por uma transição de estações, com o início do inverno, que levou a um aumento de casos. De acordo com ele, a orientação é que essas regiões “redobrem sua atenção e que a população busque se proteger o máximo possível”. 

A pasta publicou portaria há uma semana com orientações para retomada das atividades. O documento não inclui critérios como ocupação dos hospitais ou situação epidemiológica para decidir flexibilização do isolamento.

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Os gráficos epidemiológicos brasileiros nas últimas semanas assumem aos poucos a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes.

Uma possível tendência de desaceleração não significa que a situação esteja sob controle, uma vez que os números continuam altos.

Relatório do InfoGripe publicado nesta sexta com dados da semana de 14 a 20 de junho mostra que todas as regiões do País apresentaram números de casos e de mortes muito altos de pessoas internadas com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A maioria foi confirmada com covid-19.

Até 20 de junho, foram reportadas 208.967 internações por SRAG. Desse total, 95.106 tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 62.694 foram negativos e ao menos 36.301 aguardam resultado. Dentre os positivos, 95,4% foram Sars-CoV-2, o novo coronavírus.

Quanto aos óbitos, foram registrados 49.352 por SRAG no ano, sendo 31.915 com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 11.878 negativos, e ao menos 2.486 aguardando resultado. Dentre os positivos, 98,7% eram por covid-19.

De acordo com dados do Ministério da Saúde divulgados nesta semana, o perfil das vítimas fatais da pandemia é o seguinte: 71% acima de 60 anos, 59% homens e 60% tinham algum fator de risco, como cardiopatias ou diabetes. Quanto à raça/cor, 35,4% eram pardos, 24,1% brancos, 4,8% pretos, 1% amarelos, 0,4% indígenas e outros 34,3% registros não tinham esse informação.

Para fins de comparação, o total de registros de hospitalizações ou óbitos no sistema de vigilância em 2020 é de 309.959. Considerando o atraso de oportunidade de digitação, a estimativa é de que o número atual seja cerca de 355 mil casos. Durante o surto de Influenza H1N1 em 2009, o pior da série histórica, foram 202.529 casos notificados com os mesmos critérios, de acordo com o boletim do InfoGripe.

Quanto aos recortes regionais, o levantamento mostra que na região Norte, a tendência geral é de queda sustentada, com redução significativa no número de casos semanais iniciada no mês de maio. No entanto, alguns estados ainda apresentam crescimento do número de casos, como Rondônia e Roraima.

No Nordeste, a situação é heterogênea. Em Pernambuco, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte se observa uma tendência de queda, mas em Alagoas, Bahia e Sergipe, a estimativa indica que os casos seguem aumentando. Já Ceará e Maranhão possuem sinais de estabilização do número de casos.

No Sudeste, foi observada uma oscilação pequena dos casos. Em Minas Gerais os casos de SRAG ainda crescem, porém com início de desaceleração. 

Centro-Oeste e Sul são as regiões onde se mantém a tendência de crescimento. Com exceção de Mato Grosso, em todas unidades da Federação nesses locais há sinal de crescimento dos casos de SRAG.

Interiorização: o avanço da covid-19 no Brasil

Dados divulgados na última quarta também reforçam evidências de interiorização da pandemia. Segundo o levantamento, 4.937 municípios (88,6%) registraram casos do novo coronavírus e 2.374 (42,6%) tiveram óbitos. Em 18 de junho, eram 4.590 municípios com casos e 2.165 com mortes.

Houve um agravamento acelerado da crise sanitária no País nos últimos meses. O marco de mais de 10 mil mortes foi atingido em 9 de maio. Em 21 de maio, o total dobrou e ultrapassou 20 mil óbitos. Em 2 de junho, as vítimas fatais da pandemia superaram o patamar de 30 mil.

A confirmação de mais de mil mortes de um dia para o outro já ocorreu 22 vezes. A primeira foi em 19 de maio, quando foram confirmados 1.170 óbitos.

A data também foi um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Superou o total de 919 mortes confirmadas de um dia para o outro no fim de março na Itália.

Na semana seguinte, em 25 de maio, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos no registro diário de mortes: 807 novos óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano incluiu 620 mortes no balanço oficial.  

Na comparação considerando a população dos países, o Brasil registrava incidência de 5.656 casos por milhão de habitantes, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 24 de junho. O indicador colocava o Brasil no 13º lugar no ranking mundial.

A mortalidade por milhão, por sua vez, era de 256, de modo que o Brasil ocupava 10ª posição na lista, segundo a pasta. Ao analisar os óbitos por data da ocorrência, o recorde foi em 14 de maio, com 894.

O Brasil lidera a média semanal de novos casos de covid-19 desde maio, de acordo com dados da Agência da União Europeia para Controle e Prevenção de Doenças. De acordo com o boletim mais recente, a média brasileira é de 31,1 mil novos casos. Em seguida, estão os Estados Unidos (28,3 mil) e a Índia (13,8 mil.

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Secom criou o “Placar da Vida”, publicado diariamente nas redes sociais da Presidência. A publicação omite as mortes e destaca o número de recuperados.

Ministério da Saúde dificulta análise

Desde o início deste mês, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. O total de diagnósticos e de mortes também deixou de estar disponível no site covid.saude.gov.br. Foi ainda anunciada uma mudança na metodologia, ainda não aplicada. 

Até 4 de junho, o Ministério da Saúde enviava aos jornalistas, por meio de uma rede de transmissão via WhatsApp, um boletim com o total de casos e de óbitos confirmados nas últimas 24 horas, assim como o acumulado dos dois dados.

Faz mais de uma semana que o Ministério da Saúde informou que adotaria uma nova metodologia, com boletins diários de óbitos ocorridos nas últimas 24 horas e não confirmados. Na prática, ela inviabiliza uma comparação com os dados anteriores, dificultando a compreensão da evolução da pandemia no Brasil. Ela também atrapalha a comparação dos números com outros países, por adotar critérios distintos do resto do mundo. 

Há uma atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

Com a mudança de critério pelo governo federal, as “novas mortes” serão menores. Na prática, a medida também evita notícias negativas sobre recordes de óbitos diários. Integrantes do governo de Jair Bolsonaro, especialmente a ala militar, têm criticado esse tipo de cobertura jornalística.

Na mesma linha, a Secom (Secretaria de Comunicação Social) criou o “Placar da Vida”, publicado diariamente nas redes sociais da Presidência. A publicação omite as mortes e destaca o número de recuperados.

Os integrantes do Ministério da Saúde não explicaram o motivo de adotar uma metodologia que causará esse tipo de prejuízo. Só é possível continuar comparando o total de óbitos se o ministério atualizar progressivamente as informações de mortes que tiverem a confirmação laboratorial após a data do óbito.

Em reunião ministerial com o presidente, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, disse que será feita atualização retroativa. “Quando você bota no cálculo diário você vê que é acumulado nos dias de registro. O que eu coloco como proposta é que a gente use os mesmos números, mas nos dias do óbito (…) e vai corrigindo os anteriores aí você passa a observar exatamente a curva”, afirmou.

Em 7 de junho, o ministério também deixou de enviar aos jornalistas pela rede de transmissão via WhatsApp o boletim no formato anterior. Essa transmissão só foi retomada dois dias depois, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em 12 de junho entrou no ar a nova plataforma anunciada pelo governo federal. Os óbitos estavam contabilizados por data da notificação.

Subnotificação da pandemia

Além da falta de transparência, a subnotificação também prejudica uma compreensão real do cenário da crise sanitária no País. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

Segundo balanço apresentado em 4 de junho, 1.085.891 exames do tipo moleculares RT-PCR foram realizados, sendo 556.094 processados em laboratórios públicos e 529.797 na rede particular. Na rede pública, 74,1% são analisados em até 5 dias, de acordo com o ministério.

O levantamento inclui ainda outros 748.916 testes rápidos, que identificam se a pessoa tem anticorpos para o novo coronavírus. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. 

Nesta quarta, o Ministério da Saúde divulgou que foram realizados 860.604 testes RT-PCR na rede pública e outros 618.067, que somam 1.478.671.