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25/06/2020 18:23 -03 | Atualizado 25/06/2020 18:24 -03

Total de mortes causadas pela covid-19 se aproxima de 55 mil no Brasil

Quase 40 mil casos foram confirmados nas últimas 24 horas.

A epidemia do novo coronavírus no Brasil segue avançando, com 1.228.114 casos confirmados, de acordo com levantamento divulgado pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com dados compilados até às 18h desta quinta-feira (25). São 39.483 a mais em 24 horas.

Os óbitos, por sua vez, somam 54.971, segundo o Conass. São 1.141 a mais em relação ao balanço de quarta (24). Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais da pandemia, com 13.759 mortes, seguido pelo Rio de Janeiro (9.450), Ceará (5.875), Pará (4.748) e Pernambuco (4.488).

Na quarta (24), o Ministério da Saúde anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderá ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser incentivo a menos para aplicação de testes, forma mais precisa de diagnóstico.

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. No início de junho, o Brasil ocupava o quarto lugar no ranking mundial. Ao longo do mês, ultrapassou Itália e Rússia. 

Quanto aos diagnósticos, o Brasil é o segundo país com mais casos confirmados de contaminação, atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com cerca de 2,3 milhões de casos, segundo o controle da Johns Hopkins.

A diferença das taxas de testagem entre os dois países - 37.188 testes por milhão de habitantes nos EUA e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

Na segunda (22), o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, afirmou que a porcentagem de testes com resultado positivo no Brasil, de 31% é um indicador de subnotificação. “Nos países que aplicam grande número de testes, a porcentagem de positivos fica perto de 5%”, afirmou.

O novo coronavírus já causou mais de 483 mil óbitos no mundo. São mais de 9,4 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados nesta terça.

A evolução da pandemia no Brasil

Os gráficos epidemiológicos brasileiros nas últimas semanas assumem aos poucos a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes. Nesta quarta, o Secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia, reconheceu um “número significativo de casos novos” na última semana epidemiológica. “A gente tinha falado que parecia que a curva tenderia a certa estabilização, ou diminuição do número de casos. A gente vê que nesta semana tivemos aumento significativo de casos novos”, afirmou.

A pasta publicou portaria na última sexta (19) com orientações para retomada das atividades. O documento não inclui critérios como ocupação dos hospitais ou situação epidemiológica para decidir flexibilização do isolamento.

Reprodução
Os gráficos epidemiológicos brasileiros nas últimas semanas assumem aos poucos a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes.

Uma possível tendência de desaceleração não significa que a situação esteja sob controle, uma vez que os números continuam altos.

Relatório do InfoGripe publicado na última sexta com dados da semana de 7 a 13 de junho mostra que todas as regiões do País apresentaram números de casos e de mortes muito altos de pessoas internadas com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) confirmadas com covid-19.

Na região Norte, há sinal de possível estabilização, mas os níveis de casos são considerados muito altos. No Sudeste, foi observada oscilação. No Nordeste, também estava alta a ocorrência, mas havia manutenção da queda sustentada iniciar aa partir da segunda quinzena de maio.

No Centro-Oeste, os pesquisadores apontam tendência de crescimento com possível desaceleração em junho e ocorrência muito alta. No Sul, a ocorrência também é muito alta e se manteve a tendência de crescimento.

Nesta quarta, o diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis, Eduardo Macário, afirmou que as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste passam por uma transição de estações, com o início do inverno, que levou a um aumento de casos. De acordo com ele, a orientação é que essas regiões “redobrem sua atenção e que a poupado busque se proteger o máximo possível”.

O avanço da covid-19 no Brasil

Houve um agravamento acelerado da crise sanitária no País nos últimos meses. O marco de mais de 10 mil mortes foi atingido em 9 de maio. Em 21 de maio, o total dobrou e ultrapassou 20 mil óbitos. Em 2 de junho, as vítimas fatais da pandemia superaram o patamar de 30 mil.

A confirmação de mais de mil mortes de um dia para o outro já ocorreu 22 vezes. A primeira foi em 19 de maio, quando foram confirmados 1.170 óbitos.

A data também foi um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Superou o total de 919 mortes confirmadas de um dia para o outro no fim de março na Itália.

Na semana seguinte, em 25 de maio, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos no registro diário de mortes: 807 novos óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano incluiu 620 mortes no balanço oficial.  

Na comparação considerando a população dos países, o Brasil registrava incidência de 5.656 por milhão de habitantes, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 24 de junho. O indicador colocava o Brasil no 13º lugar no ranking mundial.

A mortalidade por milhão, por sua vez, era de 256, de modo que o Brasil ocupava 10ª posição na lista, segundo a pasta. Ao analisar os óbitos por dada da ocorrência, o recorde foi em 14 de maio, com 894.

O Brasil lidera a média semanal de novos casos de covid-19 desde maio, de acordo com dados da Agência da União Europeia para Controle e Prevenção de Doenças. De acordo com o boletim mais recente, a média brasileira é de 31,1 mil novos casos. Em seguida, estão os Estados Unidos (28,3 mil) e a Índia (13,8 mil.

A partir do 54º dia, o Brasil é o país com a maior taxa de crescimento de casos confirmados, de acordo com dados analisados pelo grupo Covid-19 Brasil, que reúne cientistas de universidades brasileiras e de centros de pesquisa como a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a Universidade Johns Hopkins (EUA).

Países como Espanha, Suíça e França experimentaram uma taxa de aceleração muito alta no início, mas agora têm um comportamento de desaceleração. Além do Brasil, os únicos países que não têm diminuído os números de casos e mortes são Irã, Índia, Rússia e Austrália.

Interiorização da pandemia no Brasil

Dados divulgados nesta quarta também reforçam evidências de interiorização da pandemia. Segundo o levantamento, 4.937 municípios (88,6%) registraram casos do novo coronavírus e 2.374 (42,6%) tiveram óbitos. Em 18 de junho, eram 4.590 municípios com casos e e 2.165 com mortes.

Das 299.693 hospitalizações por síndrome respiratória aguarda agrave (SRAG) até a semana epidemiológica 25, encerrada em 20 de junho, 128.539 (43%) foram confirmadas pra covid-19, 68.210 (22,8%) estão em investigação, 97.997 (32,7%) foram causadas por agente não especificado e o restante por outros patógenos, segundo o ministério.

Entre os internados por covid-19, 50% tinham mais de 60 anos e 57% eram homens. Quanto à raça/cor, 30,9% eram pardos, 27,7% brancos, 4,6% pretos, 1% amarelos, 0,3% indígenas e outros 35,5% registros não tinham esse informação.

No mesmo período, foram registrados 75.731 óbitos por SRAG, sendo 47.618 (62,9%) confirmados para covid-19, 3.972 (5,2%) em investigação, 3.972 (5,2%) causados por agente não especificado e o restante por outros patógenos.

O perfil das vítimas fatais da pandemia até de 71% acima de 60 anos, 59% homens e 60% tinham algum fator de risco, como cardiopatias ou diabetes. Quanto à raça/cor, 35,4% eram pardos, 24,1% brancos, 4,8% pretos, 1% amarelos, 0,4% indígenas e outros 34.3% registros não tinham esse informação.

Ministério da Saúde dificulta análise

Desde o início deste mês, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. O total de diagnósticos e de mortes também deixou de estar disponível no site covid.saude.gov.br. Foi ainda anunciada uma mudança na metodologia, ainda não aplicada. 

Até 4 de junho, o Ministério da Saúde enviava aos jornalistas, por meio de uma rede de transmissão via WhatsApp, um boletim com o total de casos e de óbitos confirmados nas últimas 24 horas, assim como o acumulado dos dois dados.

Faz mais de uma semana que o Ministério da Saúde informou que adotaria uma nova metodologia, com boletins diários de óbitos ocorridos nas últimas 24 horas e não confirmados. Na prática, ela inviabiliza uma comparação com os dados anteriores, dificultando a compreensão da evolução da pandemia no Brasil. Ela também atrapalha a comparação dos números com outros países, por adotar critérios distintos do resto do mundo. 

Há uma atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

Com a mudança de critério pelo governo federal, as “novas mortes” serão menores. Na prática, a medida também evita notícias negativas sobre recordes de óbitos diários. Integrantes do governo de Jair Bolsonaro, especialmente a ala militar, têm criticado esse tipo de cobertura jornalística.

Na mesma linha, a Secom (Secretaria de Comunicação Social) criou o “Placar da Vida”, publicado diariamente nas redes sociais da Presidência. A publicação omite as mortes e destaca o número de recuperados.

Bruno Kelly / Reuters
Secom criou o “Placar da Vida”, publicado diariamente nas redes sociais da Presidência. A publicação omite as mortes e destaca o número de recuperados.

Os integrantes do Ministério da Saúde não explicaram o motivo de adotar uma metodologia que causará esse tipo de prejuízo. Só é possível continuar comparando o total de óbitos se o ministério atualizar progressivamente as informações de mortes que tiverem a confirmação laboratorial após a data do óbito.

Em reunião ministerial com o presidente, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, disse que será feita atualização retroativa. “Quando você bota no cálculo diário você vê que é acumulado nos dias de registro. O que eu coloco como proposta é que a gente use os mesmos números, mas nos dias do óbito (…) e vai corrigindo os anteriores aí você passa a observar exatamente a curva”, afirmou.

Em 7 de junho, o ministério também deixou de enviar aos jornalistas pela rede de transmissão via WhatsApp o boletim no formato anterior. Essa transmissão só foi retomada dois dias depois, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em 12 de junho entrou no ar a nova plataforma anunciada pelo governo federal. Os óbitos estavam contabilizados por data da notificação.

Subnotificação da pandemia

Além da falta de transparência, a subnotificação também prejudica uma compreensão real do cenário da crise sanitária no País. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

Segundo balanço apresentado em 4 de junho, 1.085.891 exames do tipo moleculares RT-PCR foram realizados, sendo 556.094 processados em laboratórios públicos e 529.797 na rede particular. Na rede pública, 74,1% são analisados em até 5 dias, de acordo com o ministério.

O levantamento inclui ainda outros 748.916 testes rápidos, que identificam se a pessoa tem anticorpos para o novo coronavírus. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. 

Nesta quarta, o Ministério da Saúde divulgou que foram realizados 860.604 testes RT-PCR na rede pública e outros 618.067, que somam 1.478.671.