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25/08/2020 18:09 -03 | Atualizado 25/08/2020 18:44 -03

Brasil contabiliza 116 mil mortes por covid-19; 1.271 foram registradas nas últimas 24 horas

Na comparação que considera o tamanho da população, Brasil é 10º país com mais mortes e com mais casos.

O total de mortes causadas pela covid-19 chegou a 116.580 nesta terça-feira (25), de acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com registros compilados até 18h. Foram 1.271 óbitos notificados nas últimas 24 horas. 

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais com 28.912 registros, seguido pelo Rio de Janeiro, com 15.560, Ceará (8.339), Pernambuco (7.425) e Pará (6.078).

Quanto aos casos confirmados, o acumulado é de 3.669.995, sendo 47.134 notificados nas últimas 24 horas.

Na comparação internacional, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos no ranking mundial e é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. 

Os dois países repetem as posições também em relação ao número de diagnósticos. No território norte-americano, foram registrados mais de 5,7 milhões de casos. A diferença entre as taxas de testagem entre os dois países - mais de 30 mil testes por milhão de habitantes nos EUA e menos de 10 mil por milhão de habitantes no Brasil - é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

Ao considerar a população de cada nação, o Brasil ocupa a 10ª posição tanto em relação aos óbitos quanto aos diagnósticos, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). São com 593,82 mortes por milhão de habitantes e 16.963,68 casos por milhão de habitantes. 

O novo coronavírus já causou mais de 814 mil mortes no mundo. São cerca de 23,7 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade de Hopkins, atualizados nesta terça.

Para onde a epidemia vai no Brasil?

De acordo com o boletim InfoGripe mais recente, publicado em 21 de agosto, embora os casos Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) continuem altos, a maioria dos estados apresenta tendência de estabilidade ou de queda. O estudo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) foi feito com base nos dados de internação de 9 a 15 de agosto.

Na contramão da tendência nacional, os estados de Tocantins, Piauí, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul  e Paraná registram pelo menos com uma macrorregião com tendência de curto e/ou longo prazo com sinal de crescimento.

O relatório semanal mais recente do Imperial College London, com dados até 16 de agosto, mostrou sinais de certo arrefecimento da crise no cenário nacional. Pela primeira vez desde abril, a publicação apontou uma taxa de transmissão menor do que 1, patamar considerado determinante para frear o ritmo de transmissão do vírus.

Segundo a instituição de pesquisa britânica, a taxa de contágio foi de 0,98. Isso significa que 100 pessoas contaminadas contagiam outras 98 que, por sua vez, passam a doença para outras 96.

Na avaliação de epidemiologistas brasileiros, o número pode apontar para uma estabilidade no cenário nacional e um decréscimo lento. Devido à dimensão continental do Brasil, muitos estados ainda registro crescimento da transmissão.

Desde meados de maio, quando olhamos os dados acumulados nacionais, os gráficos epidemiológicos assumiram a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes acumulados. 

De acordo com boletim do Ministério da Saúde mais recente, divulgado na última semana, a média diária de óbitos na última semana analisada - encerrada em 15 de agosto - foi de 965, nível um pouco abaixo das semanas anteriores. É a segunda semana seguida em que esse indicador fica abaixo de mil. A primeira vez que o Brasil registrou mais de mil mortes por dia foi em 19 de maio. Desde então, o marco tem sido alcançado com frequência.

Quanto aos casos, a semana encerrada em 15 de agosto foi uma das mais graves da pandemia do novo coronavírus no Brasil. A média diária de diagnósticos foi de 43.526, patamar semelhante ao da semana anterior (43.505). Desde o meio de julho, houve um salto nesse indicador. No fim de junho, o ministério ampliou os critérios de diagnóstico.

NELSON ALMEIDA via Getty Images
Na comparação que considera o tamanho da população, Brasil é 10º país com mais mortes e com mais casos.

Diferença entre estados

O próprio boletim do Ministério da Saúde aponta diferenças na transmissão do vírus nas 5 regiões do País. Na comparação entre as duas últimas semanas epidemiológicas analisadas, na região Sul, houve crescimento de 5% de casos e de 9% de óbitos. No Sudeste, os casos aumentaram 7% e foi registrada estabilização (-3%) das mortes. Ambos os indicadores registraram estabilização (+3%) no Centro-Oeste.

No Norte, houve redução de 8% nos casos e de 16% nos óbitos. No Nordeste, a queda foi de 11% nos casos e de 8% das mortes. O cenário, contudo, também é muito diverso de um estado para o outro.

Além das diferenças regionais, houve uma inversão de comportamento ao longo do tempo, com a interiorização da epidemia. Segundo boletim do ministério, 5.508 (98,9%) dos municípios têm casos confirmados de covid-19 e 3.917 (70,3%) cidades registraram mortes causadas pela covid-19. 

Das 6.755 mortes registradas na semana encerrada em 15 de agosto, 51% foram na região metropolitana e 49% no interior, de acordo com o documento.  

Quem morre de covid-19 no Brasil

Segundo o boletim do Ministério da Saúde, em 2020 foram notificadas 576.643 hospitalizações por SRAG, sendo 295.950 (51,3%) identificadas como covid-19, 188.365 (32,7%) causadas por agente não especificado, 86.048 (14,9%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

Quanto aos óbitos por SRAG, são 152.346 contabilizados no ano, sendo 104.065 (68,3%) por covid-19, 43.908 (28,8%) causados por agente não especificado, 3.473 (2,3%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

O perfil das vítimas de covid-19 é 72,6% acima de 60 anos, 58% do sexo masculino e 62,6% com menos um fator de risco, como cardiopatia ou diabetes.

Quanto à raça/cor, 36,2% das mortes foram de pessoas identificadas como pardas, seguidas por brancas (29,3%), pretas (5,2%), amarelas (1,1%) e indígenas (0,4%). Segundo o boletim, 27,7% dos registros não tinham essa informação.

Governo monitora fluxo de medicamentos

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou um edital neste mês para convocar empresas detentoras de registro de medicamentos a fornecerem informações sobre a fabricação, importação e distribuição de anestésicos, sedativos, bloqueadores neuromusculares e agentes adjuvantes, entre outros medicamentos, usados para tratar covid-19.

Os dados são compartilhados com o Ministério da Saúde para subsidiar a tomada de ações estratégicas, de acordo com a agência. O sistema indica, por exemplo, o risco de desabastecimento.

De acordo com o ministério, havia 15 medicamentos cuja situação de abastecimento é mais crítica. A pasta informou, em coletiva de imprensa nesta terça, que semanalmente envia para as indústrias o Consumo Médio Mensal e os estoques em dias de coberturas por medicamentos por estado.

Segundo o ministério, foram tomadas 7 medidas para equalizar os estoques. Elas incluem requisição administrativa, doação, aquisições internacionais e um acordo com empresas privadas. Entre 26 de junho e 24 de agosto, requisições viabilizaram 4 milhões de unidades, de acordo com a pasta.

Subnotificação da pandemia

Em junho, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. A divulgação regular só foi retomada em 9 de junho, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

A pasta também chegou a anunciar que adotaria uma nova metodologia, com boletins diários de óbitos ocorridos nas últimas 24 horas e não confirmados. A mudança, contudo, não foi colocada em prática até agora.

Na prática, ela inviabilizava uma comparação com os dados anteriores, dificultando a compreensão da evolução da pandemia no Brasil. Ela também atrapalharia a comparação dos números com outros países, por adotar critérios distintos do resto do mundo. 

Com a mudança, as “novas mortes” seriam menores. A medida também evita notícias negativas sobre recordes de óbitos diários. Integrantes do governo de Jair Bolsonaro, especialmente a ala militar, têm criticado esse tipo de cobertura jornalística.

Há uma atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

No final de junho, o ministério anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderia ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser um incentivo a menos para aplicação de testes RT-PCR (moleculares), forma mais precisa de diagnóstico.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde, foram distribuídos 5.723.484 testes RT-PCR. Após essa etapa, também há entraves até o resultado do exame. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. Na prática, o exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

Segundo o Ministério da Saúde, 4.152.652 exames moleculares haviam sido processados até 15 de agosto. A taxa de positividade era de 36,4% nos laboratórios públicos e de 31,2% nos particulares.

De acordo com painel da pasta, 7.976.380 testes rápidos sorológicos foram entregues. Segundo o boletim, 6.100.454 testes sorológicos (rápidos e laboratoriais) foram feitos. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. Os sorológicos, se há anticorpos no organismo.