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23/05/2020 19:58 -03 | Atualizado 24/05/2020 15:34 -03

Após pior semana da pandemia, Brasil acumula 22.013 mortes confirmadas por covid-19

País é epicentro da crise sanitária na América do Sul e segundo lugar no ranking mundial de diagnósticos.

Um dia após chegar à posição de segundo país com mais casos confirmados de covid-19, o Brasil contabilizou mais 16.508 registros, somando a 347.398 infectados, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde neste sábado (23).

O total de mortes é de 22.013, o que representa 965 a mais do que no balanço desta sexta-feira (22). Entre os óbitos confirmados em 24 horas, 515 ocorreram nos últimos 3 dias. 

Nesta sexta, com o recorde de 20.803 casos confirmados de um dia para o outro, o Brasil alcançou 330.890 diagnósticos e ultrapassou a Rússia, que acumulava 326 mil casos positivos para novo coronavírus.

Na comparação com informações mais recentes, a Rússia está com 335 mil. O Brasil só está atrás dos Estados Unidos, com 1,6 milhão de infectados, de acordo com dados do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins.

No Brasil, o maior número de diagnósticos positivos está no estado de São Paulo, com 80 mil casos e 6.045 mortes, de acordo com dados deste sábado. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 3.905 mortes, Ceará (2.308), Pernambuco (2.144), Pará (2.001) e Amazonas (1.744).

A América do Sul se tornou o novo epicentro da pandemia, com o Brasil na liderança desse cenário, de acordo com anúncio feito pela OMS (Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta. “Vimos muitos países sul-americanos com aumento do número de casos, e claramente há preocupação em muitos desses países, mas certamente o mais afetado é o Brasil neste momento”, afirmou Michael Ryan, diretor-executivo da organização.

Na terça-feira (19), o País superou a marca de mais de mil mortes confirmadas de um dia para o outro: 1.170. O número também é um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Supera o total de 919 mortes confirmadas em 24 horas no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

Dois dias depois, na quinta-feira (21), foi registrado o recorde de confirmações de vítimas da doença em um intervalo de 24 horas: 1.188.

Os dados reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Desde 5 de maio, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro passou para um patamar acima de 600. 

Segundo o mapeamento da Johns Hopkins, foram confirmados cerca de 5,2 milhões de casos da covid-19 no mundo inteiro e mais de 340 mil mortes, de acordo com dados atualizados nesta quinta. O Brasil está em 6º no total de óbitos.

Nesta quinta, o secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, alertou sobre a gravidade do momento atual. “Dia após dia, tem cada vez mais casos, óbitos sendo confirmados por coronavírus. Isso dá dimensão do verdadeiro número de casos que têm sido identificados no Brasil de forma ascendente”, disse.

O secretário destacou diferenças regionais e fez um alerta sobre o período atual, devido à circulação de outros vírus respiratórios. “Estamos agora no momento de maior pressão em relação ao número de casos [de covid-19] e doenças respiratórias como um todo nessas regiões Norte e Nordeste. No Sul e Sudeste, com exceção de São Paulo, agora que está evoluindo o número de casos de doenças respiratórias”, afirmou. 

Apresentação do ministério divulgada nesta quinta com dados de outros países, contudo, elencou dados para minimizar o cenário da pandemia. De acordo com o documento, o Brasil ocupa 55° lugar em relação à incidência e 28º de mortalidade, ambos indicadores considerando países com mais de 1 milhão de habitantes. 

Infectologistas e epidemiologistas recomendam o confinamento das pessoas em casa e o distanciamento social, nas atividades essenciais nas ruas e ambientes internos, como formas de conter a transmissão do coronavírus. O isolamento social pode achatar a curva de contaminação — que está em acelerada alta no País neste momento. 

ASSOCIATED PRESS
Atrás apenas dos Estados Unidos, Brasil é segundo país com mais casos confirmados do novo coronavírus.

Dois terços dos municípios atingidos pela pandemia

Desde 23 de abril, o número de mortes confirmadas em 24 horas subiu do patamar acima de 400 em diversos boletins. Naquele dia, foi registrado o recorde de 407 óbitos confirmados de um dia para o outro. Em 5 de maio, o patamar subiu para 600 óbitos confirmados em 24 horas. Em 12 de maio, outro marco foi atingido: 881.

Segundo dados divulgados pelo ministério nesta quinta, 3.488 (62,6%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.354 (24,3%) com óbitos confirmaram óbitos causados pela doença. Em 20 de abril, eram 1.426 cidades afetadas e, em 28 de março, apenas 297.

Neste ano, foram registradas 155.430 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave) até as 10h desta quinta. Desse total, 46.438 foram confirmados para covid-19, 50.589 estão em investigação e o restante são infecções por outros vírus respiratórios, como influenza, ou patógenos não identificados.

De todas internações de SRAG neste período, 31.509 evoluíram para óbito. Desse grupo, 15.773 foram causadas pelo novo coronavírus  e outras 3.534 estão em investigação. 

Das vítimas fatais da pandemia contabilizadas até as 10h desta quinta no SIVEPGripe, 174 (20%) dos 857 registros feitos nas últimas 24h são de mortes que ocorreram nos últimos três dias. O recorde de óbitos registrados em um único dia até agora foi de 480 em 5 de maio. Essas informações são constantemente atualizadas devido à demora na alimentação dos sistemas de informação. O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia.

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

Segundo o documento, foram distribuídos 3.087.184 de testes RT-PCR para laboratórios estaduais. Há 585.307 exames solicitados, dos quais 423.438 (72%) foram processados. Outros 2.663.746 de unidades estão em estoque, para ainda serem aplicados.

O represamento de resultados chegou ao ponto de haver 93 mil testes que aguardavam análise nos laboratórios públicos estaduais no início do mês. Já as grandes redes privadas tinham mais de 100 mil exames que ainda não haviam sido incluídos no sistema do ministério também em maio.

De acordo com a pasta, todas as análises de mortalidade são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta. Além do SIM, o ministério usa o SIVEPGripe para coletar informações sobre óbitos.