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21/05/2020 19:46 -03

Em novo recorde, Brasil registra mais de mil mortes em 24h pela 2ª vez na semana

Foram 1.188 mortes por covid-19 confirmadas de quarta para esta quinta; óbitos somam 20.047.

País com maior número de mortes registrados por dia na última semana, o Brasil segue na trajetória de avanço da covid-19. Os números da pandemia chegaram a 20.047 mortes nesta quinta-feira (21), de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde. São 1.188 a mais do que o total registrado no balanço do dia anterior, um novo recorde diário.

Com 18.508 casos confirmados nas últimas 24 horas, o total de diagnósticos chega a 310.087 Na segunda-feira (18), o País alcançou o posto de terceiro na comparação com outras nações em relação ao número de diagnósticos positivos para novo coronavírus.

O maior número de diagnósticos positivos no balanço mais recente está no estado de São Paulo, com 73 mil casos e 5.558 mortes. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 3.412 mortes, Ceará (2.161), Pernambuco (1.925), Pará (1.852) e Amazonas (1.620).

Na terça-feira (19), havia sido registrado o recorde de confirmações de vítimas fatais da doença de um dia para o outro no Brasil: 1.179. O número também é um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Supera o total de 919 mortes confirmadas em 24 horas no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia.

Os dados reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Desde 5 de maio, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro passou para um patamar acima de 600. 

Segundo o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, foram confirmados 5 milhões de casos da covid-19 no mundo inteiro e mais de 331 mil mortes, de acordo com dados atualizados nesta quinta. O Brasil está em 6º no total de óbitos.

Nesta quinta, o secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, alertou sobre a gravidade do momento atual. “Dia após dia, tem cada vez mais casos, óbitos sendo confirmados por coronavírus. Isso dá dimensão do verdadeiro número de casos que tem sido identificados no Brasil de forma ascendente”, disse.

O secretário destacou diferenças regionais e fez um alerta sobre o período atual, devido à circulação de outros vírus respiratórios. “Estamos agora no momento de maior pressão em relação ao número de casos [de covid-19] e doenças respiratórias como um todo nessas regiões Norte e Nordeste. No Sul e Sudeste, com exceção de São Paulo, agora que está evoluindo o número de casos de doenças respiratórias”, afirmou. 

Apresentação do ministério divulgada nesta quinta com dados de outros países, contudo, elencou dados para minimizar o cenário da pandemia. De acordo com o documento, o Brasil ocupa 55° lugar em relação à incidência e 28º de mortalidade, ambos indicadores considerando países com mais de 1 milhão de habitantes. 

Os 10 estados mais afetados

De acordo com boletim epidemiológico especial nº 16, publicado nesta quinta pelo ministério, os 10 estados mais afetados são: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

Dentre as regiões de saúde com os maiores coeficientes de incidência, as 3 primeiras localizaram-se no Amazonas: Rio Negro e Solimões (8.263 por milhão de habitantes), Alto Solimões (7.194 por milhão de habitantes) e Triângulo (6.721 por milhão de habitantes). Logo após, apareceram Fortaleza (5.651 por milhão de habitantes), no Ceará e a área central do Amapá (5.138 por milhão de habitantes).

Com relação ao coeficiente de mortalidade, a situação é mais crítica na região de Fortaleza (423 por milhão de habitantes); Manaus, Entorno e Alto Rio Negro, no Amazonas (405 por milhão de habitantes); Rio Negro e Solimões (376 por milhão de habitantes); Metropolitana I, no Pará (357 por milhão de habitantes) e Alto Solimões (357 por milhão de habitantes). 

Segundo dados divulgados pelo ministério nesta quinta, 3.488 (62,6%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.354 (24,3%) com óbitos confirmaram óbitos causados pela doença. Em 20 de abril, eram 1.426 cidades afetadas e, em 28 de março, apenas 297.

Neste ano, foram registradas 155.430 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave) até as 10h desta quinta. Desse total, 46.438 foram confirmados para covid-19, 50.589 estão em investigação e o restante são infecções por outros vírus respiratórios, como influenza, ou patógenos não identificados.

De todas internações de SRAG neste período, 31.509 evoluíram para óbito. Desse grupo, 15.773 foram causadas pelo novo coronavírus  e outras 3.534 estão em investigação. 

Das vítimas fatais da pandemia contabilizadas até as 10h desta quinta no SIVEPGripe, 174 (20%) dos 857 registros feitos nas últimas 24h são de mortes que ocorreram nos últimos três dias. O recorde de óbitos registrados em um único dia até agora foi de 480 em 5 de maio. Essas informações são constantemente atualizadas devido à demora na alimentação dos sistemas de informação. 

Perfil das mortes por covid-19

De acordo com boletim epidemiológico especial nº 16, até 16 de maio, foram registradas 139.622 hospitalizações por SRAG, um incremento de mais de 637% em 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Desse grupo, 39.064 foram confirmados para covid-19 (28%), 47.873 estão em investigação e outros são infecções causadas por outros vírus respiratórios. 

Dessas internações, 51,4% ocorreram entre pessoas de raça/cor branca, seguido da raça/cor parda (39,7%) e preta (7,0%). Dentre esses casos, 14.698 tiveram a variável raça/cor ignorada e não foram incluídas na análise.

Entre os óbitos com dados classificados pela pasta até o momento, 69,3% tinham mais de 60 anos e 64% apresentavam pelo menos um fator de risco. A cardiopatia foi a principal comorbidade associada e esteve presente em 5.236 dos óbitos, seguida de diabetes (em 4.035 óbitos), doença renal (917), doença neurológica (851) e pneumopatia (784). Em todos os grupos de risco, a maioria dos indivíduos tinha 60 anos ou mais, exceto para obesidade.

Observou-se que 43,1% dessas mortes ocorreram entre pessoas de raça/cor branca, seguido da raça/cor parda (47,3%) e preta (7,5%). Há lacunas nos dados, uma vez que 4.425 registro tiveram a variável raça/cor ignorada e não foram incluídas na análise.

ASSOCIATED PRESS
Brasil é País com maior número de mortes registrados por dia na última semana.

Escalada da pandemia no Brasil 

Desde 23 de abril, o número de mortes confirmadas em 24 horas subiu do patamar acima de 400 em diversos boletins. Naquele dia, foi registrado o recorde de 407 óbitos confirmados de um dia para o outro. Em 5 de maio, o patamar subiu para 600 óbitos confirmados em 24 horas. Em 12 de maio, outro marco foi atingido: 881.

De acordo com boletim epidemiológico especial nº 16, entre os 117.598 casos confirmados no período de 16 de fevereiro a 9 de maio, houve predomínio do sexo feminino (52%) nas faixas etárias entre 30 a 39 anos e 40 a 49 anos.

Nesse período, 16.362 (13,9%) evoluíram para cura, 8.988 (7,6%) foram orientados para tratamento domiciliar, 1.316 (1,1%) foram encaminhados para internação hospitalar e 2.147 (1,8%) evoluíram ao óbito.

A mediana (valor central) entre o início dos sintomas e o óbito é de 11 dias. Já metade dos confirmados tiveram uma mediana de 7 dias entre o início dos sintomas até a procura por atendimento.

Infectologistas e epidemiologistas recomendam o confinamento das pessoas em casa e o distanciamento social, nas atividades essenciais nas ruas e ambientes internos, como formas de conter a transmissão do coronavírus. O isolamento social pode achatar a curva de contaminação — que está em acelerada alta no País neste momento. 

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

De acordo com boletim epidemiológico especial nº 16, entre os 117.598 casos confirmados no período de 16 de fevereiro a 9 de maio, 115.948 (98,6%) foram classificados por critério laboratorial, por meio de teste molecular (RT-PCR) ou Teste Rápido (TR) para detecção do antígeno ou do anticorpo viral e 1.650 (1,4%) classificados por critério clínico-epidemiológico.

O próprio Ministério da Saúde reconhece que resultados reportados como negativos não excluem a possibilidade de infecção. “Vários fatores podem contribuir para um resultado negativo em um indivíduo infectado como: má qualidade da amostra, amostra biológica colhida cedo ou tardiamente, amostra enviada ao laboratório inadequadamente, mutações no genoma viral ou inibição das reações de transcrição-reversa”, diz o documento. 

Segundo o documento, foram distribuídos 3.087.184 de testes RT-PCR para laboratórios estaduais. Há 585.307 exames solicitados, dos quais 423.438 (72%) foram processados. Outros 2.663.746 de unidades estão em estoque, para ainda serem aplicados.

De acordo com o levantamento, há 121.920 registros de exames com o status de “não realizado” e, destes, apenas 22.316 amostras apresentam registro do motivo/justificativa sobre a inconformidade. Nesse último grupo, a maioria dos motivos são problemas antes da análise do matéria, como na etapa de  cadastro, por exemplo.

Segundo a pasta, houve um esforço para ampliação da oferta de diagnóstico laboratorial e cerca de 75% dos resultados são liberados em até 5 dias. Em 6 de maio, os laboratórios conseguiam processar 10 mil exames por dia.

O represamento de resultados chegou ao ponto de haver 93 mil testes que aguardavam análise nos laboratórios públicos estaduais no início do mês. Já as grandes redes privadas tinham mais de 100 mil exames que ainda não haviam sido incluídos no sistema do ministério também em maio.

Como o número de 423.438 testes feitos até agora é relativo apenas a laboratórios estaduais, o ministério planeja editar uma portaria para tonar obrigatória a notificação dos laboratórios público, privados, instituições de pesquisa entre outras e farmácias, segundo Eduardo Macário.

Mortes confirmadas x mortes no dia

O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia. Segundo o boletim epidemiológico especial nº 16, dos 16.118 óbitos confirmados até o dia 18 de maio, 12.802 (79,4%) tinham investigação concluída e 188 ocorreram entre os dias 15 a 17 de maio.

De acordo com a pasta, todas as análises de mortalidade são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta. Além do SIM, o ministério usa o SIVEPGripe para coletar informações sobre óbitos. 

A pasta informou ter orientado todos os municípios a priorizar a digitação de declarações de óbito de casos suspeitos ou confirmados de covid-19 no SIM, em até 48 horas a partir da data do óbito, e que o envio de lotes ocorra com periodicidade semanal.

Segundo o ministério, ainda é precipitado fazer uma avaliação mais detalhada sobre o excesso de mortalidade em 2020 em relação aos anos anteriores quando observadas diferentes bases de dados, como a dos cartórios, devido aos prazos legais de alimentação dos sistemas.