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20/05/2020 19:12 -03 | Atualizado 20/05/2020 19:19 -03

Casos confirmados de covid-19 em 24h batem recorde; em apenas 20 dias, foram 200 mil infectados

Brasil iniciou maio com 91.589 diagnósticos positivos para o novo coronavírus. Nesta quarta-feira (20), alcançou a marca de 291.579 casos de covid-19.

Nestes 20 dias de maio o número de infectados pela covid-19 no Brasil cresceu em 200 mil. Com um novo recorde registrado nas últimas 24 horas, de 19.951 novos casos, o total foi de 91.589 em 1º de maio para 291.579 nesta quarta-feira (20), segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde às 19h. Na segunda (18), o País alcançou o posto de terceiro na comparação com outras nações em relação ao número de diagnósticos positivos para novo coronavírus.

O número de mortes chegou a 18.859 nesta quarta. Em relação ao balanço divulgado na terça (19), foram 888 novos óbitos confirmados. Na terça (19), foi registrado o recorde de confirmações de vítimas fatais da doença de um dia para o outro no Brasil: 1.179. O número também é um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Supera o total de 919 mortes confirmadas em 24 horas no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia.

Os dados reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Desde 5 de maio, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro passou para um patamar acima de 600. O recorde anterior era de 881 mortes em 24 horas, no boletim divulgado na terça passada.

O maior número de diagnósticos positivos no balanço mais recente está no estado de São Paulo, com 69 mil casos e 5.363 mortes. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 3.237 mortes, Ceará (1.900), Pernambuco (1.834), Pará (1.633) e Amazonas (1.561).

Segundo o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, foram confirmados 4,9 milhões de casos da covid-19 no mundo inteiro e mais de 326 mil mortes, de acordo com dados atualizados nesta quarta. O Brasil está em 6º no total de óbitos.

Nesta segunda, o secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, reconheceu que o “aumento [de casos] é visível em todo o território nacional”.

Apresentação do ministério com dados de outros países, contudo, elencou dados para minimizar o cenário da pandemia. De acordo com o documento, o Brasil ocupa 38° lugar em relação à incidência e 18º de mortalidade, ambos indicadores considerando países com mais de 1 milhão de habitantes. 

Segundo boletim epidemiológico divulgado pela pasta nesta segunda, até 17 de maio, 3.270 (58,7%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.220 (21,9%) das cidades confirmaram óbitos causados pela doença.

Neste ano foram registradas 139.622 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave). Desse grupo, 39.064 foram confirmados para covid-19, 47.873 estão em investigação e outros são infecções causadas por outros vírus respiratórios. 

ASSOCIATED PRESS
Na terça, foi registrado o recorde de confirmações de vítimas fatais da doença de um dia para o outro no Brasil: 1.179. 

Escalada da pandemia no Brasil 

Desde 23 de abril, o número de mortes confirmadas em 24 horas subiu do patamar acima de 400 em diversos boletins. Naquele dia, foi registrado o recorde de 407 óbitos confirmados de um dia para o outro. Em 28 de abril, foram 474 mortes confirmadas em 24 horas. Em 5 de maio, o patamar subiu para 600 óbitos confirmados em 24 horas em 5 de maio e 615 no dia seguinte.

O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia. Segundo dados desta terça, do recorde de 1.179 mortes confirmadas em 24 horas, 225 ocorreram nos últimos 3 dias.

De acordo com a pasta, todas as análises de mortalidade são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta. Além do SIM, o ministério usa o SIVEPGripe para coletar informações sobre óbitos. 

Infectologistas e epidemiologistas recomendam o confinamento das pessoas em casa e o distanciamento social, nas atividades essenciais nas ruas e ambientes internos, como formas de conter a transmissão do coronavírus. O isolamento social pode achatar a curva de contaminação — que está em acelerada alta no País neste momento.

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

O represamento de resultados chegou ao ponto de haver 93 mil testes que aguardavam análise nos laboratórios públicos estaduais no início do mês. Já as grandes redes privadas tinham mais de 100 mil exames que ainda não haviam sido incluídos no sistema do ministério também em maio.

Leitos de UTI

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde nesta quarta, nesta semana foram habilitados 2.352 leitos de UTI voltados exclusivamente para pacientes graves ou gravíssimos do coronavírus em 13 estados, o que representou um gasto de R$ 334,6 milhões.

Desde o início da pandemia, foram disponibilizados 6.142 leitos de UTI, sendo 225 deles de UTI pediátrica. O custeio desses leitos pelos próximos 3 meses equivale a R$ 882,3 milhões.