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20/07/2020 18:10 -03

Brasil ultrapassa 80 mil mortes por covid-19; número dobrou em 39 dias

Média diária de casos e de óbitos por semana permanece estável e alta desde a semana encerrada em 30 de maio.

A pandemia do novo coronavírus alcançou um novo marco no Brasil nesta segunda-feira (20). O total de mortes causadas pela covid-19 é de 80.120, de acordo com levantamento divulgado pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com dados compilados até às 18h. São 632 a mais em relação ao balanço de domingo.

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais, com 19.788 óbitos, seguido pelo Rio de Janeiro (12.161), Ceará (7.185), Pernambuco (6.036) e Pará (5.538).

O total de mortes nos registros oficiais dobrou em 39 dias. A marca dos 40 mil óbitos foi atingida em 11 de junho. Os gráficos epidemiológicos brasileiros nas últimas semanas assumem a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes.

A média diária de casos e de óbitos por semana permanece estável e alta desde a 22ª semana epidemiológica, encerrada em 30 de maio. Na semana epidemiológica 27, encerrada em 4 de junho, o indicador foi de 1.028. Na semana seguinte, passou para 1.029.

Pela primeira vez, houve queda nos casos registrados por semana, ao comparar os dois últimos períodos com dados disponíveis. Na semana 27, foram 37.620 e na semana 28, foram 37.549, de acordo com boletim divulgado pelo Ministério da Saúde na última semana.

Os casos confirmados somam 2.118.646, segundo o boletim do Conass dessa segunda. São 20.257 notificados nas últimas 24 horas.

Mortes por covid-19 no Brasil

9 de maio: 10 mil mortos

21 de maio: 20 mil mortos

2 de junho: 30 mil mortos

11 de junho: 40 mil mortos

21 de junho: 50 mil mortos

1º de julho: 60 mil mortos

10 de julho: 70 mil mortos

Ao analisar o ranking mundial, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos e é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. 

Os dois países repetem as posições também em relação aos diagnósticos. Em território americano, foram registrados 3,1 milhões de casos. A diferença das taxas de testagem entre os dois países - 37.188 testes por milhão de habitantes nos EUA e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - por sua vez, é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

O novo coronavírus já causou mais de 608 mil óbitos no mundo. São cerca de 14,6 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados nesta segunda.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde divulgado na última semana, a incidência da doença é de 9.359 por milhão de habitantes no Brasil e a mortalidade é de 359 por milhão. Dessa forma, o País está na 10ª e 11ª posição, respectivamente, em comparação com outras nações.

Epidemia se agrava no Sul e Centro-Oeste

Na comparação entre as duas últimas semanas epidemiológicas - encerradas em 4 de julho e 11 de julho, respectivamente - na região Sul, os casos aumentaram 8% e os óbitos, 36%. No Centro-Oeste, o crescimento de diagnósticos foi de 6% e de mortes, de 26%.

No Sudeste, os casos aumentaram 7% no período e os óbitos subiram 3%. Na região Norte, houve redução de 20% dos óbitos e 9% de casos no período. No Nordeste, foi registrada queda de 8% dos casos confirmados de uma semana para outra e de 4% nas mortes. 

Persiste a interiorização da pandemia no Brasil. Segundo a pasta, até 11 de julho, 5.428 (97,4%) dos municípios registraram casos do novo coronavírus e 3.056 (55%) tiveram óbitos. Em 18 de junho, eram 4.590 municípios com casos e 2.165 com mortes.

Bruno Kelly / Reuters
De todos municípios brasileiros, 5.428 (97,4%) registraram casos do novo coronavírus e 3.056 (55%) tiveram óbitos.

De acordo com o Ministério da Saúde, até 11 de julho, foram registradas 404.037 hospitalizações por SRAG. Desse total, 191.466 (47,4%) foram diagnosticadas como covid-19, 129.896 (32,2%) não têm causa especificada, 77.348 (19,1%) estão em investigação e o restante foi causada por outros vírus respiratórios.

Do total de internados por SRAG, 50,4% eram pessoas acima de 60 anos, 57% do sexo masculino. Quanto à raça/cor, 31,3% era parda, 28,4% branca, 4,6% preta, 1% amarela, 0,3% indígenas e 34,3% dos registos não tinham essa informação.

Quanto aos óbitos por SRAG, foram 105.129 em 2020, sendo 68.842 (65,5%) confirmados como covid-19, 31.544 (30,0%) não têm causa especificada,4.011 (3,8%) estão em investigação e o restante foi causada por outros vírus respiratórios.

O perfil de vítimas fatais da pandemia é de 71,8% acima de 60 anos, 58% masculino e 61% com ao menos um fator de risco. Quanto à raça/cor, 35,3% era parda, 25,2% branca, 4,9% preta, 1,1% amarela, 0,4% indígenas e 33,1% dos registos não tinham essa informação.

Flexibilização aumenta transmissão

Estados que flexibilizaram o isolamento social em junho já enfrentam um aumento de casos ou de óbitos por covid-19. Na contramão do que dizem os pesquisadores e sanitaristas, o Ministério da Saúde evita relacionar os fatos. 

A pasta publicou em junho uma portaria com orientações para retomada das atividades. O documento não inclui critérios como ocupação dos hospitais ou situação epidemiológica para decidir flexibilização do isolamento, nem segue orientações da OMS.

Um estudo feito por pesquisadores da Rede CoVida - Ciência, Informação e Solidariedade identificou que houve diminuição da taxa de transmissão maior nos estados que não flexibilizaram o isolamento. De acordo com a pesquisa, os melhores resultados foram observados onde houve adoção do lockdown.

Mais gente ficou em casa nos estados cujas ações governamentais foram mais restritivas, como Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão e Mato Grosso.  

Subnotificação da pandemia

Em junho, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. A divulgação regular só foi retomada em 9 de junho, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

A pasta também chegou a anunciar que adotaria uma nova metodologia, com boletins diários de óbitos ocorridos nas últimas 24 horas e não confirmados. A mudança, contudo, não foi colocada em prática até agora.

Na prática, ela inviabilizava uma comparação com os dados anteriores, dificultando a compreensão da evolução da pandemia no Brasil. Ela também atrapalharia a comparação dos números com outros países, por adotar critérios distintos do resto do mundo. 

Com a mudança, as “novas mortes” seriam menores. Na prática, a medida também evita notícias negativas sobre recordes de óbitos diários. Integrantes do governo de Jair Bolsonaro, especialmente a ala militar, têm criticado esse tipo de cobertura jornalística.

Há uma atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

Até o momento, 14 de maio foi o dia com maior mortes ocorridas, com 1.009 registros, segundo boletim mais recente do Ministério da Saúde.

No final de junho, o ministério anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderia ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser um incentivo a menos para aplicação de testes RT-PCR (moleculares), forma mais precisa de diagnóstico.

De acordo com painel do próprio ministério, foram distribuídos 4.887.188 testes RT-PCR. Após essa etapa, também há entraves até o resultado do exame. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. Na prática, o exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

Segundo balanço apresentado na última semana, 2.223.803 exames do tipo moleculares RT-PCR foram realizados, sendo 1.278.201 processados em laboratórios públicos e 945.602 na rede particular. Desses testes, 745.228 tiveram resultados positivos, sendo 477.914 (37,3%) públicos e 267.314 (28,2%) particulares.

Foram feitos outros 2.920.335 exames sorológicos, segundo a pasta. Dessa forma, o total de testes aplicados é de 5.144.138. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. Os sorológicos, se há anticorpos. Segundo o painel do ministério, até 15 de junho, 7,5 milhões de teses rápidos sorológicos foram distribuídos.