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19/05/2020 19:37 -03 | Atualizado 19/05/2020 19:46 -03

Com novo recorde de 1.179 confirmações em 24h, mortes por covid-19 chegam a 17.971

Brasil supera Itália no total de mortes confirmadas em 24 horas.

O número de mortes causadas pela covid-19 no Brasil chegou a 17.971, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde às 19h desta terça-feira (19). Em relação ao balanço divulgado na segunda-feira (18), foram 1.179 novos óbitos confirmados, um novo recorde.

O número também é um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Supera o total de 919 mortes confirmadas em 24 horas no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia.

Nas últimas 24 horas, foram registrados 17.408 novos casos, também maior crescimento do indicador até agora. Ao todo, 271.628 pessoas foram infectadas no Brasil. Nesta segunda, o País alcançou o posto de terceiro na comparação com outras nações em relação ao número de diagnósticos positivos para novo coronavírus.

Os dados reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Desde 5 de maio, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro passou para um patamar acima de 600. O recorde anterior era de 881 mortes em 24 horas, no boletim divulgado na terça passada.

O maior número de diagnósticos positivos no balanço mais recente está no estado de São Paulo, com 65 mil casos e 5.147 mortes. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 3.079 mortes, Ceará (1.856), Pernambuco (1.741) e Pará (1.519). 

Segundo o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, foram confirmados 4,9 milhões de casos da covid-19 no mundo inteiro e mais de 322 mil mortes, de acordo com dados atualizados nesta segunda. O Brasil está em 6º no total de óbitos.

Nesta segunda, o secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, reconheceu que o “aumento [de casos] é visível em todo o território nacional”.

Apresentação do ministério com dados de outros países, contudo, elencou dados para minimizar o cenário da pandemia. De acordo com o documento, o Brasil ocupa 38° lugar em relação à incidência e 18º de mortalidade, ambos indicadores considerando países com mais de 1 milhão de habitantes. 

Segundo boletim epidemiológico divulgado pela pasta nesta segunda, até 17 de maio, 3.270 (58,7%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.220 (21,9%) das cidades confirmaram óbitos causados pela doença.

Neste ano foram registradas 139.622 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave). Desse grupo, 39.064 foram confirmados para covid-19, 47.873 estão em investigação e outros são infecções causadas por outros vírus respiratórios. 

ASSOCIATED PRESS
Nesta segunda, Brasil alcançou o posto de terceiro na comparação com outras nações em relação ao número de diagnósticos positivos para novo coronavírus.

Escalada da pandemia no Brasil 

Desde 23 de abril, o número de mortes confirmadas em 24 horas subiu do patamar acima de 400 em diversos boletins. Naquele dia, foi registrado o recorde de 407 óbitos confirmados de um dia para o outro. Em 28 de abril, foram 474 mortes confirmadas em 24 horas. 

Em 5 de maio, o patamar subiu para 600 óbitos confirmados em 24 horas em 5 de maio e 615 no dia seguinte. O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia.

Segundo dados desta segunda, 230 registros de óbitos foram atualizados nas últimas 24 horas, sendo 82% (188) ocorridos nos últimos 3 dias.

De acordo com a pasta, todas as análises de mortalidade são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta. Além do SIM, o ministério usa o SIVEPGripe para coletar informações sobre óbitos. 

Infectologistas e epidemiologistas recomendam o confinamento das pessoas em casa e o distanciamento social, nas atividades essenciais nas ruas e ambientes internos, como formas de conter a transmissão do coronavírus. O isolamento social pode achatar a curva de contaminação — que está em acelerada alta no País neste momento.

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

O represamento de resultados chegou ao ponto de haver 93 mil testes que aguardavam análise nos laboratórios públicos estaduais no início do mês. Já as grandes redes privadas tinham mais de 100 mil exames que ainda não haviam sido incluídos no sistema do ministério também em maio.