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18/06/2020 18:11 -03 | Atualizado 18/06/2020 19:20 -03

Mortes por covid-19 chegam a 47.748; são 978.142 casos confirmados

É a 15ª vez que mais de mil mortes são confirmadas em 24h; gráficos assumem forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes.

Os números da pandemia do novo coronavírus seguem altos no Brasil. O total de mortes causadas pela covid-19 chegou a 47.748 nesta quinta-feira (18), de acordo com levantamento divulgado pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com dados compilados até às 18h. São 1.238 confirmações de mortes a mais em 24 horas.

Em relação à contaminação, são 978.142 casos confirmados, 22.765 a mais de um dia para o outro. Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de óbitos, com 11.846 registros, seguido pelo Rio de Janeiro (8.412), Ceará (5.377), Pará (4.395) e Pernambuco (4.057). 

Na última semana, o Brasil ultrapassou o Reino Unido e se tornou o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins.

No início do mês, o Brasil ocupava o quarto lugar no ranking mundial. Em 4 de junho, se tornou o terceiro após superar a Itália, que foi um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

Quanto aos diagnósticos na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais casos confirmados de contaminação, atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com cerca de 2,2 milhões de casos, segundo o controle da Johns Hopkins.

A diferença das taxas de testagem dos dois países - 37.188 testes por milhão de habitantes nos EUA e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

O novo coronavírus já causou mais de 450 mil óbitos no mundo. São mais de 8,4 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados nesta quinta.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, afirmou em coletiva de imprensa nesta quinta que será editada uma portaria sobre a flexibilização do isolamento social. O documento ainda não foi publicado.

De acordo com o militar, a portaria “versa sobre orientações gerais visando a prevenção, o controle e mitigação da transmissão da covid-19 e a promoção da saúde física e mental da população brasileira de forma a contribuir coma as ações para retomada segura das atividades e o convívio social seguro. São regras gerais que orientada essa retomadas das atividades de uma maneira segura”.

Questionado sobre o conteúdo da portaria, Franco disse que são orientações amplas para “orientar qualquer atividade”, desde o convívio em espaços privados, como condomínios, ou públicos. Ele citou como exemplo uso de máscara e álcool em gel, limites de lotação máxima em transporte público, limpeza de ar condicionado e permitir a circulação de ar nos ambientes, com janelas abertas.

“São medidas não farmacológicas como distanciamento social, etiqueta respiratória, higienização das mãos, uso de máscara, limpeza e desinfeção de ambientes e isolamento domiciliar de casos suspeitos e confirmados que devem ser utilizados de forma integrada a fim de prevenir o adoecimento e controlar a transmissão da covid-19 permitindo também a retomada gradual das atividades desenvolvidas pelos vários setores e o retorno seguro do convívio social”, disse o secretário.

De acordo com Franco, o documento “está sendo assinado hoje” e será publicado no Diário Oficial até esta sexta-feira (19). Ele afirmou que as orientações “foram trabalhadas” com os secretários de saúde estaduais e municipais e que são apenas orientações, ou seja, os gestores locais têm autonomia para decidir de forma distinta.

Os integrantes do ministério não esclareceram se os gestores deverão usar indicadores como evolução epidemiológica e ocupação do sistema de saude para decidir sobre flexibilizações.

De acordo com balanço divulgado nesta quinta pelo ministério, entre 1º de maio e 18 de junho, a pasta comprou e distribuiu 4.435 ventiladores pulmonares, sendo 2.510 de UTI (unidade de tratamento intensivo) e 1.925 de transporte. Foram repassados R$ 49,4 bilhões a estados e municípios, sendo R$ 9,6 bilhões para pandemia, segundo a pasta.

Platô em vez de pico: A evolução da pandemia no Brasil

Os gráficos epidemiológicos brasileiros nas últimas semanas assumem aos poucos a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes. Ao analisar a média semanal de óbitos - que desconta atrasos de notificação dos finais de semana -, é possível observar que desde a semana de 26 de maio o País está em um patamar médio de 985 vítimas por dia, sem oscilar mais que 6% desse valor.

Secretarias estaduais de saúde
Os gráficos epidemiológicos brasileiros nas últimas semanas assumem aos poucos a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes.

Isso não significa que a situação esteja sob controle. Nesta terça, a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), braço da OMS (Organização Mundial da Saúde) nas Américas, alertou que a epidemia ainda não atingiu o pico de casos na América Latina. A organização esclareceu que a fase atual não representa uma segunda onda da covid-19, pois a primeira nem sequer foi superada. 

Enquanto todos os países mostraram desaceleração a partir do 50º dia após o início da contaminação, nós seguimos na direção contrária. A partir do 54º dia, o Brasil era o país com a maior taxa de crescimento de casos confirmados, de acordo com dados analisados pelo grupo Covid-19 Brasil. A iniciativa reúne cientistas de universidades brasileiras e de centros de pesquisa como a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Houve um agravamento acelerado da crise sanitária no País nos últimos meses. O marco de mais de 10 mil mortes foi atingido em 9 de maio. Em 21 de maio, o total dobrou e ultrapassou 20 mil óbitos. Em 2 de junho, as vítimas fatais da pandemia superaram o patamar de 30 mil.

A confirmação de mais de mil mortes de um dia para o outro já ocorreu 15 vezes. A primeira foi em 19 de maio, quando foram confirmados 1.170 óbitos.

A data também foi um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Superou o total de 919 mortes confirmadas de um dia para o outro no fim de março na Itália.

Na semana seguinte, em 25 de maio, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos no registro diário de mortes: 807 novos óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano incluiu 620 mortes no balanço oficial.  

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta quinta, são  4.655 casos por milhão de habitantes no País e 227 óbitos por milhão de habitantes. Ao analisar os óbitos por dada da ocorrência, o recorde foi em 14 de maio, com 822.

Boletim epidemiológico divulgado nesta quinta pelo ministério mostra uma interiorização da pandemia. Na região Norte, na semana epidemiológica entre 12 e 18 de abril, 77% dos caos eram na capital e 23% no interior. Na semana de 7 a 13 de junho, eram 44% na capital e 56% no interior.

Segundo o levantamento, 4.590 municípios (82,4) registraram casos do novo coronavírus e 2.165 tiveram óbitos.

Das 265.578 hospitalizações por síndrome respiratória aguarda agrave (SRAG) até o momento, 105.869 foram confirmadas pra covid-19, 65.472 estão em investigação, 85.441 causados por agente não especificado e o restante outros patógenos. Do total de internados, 68% estava acima 50 anos.

No mesmo período, foram registrados 64.247 óbitos por SRAG, sendo 39.417 confirmados para covid-19, 4.056 em investigação, 20.163 causados por agente não especificado e o restante outros patógenos. Das vítimas fatais do novo coronavírus, 71% estava acima 60 anos e 60%  apresentam pelo menos um fator de risco.

Ministério da Saúde dificulta análise

Desde o início deste mês, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. No mesmo dia, a imagem informava apenas os casos e óbitos confirmados nas últimas 24 horas, sem o acumulado. O total de diagnósticos e de mortes também deixou de estar disponível no site covid.saude.gov.br. Foi ainda anunciada uma mudança na metodologia. 

Até 4 de junho, o Ministério da Saúde enviava aos jornalistas, por meio de uma rede de transmissão via WhatsApp, um boletim com o total de casos e de óbitos confirmados nas últimas 24 horas, assim como o acumulado dos dois dados.

Faz mais de uma semana que o Ministério da Saúde informou que adotaria uma nova metodologia, com boletins diários de óbitos ocorridos nas últimas 24 horas e não confirmados. Na prática, ela inviabiliza uma comparação com os dados anteriores, dificultando a compreensão da evolução da pandemia no Brasil. Ela também atrapalha a comparação dos números com outros países, por adotar critérios distintos do resto do mundo. 

Há uma atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

Com a mudança de critério pelo governo federal, as “novas mortes” serão menores. Na prática, a medida também evita notícias negativas sobre recordes de óbitos diários. Integrantes do governo de Jair Bolsonaro, especialmente a ala militar, têm criticado esse tipo de cobertura jornalística.

Na mesma linha, a Secom (Secretaria de Comunicação Social) criou o “Placar da Vida”, publicado diariamente nas redes sociais da Presidência. A publicação omite as mortes e destaca o número de recuperados.

Amanda Perobelli / Reuters
Na mesma linha, a Secom (Secretaria de Comunicação Social) criou o “Placar da Vida”, publicado diariamente nas redes sociais da Presidência. A publicação omite as mortes e destaca o número de recuperados.

Os integrantes do Ministério da Saúde não explicaram o motivo de adotar uma metodologia que causará esse tipo de prejuízo. Só é possível continuar comparando o total de óbitos se o ministério atualizar progressivamente as informações de mortes que tiverem a confirmação laboratorial após a data do óbito.

Na semana passada, em reunião ministerial com o presidente, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, disse que será feita atualização retroativa. “Quando você bota no cálculo diário você vê que é acumulado nos dias de registro. O que eu coloco como proposta é que a gente use os mesmos números, mas nos dias do óbito (…) e vai corrigindo os anteriores aí você passa a observar exatamente a curva”, afirmou.

Em 7 de junho, o ministério também deixou de enviar aos jornalistas pela rede de transmissão via WhatsApp o boletim no formato anterior. Essa transmissão só foi retomada dois dias depois, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Na última sexta-feira (12), entrou no ar a nova plataforma anunciada pelo governo federal. Os óbitos estavam contabilizados por data da notificação.

Subnotificação da pandemia

Além da falta de transparência, a subnotificação também prejudica uma compreensão real do cenário da crise sanitária no País. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. 

Segundo balanço apresentado em 4 de junho, 1.085.891 exames do tipo moleculares RT-PCR foram realizados, sendo 556.094 processados em laboratórios públicos e 529.797 na rede particular. Na rede pública, 74,1% são analisados em até 5 dias, de acordo com o ministério.

O levantamento inclui ainda outros 748.916 testes rápidos, que identificam se a pessoa tem anticorpos para o novo coronavírus. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento.

A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Amazonas, com altos indicadores de mortalidade, têm iniciado esse tipo de medida.

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