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14/04/2020 17:09 -03 | Atualizado 14/04/2020 18:57 -03

Em 24 horas, Brasil tem mais de 200 mortes por covid-19; 1.532 já morreram no País

São 25.262 casos confirmados no País. Taxa de letalidade é de 6,1%.

O número de casos confirmados da covid-19 no Brasil soma 25.262, com 1.532 mortes, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (14). A taxa de letalidade é de 6,1%. Em 24 horas, de segunda-feira (13) para terça, foram 204 novos óbitos confirmados, um recorde diário.

O maior número de mortes está no estado de São Paulo, com 695 e 9.371 casos. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 224 mortes, Ceará (107), Pernambuco (115) e Amazonas (90).

Devido à demora dos resultados, essas mortes provavelmente ocorreram anteriormente. Ontem, eram 23.430 casos confirmados e 1.328 óbitos. 

A lentidão no resultado de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais. Há também uma subnotificação de casos confirmados devido à limitação de testes de diagnóstico.

Nesta terça, o ministério anunciou uma chamada pública para contrato emergencial de laboratórios. A proposta estabelece limite de 3 milhões de exames, com processamento diário de até 30 mil testes em tempo real. Até o momento, 93.343 amostras estão em análise nos laboratórios, sendo que 60.120 foram processadas e outras 27.761 estão em triagem nos laboratórios centrais.

O secretário-executivo da pasta, João Gabbardo, informou que o total de pacientes recuperados é de 14.026, representa 55% das pessoas que tiveram o diagnóstico de covid-19 comprovado. De acordo com a pasta, não é possível saber que tipo de medicamento foi usado nesse grupo.

Segundo o secretário, o atendimento remoto do ministério detectou que 92% dos 2,4 milhões de pessoas atendidas não apresentaram sintomas. Outros 4,1% são de baixo risco (sintomas leves), 1% risco moderado e 2,4% risco alto. Esses dois últimos grupos são monitorados diariamente.

De acordo com o balanço da pasta, dos óbitos confirmados, 73% ocorreram em pessoas com mais de 60 anos e 73% do total das vítimas apresentavam pelo menos um fator de risco, como cardiopatias.

Leitos de hospitais

Nesta terça, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou que foi determinada a notificação compulsória nos hospitais dos leitos ocupados. “Essa decisão é fundamental para qualquer tipo de tomada de decisão”, disse. Ele destacou que a capacidade hospitalar junto com a transmissibilidade da doença são os dois fatores determinantes na pandemia. Com essa mudança, será possível ter dados diários sobre a situação das unidades de saúde.

Seis unidades da Federação estão em situação de emergência, quando o coeficiente de incidência da doença é 50% acima da incidência nacional. São elas: Amazonas, Amapá, Distrito Federal, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro.

Mandetta também anunciou que na próxima quinta-feira (16), será iniciado um inquérito sorológico em parceira com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A pesquisa consiste em aplicar testes na população para saber quem adquiriu imunidade ao novo coronavírus. Esse tipo de iniciativa, contudo, é contestada por alguns pesquisadores devido às incertezas sobre o patógeno.

Subnotificações de casos e mortes

Sobre subnotificações de casos, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, já admitiu que a maioria dos casos de infectados, cerca de 85% que são assintomáticos, não serão detectados. O Ministério da Saúde tem trabalhado em estabelecer parceiras com universidades para realização dos chamados inquéritos sorológicos, um tipo de testagem mais ampla da sociedade.

Quanto aos óbitos, Wanderson afirma que a diferença entre dados de cartórios e os do ministério se deve a um atraso de cerca de 4 dias entre os 2 bancos de dados. De acordo com ele, essa demora chega a 60 dias em “tempos normais”.

Mesmo sem testar todos os pacientes, a previsão é que os números continuem crescendo de forma acelerada. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, a expectativa é de pico de casos no fim de abril e começo de maio para unidades da federação com taxas de incidência mais elevadas, como Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Ceará e Amazonas. O número 2 da pasta é contra o relaxamento de medidas de distanciamento social nesses locais. 

Rodrigo Paiva via Getty Images
Ministério da Saúde admite que a maioria dos casos de infectados, cerca de 85% que são assintomáticos, não serão detectados.

De acordo com o Boletim Epidemiológico nº 9, publicado neste domingo pelo Ministério da Saúde, observou-se um incremento de 310% em internações de SRAG (síndrome respiratória aguda grave) em 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Até o dia 11 de abril de 2020, foram registradas 37.378 hospitalizações. Deste total, 4.436 (12%) eram casos confirmados para covid-19.

O boletim também mostra que 62,9% dos óbitos ocorreram entre pessoas de cor da pele branca, seguido de pardos (30,0%) e pretos (4,3%). Desse montante, 405 tiveram a variável cor ignorada e não foram incluídas na análise.

Segundo o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, foram confirmados 1,97 milhão de casos no mundo inteiro e 125 mil mortes. O Brasil está em 12º lugar no número de óbitos. A taxa de letalidade no País de 6,1%, é semelhante à do mundo.

Equipamentos de proteção individual

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, anunciou nesta terça que 40 voos serão realizados para trazer EPIs (equipamentos de proteção individual), que incluem 15 milhões de máscaras para profissionais de saúde. “Temos empresas querendo participar desse esforço, que tem investimento de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões em voos fretados para trazer essa carga”, disse.

Quanto à produção nacional de EPIs, o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, anunciou um edital de R$ 5 milhões voltado para equipamentos de proteção coletiva para micro e pequenas empresas. De acordo com ele, há também uma linha de crédito de R$ 600 milhões para aumentar a capacidade de produção de equipamento no Brasil. A iniciativa inclui tanto reconversão industrial quanto e crédito para desenvolvimento de dispositivos médicos.

De acordo com Mandetta, a expectativa é de que o mercado se normalize. “Esperamos ter paz com equipamentos e que estados e municípios possam eles mesmo fazer suas compras”, disse. “A União não tem interesse em fazer essa compra centralizada”, completou.