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13/04/2020 17:10 -03 | Atualizado 13/04/2020 18:41 -03

Em uma semana, número de mortes por coronavírus quase dobra e atinge 1.328

Foram 105 óbitos confirmados em 24 horas, e taxa de letalidade no Brasil é de 5,7%. Há 23.430 casos de covid-19.

O número de casos confirmados da covid-19 no Brasil soma 23.430, com 1.328 mortes, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (13). A taxa de letalidade é de 5,7%.

Em uma semana, o número de mortes por coronavírus quase dobrou — no dia 7, eram 667 óbitos confirmados.

O recorde de mortes está no estado de São Paulo, com 608 e 8.895 casos. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 188 mortes; Pernambuco (102) e Ceará (91).

Em 24 horas, de domingo (12) para segunda, foram 105 novos óbitos confirmados (9% de crescimento). Devido à demora dos resultados, essas mortes provavelmente ocorreram anteriormente. Ontem, eram 22.169 casos confirmados e 1.223 óbitos. 

A demora no resultado de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais. Há também uma subnotificação de casos confirmados devido à limitação de testes de diagnóstico.

Nesta segunda, o coeficiente nacional de incidência da doença é de 111 a cada um milhão de habitantes. Seis unidades da Federação estão em situação de emergência, quando o coeficiente é 50% acima da incidência nacional. São elas: Amazonas, Amapá, Distrito Federal, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro.

Entre as capitais, a indecência em Fortaleza é recorde (573 por milhão de habitantes), seguida por São Paulo (518) e Manaus (482). Outras 9 capitais também estão em emergência, com indicador 50% acima da média nacional: Macapá, Florianópolis, Recife, São Luis, Rio de Janeiro, Vitória, Porto Alegre, Brasília e Boa Vista.

Há risco de colapso em alguns municípios. Em Recife (PE), a capacidade da rede hospitalar registrou ocupação entre 90% e 95%. Em Campo Grande (MS), o indicador chegou a 98%, segundo o Ministério da Saúde.

Já o coeficiente de mortalidade nacional é de 6 a cada um milhão de habitantes. Em e estados (Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Ceará), esse indicador está 50% acima da incidência nacional.

Sobre subnotificações de casos, o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Wanderson Oliveira, admitiu que a maioria dos casos de infectados, cerca de 85% que são assintomáticos, não serão detectados. O ministério tem trabalhado em estabelecer parceiras com universidades para realização dos chamados inquéritos sorológicos, um tipo de testagem mais ampla da sociedade.

Quanto aos óbitos, Wanderson afirma que a diferença entre dados de cartórios e os do ministério se deve a um atraso de cerca de 4 dias entre os dois bancos de dados. De acordo com ele, essa demora chega a 60 dias em “tempos normais”.

Mesmo sem testar todos os pacientes, a previsão é que os números continuem crescendo de forma acelerada. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, a expectativa é de pico de casos no fim de abril e começo de maio para unidades da federação com taxas de incidência mais elevadas, como Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Ceará e Amazonas. O número 2 da pasta é contra o relaxamento de medidas de distanciamento social nesses locais. 

Manaus preocupa Ministério da Saúde

A capital do Amazonas é a cidade que mais preocupa a pasta. “Manaus está no ponto em que a curva de atendimento está muito próxima da nossa linha de capacidade de atendimento”, afirmou Gabbardo nesta segunda. De acordo com o secretário-executivo, até quinta-feira (16), serão enviados 7 médicos e 10 enfermeiros para a cidade.

Ele informou que o hospital de campanha em construção na região deve atender à população indígena e que foram liberados 350 leitos para o hospital de referência.

Gabbardo também anunciou que dos 540 respiradores hospitalares alocados, 340 estão instalados nos estados e 60 foram requisitados pela Receita Federal na semana passada e estão em funcionamento, sendo 30 em Fortaleza (CE), 20 em Manaus e 10 em Macapá (AP).

De acordo com ele, foi fechado um contrato com a Intermed para fabricação de 4,5 mil respiradores em território nacional. A produção interna do equipamento deve total anunciada até agora é de 11 mil unidades. Outros 599 respiradores foram enviados para conserto, segundo o secretário.

Quanto aos EPIs (equipamentos de proteção individua), o secretário-executivo afirmou que já foram aduridos quase 9 milhões de unidades, que incluem itens como máscaras para profissionais de saúde. Quanto aos testes, dos 5 mil testes rápidos prometidos pela Vale, 2,5 chegaram ao Brasil, segundo Gabbardo. 

Estudos com plasma sanguíneo

O secretário de Ciência e Tecnologia do ministério, Denizar Vianna, afirmou nesta segunda que nesta semana foi iniciada uma força-tarefa com universidades para produção de estudos com plasma sanguíneo de pacientes de covid-19. Devem ser apresentados resultados em 30 dias.

A ideia é criar um tipo de “imunidade passiva” por meio de transfusão. De acordo com Vianna, são retirados anticorpos do plasma de pacientes convalescentes e inseridos em pacientes em estado grave.

Amanda Perobelli / Reuters
Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Ceará, Amazonas e Amapá são unidades da Federação em estado mais crítico.

Perfil das mortes por covid-19

Dentre 1.328 óbitos confirmados, 1.066 tinham investigação concluída. Destes, 628 (58,9%) eram do sexo masculino, 74% tinham mais de 60 anos e 75% deles apresentavam pelo menos um fator de risco, como cardiopatias.

Quanto às hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave) desde o início da pandemia, 4.926 foram causadas pelo novo coronavírus. Outras 715 pelos vírus influenza A e B, 890 por outros vírus respiratórios e 31.605 são casos ainda em investigação.

Ainda de acordo com a pasta, 451.432 reações para diagnóstico laboratorial de RT-PCR foram distribuídas às Secretarias Estaduais de Saúde e devem ser entregues até quarta-feira (15). Esse tipo de teste, de biologia molecular, é usado para identificar a causa da morte ou o vírus que infectou pessoas internadas com SRAG. 

De acordo com o Boletim Epidemiológico nº 9, publicado neste domingo, observou-se um incremento de 310% em internações de SRAG em 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Até o dia 11 de abril de 2020, foram registradas 37.378 hospitalizações. Deste total, 4.436 (12%) eram casos confirmados para covid-19.

O boletim também mostra que 62,9% dos óbitos ocorreram entre pessoas de cor da pele branca, seguido de pardos (30,0%) e pretos (4,3%). Desse montante, 405 tiveram a variável cor ignorada e não foram incluídas na análise.

Segundo o documento, o Brasil é o 14º país em número de casos confirmados e o 12º em número de óbitos. De acordo com dados internacionais , até 11 de abril de 2020, foram confirmados 1.741.807 casos de covid-19 no mundo, com 106.694 óbitos. Os Estados Unidos são o país com maior número de casos (508.575).

Considerando esses números, enquanto a taxa de letalidade da doença em território nacional estava em 5,4%, no mundo era de 6,1%. O Brasil ainda está em uma fase inicial da epidemia.