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12/05/2020 19:16 -03 | Atualizado 12/05/2020 19:16 -03

Com novo recorde de 881 mortes em 24 horas, Brasil tem 12.400 mortos por covid-19

Com mais de 177 mil casos, Brasil já é o 7º país em número de infectados pelo novo coronavírus.

O número de mortes causadas pela covid-19 no Brasil chegou a 12.400, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde às 19h desta terça-feira (12). Em relação ao balanço divulgado às 19h de segunda-feira (11), foram 881 novos óbitos confirmados, um novo recorde diário.

Os dados reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Desde 5 de maio, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro passou para um patamar acima de 600, atingindo outro ponto máximo de 751 no boletim divulgado em 8 de maio. Nos 2 últimos dias, esse número de mortes diárias caiu em 40% devido ao sistema de notificações do ministério.

Nas últimas 24 horas, foram registrados 9.258 novos casos, crescimento de 5,4%. Ao todo, os diagnósticos confirmados no Brasil somam 177.589.

O maior número de diagnósticos positivos no balanço mais recente está no estado de São Paulo, com 3.949 óbitos e 47.719 casos. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 1.928 mortes, Ceará (1.280), Pernambuco (1.157) e Amazonas (1.098).

Primeiro caso de coronavírus no Brasil

O diretor de análise da secretaria de Vigilância em Saúde da pasta, Eduardo Macário, afirmou nesta terça que a pasta identificou 39 casos de SRAG (síndrome respiratória aguda grave) confirmados para covid-19 antes de 26 de fevereiro, data da confirmação oficial do primeiro caso da doença no Brasil.

De acordo com o diretor, foram enviados ofícios às secretarias estaduais de Saúde para investigar a situação de forma retroativa. Macário não informou qual a suspeita mais antiga, mas disse que há casos de janeiro. São 9 unidades da federação investigadas: Amazonas (2), Bahia (1), Ceará (2), Espírito Santo (1), Goiás (1), Paraíba (1), Rio de Janeiro (4), Rio Grande do Sul (2) e São Paulo (25). 

Estudo liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) divulgado nesta segunda revelou que a primeira morte por covid-19 no Brasil ocorreu na quarta semana epidemiológica, entre 19 e 25 de janeiro, no Rio de Janeiro. De acordo com a pesquisa, em 4 de fevereiro já havia transmissão comunitária em São Paulo.

Em 3 de abril, o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que a confusão sobre a data do primeiro caso do novo coronavírus no Brasil foi causada por um erro de digitação. No dia anterior, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, afirmou que o primeiro registro ocorreu em 23 de janeiro em Minas Gerais, com base em investigação retrospectiva. No dia seguinte, o ministério voltou atrás. 

Escalada da pandemia

Desde 23 de abril, o número de mortes confirmadas em 24 horas subiu do patamar acima de 400 em diversos boletins. Naquele dia, foi registrado o recorde de 407 óbitos confirmados de um dia para o outro.

Em 28 de abril, foram 474 mortes confirmadas em 24 horas. Nesse dia, o ministro da Saúde, Nelson Teich, reconheceu o agravamento da crise sanitária, mas não anunciou qualquer ação específica. Dois dias depois, ele disse que a política pública não mudaria em função do número de mortes.

Na semana passada, o patamar subiu para 600 óbitos confirmados em 24 horas em 5 de maio e 615 no dia seguinte. O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia.

ASSOCIATED PRESS
Desde 5 de maio, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro passou para um patamar acima de 600, atingindo o ponto máximo de 751 no boletim divulgado em 8 de maio.

De acordo com a pasta, todas as análises de mortalidade são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta.

Além do SIM, o ministério usa o Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (SIVEPGripe) para coletar informações sobre óbitos. 

Nesta terça, a pasta apresentou dados sobre a data do óbito e não da confirmação. Segundo o balanço, 491 registros de mortes foram atualizados nas últimas 24 horas, sendo 42% (206) ocorridos nos últimos 3 dias. De acordo com Macário, o aumento dos números é fruto de exames que estavam represados nos laboratórios.

Ministério da Saúde
Segundo o Ministério da Saúde, 491 registros de mortes foram atualizados nas últimas 24 horas, sendo 42% (206) ocorridos nos últimos três dias.

Segundo boletim de 8 de maio, neste ano foram registradas 107.895 hospitalizações por SRAG, 606% de incremento em relação ao mesmo período de 2019. Desse grupo, de todas essas hospitalizações que evoluíram para óbito, sabe-se que 7.780 foram por covid-19. Havia 1.876 em investigação e também mortes de pessoas internadas por SRAG causadas por outros vírus respiratórios.

Profissionais de saúde vítimas da pandemia

Já de acordo com dados divulgados pelo ministério nesta terça, até 10 de maio, o total de hospitalizações por SRAG era de 116.410. Desse total, 884 (0,8%) eram de profissionais da saúde, sendo 505 de enfermagem. Entre os internados, 93 foram confirmados para covid-19 e 9 morreram devido à doença.

Integrantes da pasta anunciaram que está sendo feita uma pesquisa complementar a esses números. Há indicativos de subnotificação neste balanço. De acordo com dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), há 14.105 casos reportados de enfermeiros infectados e 108 mortes.

Segundo o ministério, 200 mil pessoas aderiram a um outro estudo em curso em parceira com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). No Amazonas, 6% dos 209 entrevistados têm algum tipo de transtorno de saúde mental, sendo ansiedade e depressão os mais comuns.

Há 931 mil profissionais cadastrados na ação “Brasil Conta Comigo”, sendo que 413.233 estão dispostos a atuar na linha de frente do combate à pandemia. No Amazonas, primeiro estado em que o sistema de saúde entrou em colapso, há 281 profissionais enviados pelo ministério. Ouros 96 atuam em outros estados, segundo a pasta.

Questionada sobre o atraso do pagamento de bolsas a médicos residentes, a secretária de Gestão de Trabalho e de Educação na Saúde do ministério, Mayra Pinheiro, reconheceu que há atrasos, mas também disse que há inconsistência nos sistema de pagamento e que leva um tempo para a informação ser atualizada.

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

O Ministério da Saúde prometeu que a fila de testes pendentes de resultado nos laboratórios seria zerada nesta semana. O represamento de resultados chegou ao ponto de haver 93 mil testes que aguardavam análise nos laboratórios públicos estaduais no início do mês. Já as grandes redes privadas tinham mais de 100 mil exames que ainda não haviam sido incluídos no sistema do ministério também em maio.

Segundo o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, foram confirmados 4,2 milhões de casos da covid-19 no mundo inteiro e mais de 290 mil mortes, de acordo com dados atualizados nesta terça. O Brasil está em 7º lugar no mundo no número de casos e no 6º lugar no número de óbitos.

Distribuição de leitos e testes

De acordo com o Ministério da Saúde, nesta terça, foram habilitados 458 leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para uso exclusivo dos casos graves ou gravíssimos de covid-19. Desse total, 35 são leitos de UTI pediátrica. As unidades foram liberadas em 18 municípios do Paraná, um da Bahia e um do Mato Grosso do Sul.

Segundo a pasta, foram habilitados entre abril e maio 3.810 leitos de UTI, sendo 115 de UTI pediátrica, ao custo de R$ 550,5 milhões.

Quanto à testagem, até esta terça, 6,9 milhões de testes foram distribuídos, sendo 2,1 milhões de RT-PCR (biologia molecular) e 4,7 milhões de testes rápidos (sorologia).

O balanço de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), por sua vez, inclui 83 milhões de unidades entregues. A oitava etapa de distribuição foi encerrada na última semana, com 4 milhões de itens, como máscaras, luvas e aventais.

Ao todo, foram distribuídos 513,8 mil litros de álcool, 1,9 milhão de aventais, 33,6 milhões de luvas, 2,4 milhões de máscaras N955, 26,5 milhões de máscaras cirúrgicas, 82,3 mil óculos de proteção, 200,1 mil sapatilhas, 13,6 milhões de toucas e 124,6 mil protetores faciais.

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