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10/09/2020 18:04 -03

Casos confirmados de covid-19 ultrapassam 4,2 milhões, e mortes se aproximam de 130 mil

Taxa de transmissão medida pelo Imperial College volta a ficar em nível acima do necessário para frear contágio.

O total de mortes causadas pela covid-19 Brasil chegou a 129.522 nesta quinta-feira (10), de acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com registros compilados até 18h. São 983 registros a mais em 24 horas.

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais com 32.104 notificações, seguido pelo Rio de Janeiro, com 16.871 Ceará (8.639), Pernambuco (7.792) e Pará (6.289).

Quanto aos diagnósticos, são 4.238.446 casos confirmados, 40.557 a mais em relação ao balanço de quarta.

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, atrás apenas dos Estados Unidos.

Quanto ao número de casos, está em terceiro lugar, atrás da Índia e dos norte-americanos. Há diferenças entre as taxas de testagem dos 3 países, o que evidencia a subnotificação. No território norte-americano, foram registrados mais de 6,3 milhões de casos e a média de testes diários é de 139 mil por 100 mil habitantes, segundo a universidade.  No Brasil, a média é 37 por 100 mil habitantes. Na Índia, são 4,4 milhões de diagnósticos e a média é de 1 por 100 mil.

Ao considerar a população de cada nação, o Brasil ocupa a 10ª posição tanto em relação casos quanto a óbitos, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). São 19.580,75 diagnósticos por milhão de habitantes e 599,66 mortes por milhão.

O novo coronavírus já causou mais de 905 mil mortes no mundo. São cerca de 27,9 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade de Hopkins, atualizados nesta quinta.

Taxa de transmissão 

A taxa de transmissão calculada pelo Imperial College London continuou a oscilar. De acordo com o relatório mais recente, com dados até 6 de setembro, o País voltou ao patamar de 1 na taxa de transmissão (Rt).

É necessário estar abaixo desse nível para frear a epidemia. Na semana anterior, o indicador estava em 0,94. Isso significa que 100 pessoas contaminadas contagiavam outras 94 que, por sua vez, passavam a doença para outras 88. Era a menor taxa desde o final de abril. 

O indicador ficou acima de 1 por 16 semanas seguidas desde o final de abril e passou a oscilar nas últimas 4 semanas: desceu abaixo de 1 em duas delas e ficou igual a 1 nas outras duas.

A taxa é nacional e devido à dimensão continental do Brasil, muitos estados e municípios ainda registro crescimento mais acelerado da transmissão.

O Imperial College calcula a taxa com base no número de mortes reportadas, mas há um intervalo entre o momento do óbito e o registro oficial que pode chegar a até 30 dias. Estados populosos como Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul também têm indícios de subnotificação. 

Tanto a subnotificação quanto o atraso passam a impressão de que a crise sanitária está numa situação melhor do que a realidade, ainda que se use indicadores como médias móveis.

Queda nas mortes semanais

De acordo com boletim mais recente do Ministério da Saúde, a média diária de óbitos na última semana analisada - encerrada em 5 de setembro - foi de 820, seguindo a tendência de queda das semanas anteriores. A média de casos diários, por outro lado, ficou em 39.550, acima dos 37.684 na semana anterior.

O boletim aponta diferenças na transmissão do vírus nas 5 regiões do País. Na comparação entre as duas últimas semanas epidemiológicas analisadas, na região Norte, houve queda de casos (-11%) e aumento de mortes (+55%). No Centro Oeste, os diagnósticos recuaram 8% e as mortes cresceram 10%.

Tanto no Sudeste quanto no Nordeste, o recuo nos diagnósticos foi de 13% e nos óbitos, de 18%. No Sul, os casos cresceram 75% e os óbitos subiram 1%. O cenário, contudo, também é muito diverso de um estado para o outro. 

Amanda Perobelli / reuters
Taxa de transmissão medida pelo Imperial College volta a ficar em nível acima do necessário para frear contágio.

O percentual de vítimas do novo coronavírus no interior ultrapassou os óbitos registrados nas regiões metropolitanas pela primeira vez na análise de dados semanais, de acordo com boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (9). Foram 53% no primeiro grupo e 47% no segundo, de acordo com dados até a semana encerrada em 5 de setembro.

A interiorização da epidemia persiste. Além da maioria das vítimas agora ser do interior, 5.543 municípios (99,5%) já notificaram casos do novo coronavírus e 4.263 (76,5%) registraram óbitos causados pelo patógeno.

Quem morre por covid-19 no Brasil?

Quanto aos dados de SRAG (síndrome respiratória aguda grave), em 2020 foram notificadas 669.606 hospitalizações, sendo 351.734 (52,5%) identificadas como covid-19, 225.313 (33,6%) causadas por agente não especificado, 85.592 (12,8%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

Quanto aos óbitos por SRAG, são 176.814 contabilizados no ano, sendo 122.772 (69,4%) por covid-19, 50.553 (28,76%) causados por agente não especificado, 2.506 (1,4%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

O perfil das vítimas de covid-19 é 73% acima de 60 anos, 58% do sexo masculino e 63,3% com menos um fator de risco, como cardiopatia ou diabetes.

Quanto à raça/cor, 36,8% das mortes foram de pessoas identificadas como pardas, seguidas por brancas (31,3%), pretas (5,4%), amarelas (1,2%) e indígenas (0,4%). Segundo o boletim, 25% dos registros não tinham essa informação.

Subnotificação da pandemia

Em junho, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. A divulgação regular só foi retomada em 9 de junho, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Há também um atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

No final de junho, o ministério anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderia ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser um incentivo a menos para aplicação de testes RT-PCR (moleculares), forma mais precisa de diagnóstico.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde, foram distribuídos 6.500.852 testes RT-PCR. Após essa etapa, também há entraves até o resultado do exame. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. Na prática, o exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

Segundo o Ministério da Saúde, 5.675.174 exames moleculares haviam sido processados até 5 de setembro. A taxa de positividade era de 32,7% nos laboratórios públicos e de 40,5% nos particulares. A OMS recomenda que essa taxa esteja em torno de 5%.

De acordo com painel da pasta, 8.004.800 testes rápidos sorológicos foram entregues. Segundo o boletim, 7.506.299 testes sorológicos (rápidos e laboratoriais) foram feitos. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. Os sorológicos, se há anticorpos no organismo.