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10/08/2020 18:16 -03

Mortes por covid-19 chegam a 101.752, e OMS alerta sobre alta transmissão

Brasil avançou de 12º para 11º país com mais mortes e casos por milhão de habitantes.

O total de vítimas da pandemia do novo coronavírus no Brasil chegou a 101.752 nesta segunda-feira (10). Foram 703 confirmações nas últimas 24 horas, de acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com registros compilados até 18h. 

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de mortes com 25.151 registros, seguido pelo Rio de Janeiro, com 14.108, Ceará (7.979), Pernambuco (6.979) e Pará (5.893).

Quanto ao número de casos, de domingo para segunda foram 22.048 novas confirmações. O acumulado é de 3.057.470.

Na semana após a marca dos 100 mil mortos, a OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou que a situação segue grave no Brasil. “Todos os sinais são de transmissão comunitária sustentada e pressão constante sobre os sistemas de saúde”, afirmou o diretor-executivo da OMS, Michael Ryan. 

Antes estimada em de 0,5 a 1,5 de acordo com a região, a taxa de transmissão no Brasil calculada pela OMS agora varia de 1,1 a 1,5. Ela indica o ritmo de contágio do SARS-CoV-2. 

Após 5 meses de epidemia, a cúpula da OMS afirmou que o sistema de saúde público brasileiro tem dado provas de resistência imensa, devido aos altos índices de ocupação de UTI (unidade de atendimento intensivo) sustentados.

Com a previsão de uma vacina só em 2021, Ryan alertou mais uma vez para a importância das medidas de distanciamento social. “O vírus não raciocina, ele só quer se reproduzir. Pode ser brutal em sua simplicidade e em sua crueldade, mas nós, humanos, é que temos cérebro. Temos que ser capazes de vencer um organismo que não tem cérebro”, disse o diretor da OMS. 

Em números absolutos, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos no ranking mundial de casos e é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. 

Os 2 países repetem as posições também em relação ao número de diagnósticos. No território norte-americano, foram registrados mais de 5 milhões de casos. A diferença das taxas de testagem entre os dois países - 37.188 testes por milhão de habitantes nos EUA e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - por sua vez, é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

Na comparação que considera a população de cada nação, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil está na 11ª posição tanto em relação aos óbitos - com 472,7 por milhão de habitantes - quanto aos diagnósticos - com 14.172,12 casos por milhão de habitantes. Na semana passada, ocupava o 12ª lugar.

O novo coronavírus já causou mais de 732 mil mortes no mundo. São cerca de 19,9 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins atualizados nesta segunda.

O vírus não raciocina, ele só quer se reproduzir. Temos que ser capazes de vencer um organismo que não tem cérebro.Mike Ryan, diretor-executivo da OMS

Interiorização da epidemia

Apesar de ter sido observado certo arrefecimento nas grandes capitais, como Manaus (AM) e São Paulo, a crise sanitária continua grave em boa parte do País, especialmente no interior e em estados do Sul e do Centro-Oeste. 

Quando olhamos os dados acumulados nacionais, os gráficos epidemiológicos assumiram a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes acumulados. Por outro lado, os casos e óbitos diários, que indicam o ritmo da epidemia, não estabilizaram.

Houve uma inversão de comportamento ao longo do tempo, com a interiorização da epidemia. Segundo boletim divulgado nesta quarta pelo Ministério da Saúde, 5.503 (98,98%) dos municípios têm casos confirmados de covid-19 e 3.627 (65,1%) cidades registraram mortes causadas pela covid-19. 

Das 7.114 mortes registradas na semana encerrada em 31 de julho, 52% foram na região metropolitana e 48% no interior, de acordo com o documento. 

Já a média diária de óbitos na última semana analisada foi de 1.016, nível semelhante ao das semanas anteriores. A primeira vez que o Brasil registrou mais de mil mortes por dia foi em 19 de maio. Desde então, isso aconteceu mais de 40 vezes.

Quanto aos casos, a semana encerrada em 31 de julho foi uma das mais graves da pandemia do novo coronavírus no Brasil. A média diária de diagnósticos foi de 44.766, patamar semelhante ao da semana anterior (45.665), recorde até o momento.

Na comparação entre as duas últimas semanas epidemiológicas analisadas no boletim do Ministério da Saúde, no Sul do País, foi registrado aumento de 11% tanto no número de casos quanto de mortes. No Centro-Oeste, houve estabilização (+2%) de casos e crescimento de 8% de óbitos no mesmo período. No Sudeste, houve estabilização (-3%) nos casos e redução de 8% nas mortes. 

No Nordeste os diagnósticos estão estáveis (-3%) nas comparação entre as semanas encerradas em 25 de julho e 31 de julho. Já o número de mortes no período caiu 11%. Na região Norte, os casos recuaram 16% e os óbitos, 39%.

MAURO PIMENTEL via Getty Images
Brasil avançou de 12º para 11º país com mais mortes e casos por milhão de habitantes.

Quem morre por covid-19 no Brasil

Segundo o boletim, em 2020 foram notificadas 516.124 hospitalizações por SRAG, sendo 258.013 (50,0%) identificadas como covid-19, 258.013 (50,0%) causadas por vírus não especificado, 85.628 (16,6%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

Quanto aos óbitos por SRAG, são 133.423 contabilizados no ano, sendo 90.973 (67,2%) por covid-19, 40.003 (29,5%) causados por vírus não especificado, 3.578 (2,6%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

O perfil das vítimas de covid-19 é 72,3% acima de 60 anos, 58% do sexo masculino e 61,8% com menos um fator de risco, como cardiopatia ou diabetes. Quanto à raça/cor, 35,4% das mortes foram de pessoas identificadas como pardas, seguidas por brancas (27,8%), pretas (5,1%), amarelas (1,1%) e indígenas (0,4%). Segundo o boletim, 30,3% dos registros não tinham essa informação.

Subnotificação da pandemia

Em junho, houve uma série de idas e vindas na forma de divulgação dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. Após atrasar o horário de envio dos dados, a pasta deixou de informar o acumulado de mortes e diagnósticos em 5 de junho. A divulgação regular só foi retomada em 9 de junho, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

A pasta também chegou a anunciar que adotaria uma nova metodologia, com boletins diários de óbitos ocorridos nas últimas 24 horas e não confirmados. A mudança, contudo, não foi colocada em prática até agora.

Na prática, ela inviabilizava uma comparação com os dados anteriores, dificultando a compreensão da evolução da pandemia no Brasil. Ela também atrapalharia a comparação dos números com outros países, por adotar critérios distintos do resto do mundo. 

Com a mudança, as “novas mortes” seriam menores. A medida também evita notícias negativas sobre recordes de óbitos diários. Integrantes do governo de Jair Bolsonaro, especialmente a ala militar, têm criticado esse tipo de cobertura jornalística.

Há uma atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Por esse motivo, para fins de entender a curva epidemiológica e viabilizar comparações, os países têm disponibilizado os dados dos óbitos por data de confirmação.

No final de junho, o ministério anunciou que a notificação de casos do novo coronavírus poderia ser feita pelo médico apenas por critérios clínicos, sem esperar o resultado laboratorial. Na prática, a mudança pode ser um incentivo a menos para aplicação de testes RT-PCR (moleculares), forma mais precisa de diagnóstico.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde, foram distribuídos 5.324.948 testes RT-PCR. Após essa etapa, também há entraves até o resultado do exame. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. Na prática, o exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

Segundo o Ministério da Saúde, 3.316.167 exames moleculares haviam sido processados até 31 de julho, sendo 1.715.681 na rede pública e 1.600.486 na rede privada. A taxa de positividade era de 37,5% nos laboratórios públicos e de 31,1% nos particulares.

De acordo com painel da pasta, outros 8.004.080 testes rápidos sorológicos foram entregues. Segundo o boletim, 4.956.998 testes sorológicos (rápidos e laboratoriais) foram feitos e a positividade foi de 32,1%. Os testes moleculares informam se a pessoa está infectada naquele momento. Os sorológicos, se há anticorpos no organismo.