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04/09/2020 18:53 -03

Número de mortes por covid-19 no Brasil chega a 125,5 mil; casos ultrapassam 4 milhões

OMS não espera vacinação ampla contra a doença antes de meados de 2021.

A pandemia de coronavírus já causou 125.502 mortes no Brasil. Só nas últimas 24 horas forma registrados 851 novos óbitos, de acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), com registros compilados até 18h desta sexta-feira (4). Em relação ao número de casos, o País contabiliza 4.091.801 diagnósticos positivos, 51.638 notificados de quinta para esta sexta. 

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de vítimas fatais com 31.091 notificações, seguido pelo Rio de Janeiro, com 16.467, Ceará (8.555), Pernambuco (7.619) e Pará (6.228).

De acordo com boletim do Ministério da Saúde divulgado nesta quarta (2), que compara dados semanais, a média diária de óbitos na última semana analisada - encerrada em 29 de agosto - foi de 887, abaixo das semanas anteriores. A média de casos diários ficou em 37.684, também menor em comparação aos semanas pregressas.

A taxa de transmissão calculada pelo Imperial College London também voltou a melhorar. De acordo com o relatório mais recente, com dados até o último domingo (30), o País voltou ao patamar abaixo de 1 na taxa de transmissão (Rt), nível necessário para frear a epidemia.

O indicador está em 0,94. Isso significa que 100 pessoas contaminadas contagiam outras 94 que, por sua vez, passam a doença para outras 88. É a menor taxa desde o final de abril.

O indicador é nacional e devido à dimensão continental do Brasil, muitos estados e municípios ainda registro crescimento mais acelerado da transmissão.

O Imperial College calcula a taxa com base no número de mortes reportadas, mas há um intervalo entre o momento do óbito e o registro oficial que pode chegar a até 30 dias. Estados populosos como Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul também têm indícios de subnotificação. 

Tanto a subnotificação quanto o atraso passam a impressão de que a crise sanitária está numa situação melhor do que a realidade, ainda que se use indicadores como médias móveis.

Ranking mundial

Na comparação internacional, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos no ranking mundial e é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. 

Os dois países repetem as posições também em relação ao número de diagnósticos. No território norte-americano, foram registrados mais de 6 milhões de casos. A diferença entre as taxas de testagem entre os dois países é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro. A média de testes diários é de 37 por 100 mil habitantes no Brasil e de 141 mil por 100 mil habitantes nos Estados Unidos.

Ao considerar a população de cada nação, o Brasil ocupa a 10ª posição no ranking de diagnósticos, com 18.386,73 por milhão de habitantes, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). O país também é o 10º na comparação em relação aos óbitos, com 571,05 por milhão de habitantes. 

O novo coronavírus já causou mais de 871 mil mortes no mundo. São cerca de 26,4 milhões de casos confirmados, de acordo com dados da Universidade de Hopkins, atualizados nesta quinta.  

Vacina

Nesta sexta, a OMS afirmou que não espera uma vacinação ampla contra a covid-19 até meados do ano que vem, disse uma porta-voz da entidade nesta sexta-feira, enfatizando a importância de checagens rigorosas sobre a eficácia e a segurança das vacinas.

Nenhuma das candidatas a vacina que estão em testes clínicos avançados demonstrou, até agora, “sinal claro” de eficácia em um nível mínimo de 50% buscado pela OMS, disse a porta-voz Margaret Harris.

A Rússia deu aprovação regulatória para uma vacina contra a Covid-19 em agosto após menos de dois meses de testes em humanos, levando alguns especialistas ocidentais a questionaram a eficácia e a segurança do imunizante.

Autoridades de saúde pública dos Estados Unidos e a Pfizer disseram na quinta-feira que a vacina pode estar pronta para distribuição até o final de outubro. Este prazo é um pouco antes da eleição presidencial norte-americana de 3 de novembro, na qual a pandemia do coronavírus deve ser um fator importante entre os eleitores que decidirão se o presidente dos EUA, Donald Trump, terá um segundo mandato.

“Realmente não estamos esperando ver uma vacinação ampla até meados do ano que vem”, disse Harris durante um briefing da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra.

“Esta Fase 3 (de testes clínicos) tem que ser mais longa, porque precisamos ver quão realmente protetora a vacina é e também precisamos ver quão segura ela é”, disse ela. Harris não se referiu a qualquer vacina em potencial especificamente.

Todos os dados dos testes têm de ser compartilhados e comparados, disse ela. “Muitas pessoas foram vacinadas e o que não sabemos é se a vacina funciona... neste momento não temos um sinal claro se tem ou não o nível se eficácia e segurança necessários.”

Bruna Prado via Getty Images
 O ritmo da epidemia no Brasil

Desde meados de maio, quando olhamos os dados acumulados nacionais, os gráficos epidemiológicos assumiram a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes acumulados. A primeira vez que o Brasil registrou mais de mil mortes por dia foi em 19 de maio. Desde então, o marco tem sido alcançado com frequência. 

O boletim desta quarta aponta diferenças na transmissão do vírus nas 5 regiões do País. Na comparação entre as duas últimas semanas epidemiológicas analisadas, na região Norte, houve queda de casos (-5%) e de mortes (-11%). No Sudeste, ambos indicadores reduziram 8%.

No Nordeste, os casos aumentaram 1% e os óbitos recuaram 12%. No Centro Oeste, os diagnósticos subiram 5% e as mortes caíram 18%. No Sul, os casos cresceram 15% e os óbitos reduziram em 16%. O cenário, contudo, também é muito diverso de um estado para o outro. 

Quem morre por covid-19 no Brasil

Segundo o boletim, em 2020 foram notificadas 643.090 hospitalizações por SRAG, sendo 335.748 (52,2%) identificadas como covid-19, 215.117 (33,5%) causadas por agente não especificado, 85.460 (13,3%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

Quanto aos óbitos por SRAG, são 170.336 contabilizados no ano, sendo 117.841 (69,2%) por covid-19, 48.845 (28,7% causados por agente não especificado, 2.691 (1,6%) em investigação e o restante provocada por outros agentes patológicos.

O perfil das vítimas de covid-19 é 72,9% acima de 60 anos, 58% do sexo masculino e 63,3% com menos um fator de risco, como cardiopatia ou diabetes.

Quanto à raça/cor, 36,6% das mortes foram de pessoas identificadas como pardas, seguidas por brancas (30,8%), pretas (5,4%), amarelas (1,2%) e indígenas (0,4%). Segundo o boletim, 25,6% dos registros não tinham essa informação.