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01/12/2019 14:05 -03 | Atualizado 01/12/2019 18:10 -03

Nove morrem pisoteados em baile funk na capital paulista, diz polícia

Mortes em Paraisópolis ocorreram após uma ação da Polícia Militar para dispersão do baile, com munições químicas.

ASSOCIATED PRESS
Mortes em Paraisópolis ocorreram após uma ação para dispersão do baile, feita pela Polícia Militar com munições químicas.

Nove pessoas morreram após serem pisoteadas na madrugada de domingo em um baile funk em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, de acordo com informação da Polícia Militar.

Cerca de 5 mil pessoas participavam do evento, para onde fugiram dois suspeitos que atiraram em policiais que realizavam a chamada Operação Pancadão, segundo informações da PM.

“A moto (com os suspeitos) fugiu em direção ao baile funk, (com os suspeitos) ainda efetuando disparos, ocasionando um tumulto entre os frequentadores do evento”, disse uma nota da PM.

De acordo com um registro policial, as vítimas foram pisoteadas após uma “ação de controle de distúrbios civis” para dispersão do baile, feita pela Polícia Militar com “munições químicas”.

O delegado Emiliano da Silva Chaves Neto, do 89º DP (Portal do Morumbi), afirmou à imprensa que os mortos não apresentaram ferimento por bala e que um dos feridos teve uma lesão na pena que pode ter sido causada por uma bala de arma de fogo ou de borracha.

“Criminosos utilizaram pessoas no pancadão como escudos humanos”, disse Massera. Os policiais, segundo ele, teriam sido recebidos com pedras e garrafas arremessadas.

De acordo com o delegado, “houve necessidade do uso de munição química”, com quatro granadas de efeito moral e oito tiros de balas de borracha.

Relatos de pessoas no local, contudo, citam emboscada da polícia. Vídeos gravados pelos moradores mostram a chegada dos policiais atirando munição não letal.

As nove pessoas pisoteadas foram resgatadas ao Hospital do Campo Limpo, onde morreram, segundo a PM. Outras sete pessoas feridas foram socorridas em unidade médica de Paraisópolis.

A Polícia Militar abriu inquérito para apurar circunstâncias do episódio.

O governador de São Paulo, João Doria, (PSDB) lamentou as mortes e que determinou ao secretário da Segurança Pública, general Campos, apuração “para esclarecer quais foram as circunstâncias e responsabilidades deste triste episódio”.

Em novembro, uma jovem de 16 anos ficou cega após a PM usar esse tipo de munição em um baile funk em Guaianases, zona leste da capital paulista.