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30/09/2020 11:08 -03

Primeiro paciente curado de HIV morre de câncer

Conhecido como o “Paciente de Berlim”, o americano Timothy Ray Brown foi vítima de uma leucemia.

Timothy Ray Brown, a primeira pessoa no mundo a ser curada do HIV, morreu na Califórnia (EUA), vítima de uma leucemia. “É com grande tristeza que anuncio que Timothy faleceu esta tarde cercado por mim e amigos, após uma batalha de cinco meses contra o câncer”, disse seu parceiro, Tim Hoeffgen, em um post no Facebook. 

Brown, nascido em 11 de março de 1966, ficou conhecido como o “Paciente de Berlim” depois que seu HIV foi eliminado por tratamento em 2007.

O caso do americano fascinou e inspirou uma geração de médicos e pacientes infectados com o vírus que causa a AIDS, oferecendo um vislumbre de esperança de que um dia será encontrada uma cura definitiva para a doença.

“Devemos a Timothy e seu médico, Gero Huetter, uma grande gratidão por abrir a porta para os cientistas explorarem o conceito de que uma cura para o HIV é possível”, afirmou Adeeba Kamarulzaman, presidente da International AIDS Society (IAS).

Brown foi diagnosticado com HIV em 1995, enquanto vivia na capital alemã. Em 2006 ele também foi diagnosticado com leucemia mieloide aguda.

Embora Brown tenha permanecido livre do HIV por mais de uma década após o tratamento, ele teve uma remissão da leucemia no ano anterior. Seus médicos disseram que o câncer se espalhou para sua coluna e cérebro, e recentemente ele esteve em cuidados paliativos em sua cidade natal de Palm Springs, na Califórnia.

“Estou com o coração partido porque meu herói se foi. Tim era realmente a pessoa mais doce do mundo ”, disse Hoeffgen em sua mensagem. Ele contou que Brown tornou o trabalho de sua vida contar a história de sua cura para o HIV e “se tornou um embaixador da esperança”.

Para Huetter, o médico alemão que cuidou dele em 2007, o caso de Brown foi um tiro no escuro. O tratamento envolveu a destruição do sistema imunológico de Brown e o transplante de células-tronco com uma mutação genética chamada CCR5, que resiste ao HIV.

Apenas uma pequena proporção de pessoas - a maioria delas descendentes do norte da Europa - têm a mutação CCR5 que as torna resistentes ao vírus causador da AIDS.

Esse e outros fatores tornaram o tratamento que Brown muito caro, complexo e altamente arriscado. A maioria dos especialistas afirma que isso nunca poderia se tornar uma forma de cura para todos os pacientes com HIV, já que muitos deles correm o risco de morrer devido ao procedimento.

Mais de 37 milhões de pessoas em todo o mundo estão atualmente infectadas com o HIV. A pandemia da AIDS matou cerca de 35 milhões de pessoas desde que começou, na década de 1980.

Os avanços médicos nas últimas três décadas levaram ao desenvolvimento de combinações de medicamentos conhecidas como terapias anti-retrovirais que podem manter o vírus sob controle, permitindo que muitas pessoas HIV positivas vivam com o vírus por anos.

Um segundo paciente com HIV, Adam Castillejo, que era conhecido como “o paciente de Londres” até revelar sua identidade este ano, também está em remissão do HIV depois de ter feito um transplante semelhante ao de Brown em 2016 

Sharon Lewin, presidente eleito do IAS e especialista em HIV do Doherty Institute da Austrália, disse que Brown era um “grande defensor” pela busca da cura do HIV. “É a esperança da comunidade científica que um dia possamos honrar seu legado com uma estratégia segura, econômica e amplamente acessível para alcançar a remissão e cura do HIV.”

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