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29/08/2020 10:25 -03 | Atualizado 29/08/2020 10:37 -03

O adeus a Chadwick Boseman, um ícone da representatividade negra no cinema

Ator morreu em casa aos 43 anos. #WakandaForever ✊🏿

Mario Anzuoni / reuters

“É com imensurável pesar que confirmamos a morte de Chadwick Boseman. Chadwick foi diagnosticado com câncer de cólon de estágio 3 em 2016, e lutou contra ele nestes últimos quatro anos conforme progrediu para estágio 4.”

Foi com essa mensagem publicada pela família no perfil do Twitter do ator que ficamos sabendo de sua morte, que ocorreu em casa nesta sexta-feira (28). Sua luta contra o câncer não era pública.

“De Marshall: Igualdade e Justiça a ‘Destacamento Blood’, o Black Bottom de Ma Rainey, de August Wilson, e muitos mais, todos foram filmados durante e em meio a incontáveis cirurgias e quimioterapias. Foi uma honra para sua carreira dar vida ao rei T’Challa, em ‘Pantera Negra’. Ele morreu em casa, com sua mulher e sua família ao lado. Sua família agradece aos fãs pelo amor e pelas orações, e pede que continuem respeitando sua privacidade durante este momento difícil”, segue o texto da família.

Abraçado pelo público ao redor do globo, Pantera Negra se tornou o segundo filme de maior bilheteria em todo o mundo em 2018, aclamado por sua celebração da cultura africana e aplaudido como um marco para a diversidade racial em Hollywood.

Pantera Negra foi o primeiro herói negro em filmes da Marvel e marcou especialmente jovens pela identificação com a cor do personagem. Reportagem publicada no jornal da USP (Universidade de São Paulo) destacou o peso do papel interpretado pelo ator.

“Tanto no plano nacional quanto no plano internacional, temos um histórico de estereótipos degradantes da figura do negro”, afirma a pesquisadora de estereótipos raciais e mestranda em Sociologia pela USP, Thaís Santos. “Quando a gente chega em 2018 com a Marvel fazendo o primeiro filme de um super-herói negro, é fundamental e muito importante quando pensamos em representatividade”, completou.

São vários os exemplos dessa conquista, como os relatados nos tweets abaixo.

Em junho, Boseman se juntou a mais de 300 atores e cineastas negros que assinaram uma carta aberta instando Hollywood a se afastar do entretenimento que glorifica a brutalidade policial e a corrupção e a investir em conteúdo antirracista.

A carta foi escrita em meio a um acerto de contas cultural e político com o racismo sistemático nos Estados Unidos na sequência da morte de George Floyd em Minneapolis.

Por conta especialmente desse avanço na questão racial, a morte de Boseman foi muito lamentada. Atores com o Samuel L Jackson, Jared Leto, Viola Davis, Chris Pratt e entidades como a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood prestaram homenagens a ele. 

“Chadwick, não há palavras para expressar minha devastação em perdê-lo. Seu talento, seu espírito, seu coração, sua autenticidade. Foi uma honra trabalhar com você, te conhecer. Descanse em paz, meu príncipe. Que os voos de anjos te embalem a seu descanso celestial. Eu te amo.”

 “Minhas orações estão com a família e os entes queridos de Chadwick. O mundo vai sentir falta desse talento tremendo. Que Deus acompanhe sua alma. Wakanda para sempre.”