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12/05/2020 16:54 -03 | Atualizado 12/05/2020 17:21 -03

Bolsonaro afirma em reunião trocar chefia da PF para proteger família, dizem jornais

Segundo relatos de pessoas que assistiram a gravação, o presidente disse que familiares estariam sendo perseguidos e que, se precisasse, trocaria o chefe da PF e até o ministro da Justiça.

O presidente Jair Bolsonaro teria afirmado, segundo os jornais, que sua família estaria sendo perseguida e que, se fosse preciso, trocaria o chefe da Polícia Federal e até mesmo o ministro da Justiça, na época Sergio Moro. As afirmações foram feitas em reunião no último dia 22, que foi gravada e apontada por Moro como prova de que o presidente queria interferir na autonomia da Polícia Federal. 

A gravação foi exibida nesta terça-feira (12) ao ex-ministro Sergio Moro, a integrantes da AGU (Advocacia-Geral da União) e da PGR (Procuradoria-Geral da União). O conteúdo da reunião será transcrito e entregue ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello e ele decidirá se o material se tornará público. 

Para a defesa de Moro, o vídeo “confirma integralmente” declarações do ex-ministro de que o presidente Jair Bolsonaro teria cobrado a troca do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. “É de extrema relevância e interesse público que a íntegra desse vídeo venha à tona. Ela não possui menção a nenhum tema sensível à segurança nacional”, diz a defesa de Moro.

De acordo com relatos feitos à Folha de S.Paulo, na reunião, o presidente afirmou que familiares estariam sendo perseguidos. 

“Já tentei trocar o chefe da segurança do Rio de Janeiro. Se não posso trocar, troco o chefe dele, troco o ministro”, teria dito o presidente, entre palavrões e ameaças, de acordo com o G1. “Não vou esperar f... alguém da minha família. Troco todo mundo da segurança. Troco o chefe, troco o ministro”, de acordo com o relato obtido pela TV Globo.

O jornal O Globo acrescenta que fontes que assistiram o vídeo contaram que o presidente também fez diversas críticas e reclamações direcionadas a Moro. Na gravação, Bolsonaro teria dito ainda que o ministro não defendia o governo e teria pedido mais engajamento.

Ainda segundo O Globo, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou na reunião que tinha que mandar todo mundo para a cadeia, começando pelo STF.

EVARISTO SA via Getty Images

Depoimento

Segundo depoimento prestado por Moro no âmbito de investigação sobre as acusações que fez contra Bolsonaro, o presidente teria dito na reunião que iria interferir em todos os ministérios e, quanto à pasta da Justiça e Segurança Pública, se não pudesse trocar o superintendente da PF no Rio, trocaria o diretor-geral da corporação e o próprio ministro da Justiça.

Essas declarações levaram à saída de Moro e do ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo do governo e à abertura de um inquérito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar as declarações.

Por ora, o ministro Celso de Mello, relator do caso no STF, ainda não liberou a divulgação da íntegra do vídeo após a Advocacia-Geral da União (AGU), que representa Bolsonaro no inquérito, ter dito inicialmente que haveria temas sensíveis e de estado alheios à investigação tratados no encontro.

O ministro do STF já tinha decidido que todo o andamento do inquérito será público e poderá em breve decidir sobre a divulgação ou não do vídeo, tido por envolvidos no caso como uma das principais provas que pode haver contra o presidente, segundo duas fontes envolvidas relataram à Reuters.

Defesa de Bolsonaro

Nesta terça, o presidente afirmou que não tem preocupação com investigações e que não falou as palavras Polícia Federal e superintendência durante a reunião ministerial.

Ao conversar com jornalistas na rampa do Palácio do Planalto, ele disse que as informações repassadas a imprensa sobre a reunião ministerial ―que teve um vídeo mostrado às partes do processo nesta terça-feira na Polícia Federal― são “fake news”. Ele disse que durante a reunião só tratou do seu temor pela segurança da sua família.

Segundo Bolsonaro, o vídeo foi entregue à Justiça porque ele acredita na verdade. Ele afirmou que o material, por não ser oficial, deveria ter sido inclusive destruído.