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24/07/2019 13:36 -03

Suspeitos de hackear celular de Moro movimentaram mais de R$ 600 mil em 2 meses

Juiz federal determinou quebra de sigilo bancário e telemático de quatro presos pela Polícia Federal.

Adriano Machado / Reuters

Além de prisão temporária e busca e apreensão, os quatro detidos pela Polícia Federal na terça-feira (23) por suspeitas de invadir o celular do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, tiveram quebrados os sigilos bancário e telemático (de metadados). As autorizações foram concedidas pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília.

Na decisão, o magistrado corrobora com os argumentos da Polícia Federal sobre a necessidade das ações contra Walter Delgatti Neto, Danilo Cristiano Marques, Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira.

Para aceitar o pedido feito pela Polícia Federal de quebra do sigilo bancário, o juiz destaca a incompatibilidade apontada entre movimentações financeiras realizadas por Gustavo Santos e Suelen de Oliveira, segundo Vallisney, comprovadas em documentos apresentados pelo inquérito policial. Em dois meses, as transações dos dois totalizam R$ 627.560.

“A informação no 025/2019 DICINT/DIP/PF e o Relatório de Informação Financeira n° 43564/2019 apontou movimentações financeiras suspeitas em nome de Gustavo Henrique Elias Santos e de sua companheira Suelen Priscila de Oliveira. Indicou-se ainda que Gustavo movimentou em sua conta no Banco Original, entre os dias 18/04/2018 e 29/06/2018, o montante de R$ 424.000,00, sendo que em seu cadastro bancário consta a renda mensal de R$ 2.866,00. Suelen Priscila, por sua vez, segundo as mesmas informações, movimentou em sua conta no Banco Original a quantia de R$ 203.560,00, entre 07/03/2019 e 29/05/2019, sendo que em seu cadastro Consta a renda mensal de R$ 2.192,00”, relatou o magistrado na decisão.

E continuou: “Diante da incompatibilidade entre as movimentações financeiras e a renda mensal de Gustavo e Suelen, faz-se necessário realizar o rastreamento dos recursos recebidos ou movimentados pelos investigados e de averiguar eventuais patrocinadores das invasões ilegais dos dispositivos informáticos (smartphones)”.

O juiz entendeu ainda que o pedido da PF para restringir as movimentações financeiras dos suspeitos a R$ 10 mil mensais era desnecessário. “Entendo que o valor máximo, que não pode ser objeto de bloqueio, deve ficar no patamar de R$ 1 mil e não R$ 10 mil reais, sem prejuízo de nova análise quanto ao aumento desse valor oportunamente.”

Ao justificar os pedidos de prisão, o juiz afirma que “há fortes indícios de que os investigados integram organização criminosa para a prática de crimes”.

E destaca ainda a possibilidade de que eles possam ter atuado na invasão de celulares de outras autoridades: “Se uniram para violar o sigilo telefônico de diversas autoridades públicas brasileiras via invasão do aplicativo Telegram”.

“As prisões temporárias dos investigados são essenciais para coleta de prova que por outro meio não se obteria, porque é feita a partir da segregação e cessação de atividades e comunicação dos possíveis integrantes da organização criminosa, podendo-se com isso partir-se, sendo o caso, para provas contra outros membros da organização e colheita de depoimentos de testemunhos sem a influência ou interferência prejudicial dos indiciados”, escreveu.

Hackers e Vazamento de Mensagens

A prisão dos suspeitos de hackear o celular do ministro Sérgio Moro ocorreu na terça-feira (23), durante a operação Spoofing, da Polícia Federal.

Desde 9 de junho, o site The Intercept Brasil vem publicando diálogos atribuídos ao ex-juiz e a procuradores da força-tarefa da Lava Jato. A suspeita de Moro é de que essas conversas tenham sido hackeadas do seu celular ou do aparelho de integrantes do Ministério Público.

No material divulgado, com veracidade confirmada segundo o site, além do jornal Folha de S.Paulo e da revista Veja, há troca de mensagens que indicam interferência de Moro em diversos momentos da operação. É como se um árbitro atuasse em favor de uma das partes do processo — no caso, a acusação.

Tanto Moro quanto o procurador Deltan Dallagnol, porém, não confirmam a integralidade das conversas, mas também não negam com veemência.

Além de não negar, Moro diz que as conversas podem ter sido editadas e tiradas de contexto. 

O trabalho do ex-juiz está em xeque desde então. Ele já prestou esclarecimentos à Câmara e ao Senado Federal. Em ambas as Casas afirmou que não fez nada fora da lei, disse que é comum o juiz conversar com advogados e alegou que está sendo vítima de um ataque de criminosos que querem destruir a reputação da Operação Lava Jato.