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18/06/2019 22:07 -03

Moro temia que investigação sobre FHC na Lava Jato 'melindrasse' tucano, diz site

Em trecho de conversa atribuída a Moro e ao procurador Deltan Dallagnol, então juiz pergunta se tinha "alguma coisa séria" contra FHC.

ASSOCIATED PRESS

Na véspera de o ministro da Justiça, Sérgio Moro, comparecer ao Senado para falar sobre diálogos vazados que mostram uma possível colaboração sua, enquanto era juiz, com procuradores da Lava Jato, novos trechos divulgados pelo site The Intercept sugerem que Moro temia perder o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se o tucano fosse investigado.

O site disse ter recebido as mensagens trocadas no aplicativo Telegram de uma “fonte anônima”. Não está claro se os diálogos foram obtidos por meio da ação de hackers. 

Na conversa atribuída a Moro e ao procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol, o então juiz questiona se suspeitas levantadas contra FHC - e veiculadas na noite anterior, no Jornal Nacional - eram “sérias”. Ele ouve então de Dallagnol que a denúncia é “muito fraca” - possivelmente com o crime já prescrito - e que teria sido enviada pela força-tarefa em Brasília “talvez para passar recado de imparcialidade”. 

Moro então, segundo as mensagens divulgadas, demonstrou reticência à suposta tática. “Ah, não sei. Acho questionável pois melindra alguém [FHC] cujo apoio é importante.”

O caso era referente a uma delação do empreiteiro Emílio Odebrecht, que relatou o “pagamento de vantagens indevidas, não contabilizadas, no âmbito da campanha eleitoral de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República, nos anos de 1993 e 1997”. A delação foi feita 20 anos depois.

O site também traz outras conversas, mas essas envolvendo apenas procuradores da Lava Jato, em que eles analisam a possibilidade de investigar, “num mesmo procedimento, pagamentos da Odebrecht aos institutos de Lula e FHC” e também o filho de FHC Paulo Henrique Cardoso pelo suposto beneficiamento de uma empresa sua. 

Neste último caso, Dallagnol fala a outro procurador: “Creio que vale apurar com o argumento de que [Paulo Henrique Cardoso] pode ter recebido benefícios mais recentemente, inclusive com outros contratos … Dará mais argumentos pela imparcialidade…”, diz.