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02/03/2020 16:51 -03

PMs do Ceará voltam ao trabalho, enquanto Moro e Ciro Gomes batem boca sobre motim

Para ministro, “prevaleceu o bom senso, sem radicalismos”, mesmo com aumento de 138% no número de mortes no estado.

NurPhoto via Getty Images
“Prevaleceu o bom senso, sem radicalismos”, disse Sergio Moro na noite de domingo (1º)

No dia em que os policiais do Ceará voltam às ruas, o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o candidato derrotado à Presidência Ciro Gomes (PDT) decidiram bater boca e politizar o fim do motim. Desde o início da greve, o número de mortes violentas no estado teve aumento de 138%, em comparação com os primeiros 25 dias de fevereiro do ano passado.

Ainda assim, o ministro comemorou no Twitter o fim do motim. “Prevaleceu o bom senso, sem radicalismos”, disse na noite de domingo (1º).

Na madrugada desta segunda-feira (2), Ciro Gomes respondeu e chamou Moro de “capanga” de Bolsonaro. 

Moro, então, rebateu: “explorar politicamente o episódio, ofender policiais ou atacá-los fisicamente só atrapalharam. Apesar dos Gomes, a crise foi resolvida”. Ainda segundo ele, a crise só foi resolvida “pela ação do governo federal”.

Irmão de Ciro Gomes, o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado no último dia 19 ao tentar resolver pessoalmente a crise policial no estado. Ele pilotava uma retroescavadeira e tentava invadir um bloqueio em um quartel em Sobral (CE) quando foi atingido por duas balas .40.

O Ceará teve uma escalada de assassinatos com os policiais de braços cruzados. Entre os dias 20 e 21, por exemplo, o número de mortes chegou a 51 nessas 48 horas. A média de mortes no estádio era de 6 por dia.

O ápice do motim foi no dia 19, quando grupos de encapuzados atacaram batalhões da Polícia Militar. Nas ações, os alvos foram os carros da corporação que, em alguns casos tiveram os pneus furados e, em outros, foram levados das sedes. 

O acordo

No domingo, os policiais concordaram em retornar ao trabalho, mesmo sem anistia ― um de seus pedidos. Ao longo do motim, quase 300 policiais foram punidos. A maioria (230) foi afastada por insubordinação ou abandono do cargo.

Desde o início dos protestos, o governador Camilo Santana (PT) frisava que a anistia era inegociável. A lei brasileira estabelece que “ao militar são proibidas a sindicalização e a greve”. Já houve, no entanto, caso de anistia por lei federal nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer.

De acordo a proposta, eles terão direito a um processo legal sem perseguição e com amplo direito de defesa. Instituições como a OAB e a Defensoria Pública, assim como o Ministério Público e o Exército, vão acompanhar a tramitação dos processos.

“Hoje nós temos apoio do Exército, da OAB, da Defensoria Pública. Se esse movimento continuar, não saberemos como vai ser o dia de amanhã. Então votem com consciência e considerem que a gente pode ter algo muito bom para todos nós ou algo muito ruim para alguns de nós”, orientou antes da votação do acordo o deputado Soldado Noélio (PROS). O deputado foi o interlocutor dos policiais para dialogar com o governo estadual.

Melhoria nos salários, uma das principais reivindicações da categoria, também estão contempladas no acordo. A garantia foi de investimento de R$ 495 milhões com as remunerações até 2022. Os PMs pediam aumento imediato do salário de R$ 3,4 mil para R$ 4,5 mil.