POLÍTICA
12/06/2019 23:42 -03 | Atualizado 12/06/2019 23:42 -03

Bolsonaro e Moro vão juntos a jogo do Flamengo e são aplaudidos por torcedores

Em sintonia, presidente e ministro da Justiça aparecem lado a lado em meio a Fla-Flu sobre Operação Lava Jato.

Em demonstração de apoio a Sérgio Moro, alvo de denúncias do site The Intercept Brasil desde domingo (9), o presidente Jair Bolsonaro apareceu novamente ao lado do ministro da Justiça nesta semana. Na noite desta quarta-feira (12), os dois foram juntos ao estádio Mané Garrincha, em Brasília, assistir ao jogo de Flamengo e CSA, pelo Campeonato Brasileiro.

Eles fizeram gestos de apoio entre si, e Moro foi aplaudido por flamenguistas. Bolsonaro também foi saudado por torcedores. “Mito”, bradaram. Os dois vestiram a camisa do Flamengo e posaram para a torcida.

O The Intercept Brasil publicou reportagens com mensagens privadas atribuídas a Moro e a procuradores da Lava Jato em Curitiba que sugerem que o então juiz pode ter colaborado com os membros do Ministério Público em casos como o do ex-presidente Lula. O site disse que obteve os dados de uma “fonte anônima”.

As conversas mostram que o então juiz chefe da Lava Jato estaria orientando o procurador Deltan Dallagnol. As mensagens, trocadas via aplicativo Telegram de 2015 a 2018, incendiaram a militância de esquerda e do PT, reforçando seus argumentos de que a operação foi “parcial” e a prisão do ex-presidente Lula foi “política”. Críticas à Operação Lava Jato — #VazaJato — e, em reação, um coro de apoio à investigação foram os assuntos mais comentados do Twitter nos últimos dias.

Na terça-feira (11), Bolsonaro já havia participado de evento com Moro na capital federal. Em cerimônia no Clube dos Fuzileiros Navais, eles ficaram lado a lado. O presidente entregou medalha de ordem ao mérito naval ao próprio ministro da Justiça.

Ainda na terça, no fim da tarde, Bolsonaro encerrou uma entrevista ao ser questionado sobre as reportagens sobre Moro. Irritado, o presidente virou as costas para jornalistas e saiu da sala onde estava após pergunta sobre “as questões envolvendo o ministro”.

Moro afirma que não há nenhuma orientação a Dallagnol nas mensagens publicadas pelo Intercept. “Eu nem posso dizer que são autênticas porque, veja, são coisas que aconteceram, e se aconteceram, foram há anos”, disse.

Ele considerou “escândalos falsos” os vazamentos de mensagens por “hackers de juízes e procuradores”. A Ajufe (Associação dos Juízes Federais) diz que as informações divulgadas pelo Intercept precisam ser esclarecidas “com maior profundidade” e rigor.

Na segunda-feira (10), o Conselho Nacional do Ministério Público abriu investigação sobre a conduta de Deltan Dallagnol. Já a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) repudiou o uso de dados “obtidos de forma criminosa” pelas reportagens. 

EVARISTO SA via Getty Images
Moro e Bolsonaro também estiveram juntos esta semana em cerimônio de fuzileiros navais.

 

Luiz Fux em conversa de Moro e Dallagnol

Nesta quarta-feira (12), o Intercept publicou mais trechos de conversas entre Moro e Dallagnol. Em um deles, que seria de 2016, o ministro da Justiça cita o ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal).

“In Fux we trust” [em Fux, nós confiamos], disse Moro, segundo o site. Dallagnol teria dito que conversou com Fux e este teria criticado espontaneamente o então ministro Teori Zavascki por “queda de braço com Moro” e que a resposta do então juiz fora ótima.

Na época, Teori, que era relator da Lava Jato no STF, advertiu Moro em despacho devido à divulgação dos áudios das conversas entre os ex-presidentes Dilma Rousseff e Lula. Moro pediu “escusas” pela liberação das conversas à época.