COMPORTAMENTO
10/01/2019 04:00 -02 | Atualizado 10/01/2019 08:39 -02

Por que alguns animais são monogâmicos? A resposta pode estar na genética

Estudo traz pistas de como os relacionamentos entre animais evoluíram.

Para várias espécies, a monogamia tem algumas vantagens que vão desde a estabilidade até a certeza de ter com quem dividir a proteção dos filhotes.

Mas por que alguns animais são fiéis aos seus parceiros e outros não?

Um estudo recente realizado pela Universidade do Texas pode ser a primeira pista da ciência para explicar a origem da monogamia - ou a falta dela. 

Uma análise realizada entre 10 vertebrados, entre eles rãs, roedores, peixes e pássaros, sugeriu existir um padrão entre as espécies monogâmicas. 

Os pesquisadores descobriram que certos conjuntos de genes eram mais propensos a serem “transformados” ou “rejeitados” nesses animais do que nas espécies não monogâmicas. 

Segundo os cientistas, essa alteração pode ter transformado animais não monogâmicos em monogâmicos ao longo da evolução.

″É bastante surpreendente. Isso sugere que há uma espécie de estratégia genômica para se tornar monogâmico que a evolução utilizou repetidamente”, disse Hopi Hoekstra, biólogo da Universidade de Harvard, em entrevista à revista acadêmica Science Mag

O conceito de monogamia adotado pelos pesquisadores abarcou casais de animais que permaneciam juntos por, pelo menos, uma temporada de acasalamento.

Eles também dividiam a proteção do território e a criação dos filhotes. Para os pesquisadores, espécies que ocasionalmente se envolviam com outros parceiros ainda eram consideradas monogâmicas.

“O nosso estudo abrange 450 milhões de anos de evolução, quando todas essas espécies compartilhavam um ancestral em comum”, explicou a bióloga Rebecca Young, uma das autoras do artigo, ao Science Daily. 

Origem da monogamia

Os pesquisadores estudaram cinco pares de espécies - quatro mamíferos, dois pássaros, dois sapos e dois peixes. Em cada grupo havia animais monogâmicos e não monogâmicos. 

A partir dessa análise, os cientistas puderam comparar e determinar quais mudanças genéticas ocorreram em cada uma das transições evolutivas.

Apesar de a monogamia ser um comportamento complexo, eles descobriram a repetição das expressões genéticas.

O estudo sugere, então, que há um certo padrão em comportamentos que podem ser percebidos a partir de como os genes são expressos no cérebro. 

“A maior parte das pessoas não esperaria que, ao longo de 450 milhões de anos, as transformações desses comportamentos complexos acontecessem da mesma maneira”, explica Young.

Os seres humanos também optam frequentemente pela monogamia, embora essa escolha seja influenciada por um complexo conjunto de razões sociais, culturais e econômicas. 

Será, então, que compartilhamos de alguma forma do mesmo padrão genético dos peixes, pássaros e sapos?

De acordo com os pesquisadores, ainda é cedo para afirmar isso. Porém, espera-se que os estudos recentes possam ajudar a entender melhor os relacionamentos - exclusivos ou não.