7 mitos sobre o açúcar que você precisa esquecer em 2020

Saiba como ter um relacionamento saudável com o açúcar, seja ele qual for.

Aprendemos que açúcar é a pior coisa para a nossa saúde. De fato, diversos estudos mostram fatos alarmantes sobre as enormes quantidades de açúcar em nossas comidas favoritas, e seu consumo em excesso é ligado a problemas de saúde como diabetes tipo 2, obesidade e problemas dentários.

Porém, estas pesquisas e grande sensacionalismo sobre o tema acabam encorajando equívocos prejudiciais para a sua saúde. Aqui estão os principais mitos sobre o açúcar que você precisa esquecer.

Mito 1: Frutas são ruins para você porque contêm açúcar

“Eu tento evitar comer frutas por causa do açúcar” é algo que a nutricionista Carrie Dennett costuma ouvir em seu consultório ― um erro, porque a maioria das pessoas, na verdade, não come a quantidade diária adequada de frutas e vegetais.

“Existe uma ideia de que todos açúcares são iguais”, disse Dennett, que fundou o consultório Nutrition By Carrie. “Mas isso não é exatamente uma verdade”. O contexto é a resposta.

“Açúcar é açúcar, mas quando você olha para o contexto, existe uma enorme diferença entre o açúcar ‘natural’, que também é rico em fibras e nutrientes, e o açúcar ‘adicionado’, que contém excesso de sódio e gorduras de baixa qualidade, assim como vários snacks processados”, explica a nutricionista.

Dennett acrescenta que, quando nós comemos uma fruta inteira, nosso sistema digestivo tem que quebrar as fibras que encobrem o açúcar antes de absorvê-lo. “Então, ele não vai simplesmente aumentar o açúcar no sangue.”

Se comer sua fruta com uma refeição, ou com alguma proteína e gordura boa, como castanhas ou queijo em um lanche da tarde, você vai digerir o açúcar ainda mais devagar. “Está tudo bem até mesmo consumir em uma refeição um pequeno copo de suco de fruta 100% natural.”

Mito 2: Mel é automaticamente uma opção saudável

Nos desculpe por derrubar esse mito, mas os benefícios do mel não estão comprovados, conta a nutricionista Katharine Jenner, diretora da campanha Action on Sugar.

“Mel tem uma ‘áurea saudável’, mesmo sendo incrivelmente doce, e as pessoas erroneamente pensam que ele não faz mal como uma colher de açúcar refinado”, diz Jenner. Mas o sistema público de saúde do Reino Unido define o mel como um açúcar adicionado. “Só porque é natural não significa que faz bem para você”, acrescenta a nutricionista.

Bahee van de Bor, pediatra e nutricionista da British Dietetic Association, afirma que mesmo que alguns tipos de açúcares como mel contenham antioxidantes e outros nutrientes, você precisaria consumir enormes quantidades para obter tais benefícios.

Se você está em um dilema entre utilizar o açúcar refinado ou o mel em suas receitas, o último provavelmente será a melhor opção, mas não muito melhor.

Como a nutricionista Keith Kantor explica: “açúcar é açúcar. E mel é (majoritariamente) açúcar”.

Mito 3: Você deveria parar de consumir açúcar completamente

Moderação é tudo quando falamos sobre dieta, e isso inclui o consumo de açúcar. É praticamente unânime que açúcar adicionado ― que são acrescentados nas comidas pela indústria ― não é bom para nós.

“Isso não significa que comer nada disso é bom para nós também”, explica Dennett. “Eu vejo esta perturbadora ideia ― presente na internet, nos livros e na mídia ― que nós podemos ser à prova de doenças se tivermos uma alimentação perfeita.”

“Eu acho que evitar açúcar é parte disto. O fato é que muitos fatores contribuem para a nossa saúde, e nutrição é apenas parte disso. Existe uma enorme diferença entre comer e beber enormes quantidades de açúcares ― talvez sem pensar, talvez como uma forma de ter mais energia e combater o estresse ― e aproveitar conscientemente uma sobremesa ou um doce de uma forma moderada.”

Mito 4: Suco de fruta é bom para você

Quando compramos caixinhas de suco de frutas nos supermercado, elas sempre acabam em poucos dias. E isso é uma má ideia. Sucos contêm vitaminas, mas também a falsa ideia de que eles não têm açúcar.

Katharine, da Action on Sugar, explica: “Frutas inteiras são boas para você. Assim como vegetais. Você não precisa se preocupar com o açúcar de uma fruta ou de um vegetal. Contudo, quando a fruta é processada e vira suco, a estrutura da celulose que contém o açúcar é ‘quebrada’ e se livra das fibras da célula, e se torna prejudicial como qualquer outro açúcar.”

Isso acontece com suco de frutas e de vegetais, como os concentrados, smoothies, purês, sucos em pó e outros produtos.

Bahee Van de Bor sugere sempre comer a fruta inteira. Uma vez que vira suco, ela diz, você pode acabar consumindo muito mais frutas (e açúcares) do que você pretende e se dá conta. “A fibra nas frutas inteiras pode ajudar a você a reconhecer quando está satisfeito”, acrescenta.

Mito 5: Personagens de desenhos infantis significam que o alimento é saudável

Não, de jeito nenhum. Pais deveriam estar atentos aos personagens estampados nas embalagens, que dão falsa impressão de que estes alimentos são boas opções para seus filhos.

“Os pais costumam assumir que embalagens feitas para serem apelativas para crianças ― como desenhos, mascotes e personagens ― são de algum jeito ‘aprovados para serem consumidos’ pelas crianças”, conta Jenner.

Mito 6: ‘Não contém açúcar adicionado’ significa que o produto é saudável

Não necessariamente, diz Van de Bor. Olhe atentamente para a lista de ingredientes que fica na parte de trás da embalagem. É importante ter em mente que a indústria pode acrescentar açúcares “naturais” em vez dos adicionados, como xarope, mel, frutose, açúcar de coco, entre outros.

Nomes científicos como dextrose, frutose, glucose e maltose também são tipos de açúcares adicionados, “mas muitas pessoas não se dão conta que estas palavras significam açúcar”.

Mito 7: Todos os açúcares são terríveis

Nem todos ― existem açúcares melhores do que outros. Naturalmente, açúcar encontrado em frutas, vegetais e lácteos não são considerados prejudiciais para a saúde, apesar de alguns ainda conterem calorias.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.