COMPORTAMENTO
29/01/2019 01:00 -02

Por que todo mundo vai querer um pouco de misticismo em 2019

Conheça as principais tendências de comportamento para esse ano.

Todo janeiro nos deparamos com a mesma pergunta: o que os próximos meses nos reservam? Este início de ano não está sendo diferente. Mas 2019 guarda uma expectativa ainda maior por ser o ano que finaliza uma década e marca, certamente, um período de transição.

Para especialistas em tendências, a grande chave de 2019 está naquilo que muitas pessoas consideram mais íntimo: a nossa ligação com o místico, com o imaterial, com o que está além do racional.

Astrologia, cartas de tarot, mapas, pedras e energia. Para Rebeca de Moraes, fundadora da Soledad, consultoria brasileira de tendências, todas essas ferramentas possibilitam que nós olhemos para o mundo e encontremos novos jeitos de pensar sobre as mesmas coisas.

“O místico sempre esteve em nossa cultura, mas ocupava um lugar nebuloso na nossa rotina. Hoje, o assunto está em pauta, desde os memes de astrologia e política, até as astrólogas-celebridades. Isso está muito relacionado à nossa necessidade de construir ferramentas de autoconhecimento e autorreflexão”, explica Moraes.

Para Luiza Loyola, analista da WGSN, todo mundo vai precisar de um pouco de magia neste ano.

“Estamos repensando, sobretudo, a nossa relação com a tecnologia. Vamos precisar fazer uma transição que nos encoraje, cada vez mais, a valorizar o nosso tempo. Cada vez mais, rituais de autocuidado e autoconsciência ganham espaço em nossa rotina. E mesmo vivendo em um mundo movido por dados; vamos precisar relembrar que é por meio de nossas emoções que processamos as informações”, explica, em entrevista ao HuffPost Brasil.

E os brasileiros, especialmente os jovens millennials, tendem a mergulhar de cabeça nesse tema.

“A minha geração se refere a uma geração que é bem diferente da anterior. Os millennials sentem a necessidade de mudar os paradigmas. Temos uma relação diferente com o trabalho e com a família. E daí a astrologia reaparece como uma ferramenta de autoconhecimento. Existe esse boom, também, porque estamos em um momento de transição. Quem não está confuso tem algo de errado”, explica Bruna Paludo, a Br00na, a influencer que “lança feitiços”.

Reprodução/@obviousagency

O místico, então, passa a influenciar do nosso consumo até a forma como lidamos com as nossas relações.  

Assistimos ao resgate dos produtos de beleza naturais, enxergamos o momento de cuidado como uma espécie de ritual, a vaidade deixa de ser apenas um desejo pela imagem perfeita e passa a ser a ideia de que todos precisamos de uma renovação que é de fora para dentro. A beleza é vista como algo holístico.

Mas a conexão com o místico não é a única tendência mapeada para este ano. A autoexpressão radical de cada indivíduo e o desejo por uma vida (mais) sustentável são exemplos de comportamentos que deverão ser explorados em 2019. A consultora Luiza Loyola compartilhou alguns pensamentos sobre os temas em voga para o ano:

Individualidade

“A nossa expectativa de vida está aumentando e a nossa idade passa a ser determinado pelo nosso estilo de vida, e não pelo ano de nascimento.”

Migração 

“A globalização, a reconfiguração de países pós-migração, o conceito de nacionalismo sendo questionado, o dilema entre a imposição de fronteiras e aquilo que define a nossa identidade, enfim, assistiremos à ascensão de um consumidor multicultural, que não se identifica apenas com uma nacionalidade.”

Sustentabilidade

“Não é novidade, mas a sustentabilidade será cada vez mais discutida e integrada em todos os aspectos de nossa vida. Queremos uma economia circular, nos preocupamos com o impacto ambiental e a transparência nos processos de produção é a palavra da vez.”

Sentimentos

“A gente vive em um mundo movido por dados, mas às vezes a gente se esquece que essa não é a forma como a gente processa as informações. Temos um processamento interno por meio das nossas emoções. A experiência será tão importante quanto entender o dado quantificado.”

Tecnologia

“Nada em excesso é saudável. Passaremos por uma transição que encoraje ficar menos tempo de frente para as telas para que se estimule o tempo bem gasto, o momento de pausa, da espera. Vamos ver isso como uma forma de luxo, vamos valorizar o nosso tempo e usar a tecnologia a favor disso.”

 

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Autoexpressão 

“2019 será a festa da celebração da individualidade, cada um com seus defeitos e imperfeições. Vamos focar em nossas personalidades, em como aprimorar as nossas características pessoais e como usar ferramentas para melhorar o mundo. Vamos repensar o papel e a influência do trabalho na vida das pessoas, e ao mesmo tempo, queremos o lugar do bem-estar. Serão caminhos cada vez mais inclusivos: as minorias passam a ter cada vez mais voz. Na esfera da criação e de comportamento, a autoexpressão passa a ser catalisador cultural. As pessoas celebram e estimulam a autoestima. Estamos deixando de ter vergonha das nossas diferenças e imperfeições, e isso é uma forma poderosa de resistência.”

Millennials x  Geração Z

“A geração millennial foi a grande bola da vez, e ainda é. São pessoas entre 24 e 30 anos, que estão em seu auge da carreira, e é uma geração responsável por ditar as tendências de comportamento. Mas, a gente começa a precisar prestar atenção na geração Z, que é mais nova do que a millennial. Vai desde os 11 anos até os 23-24 anos. É uma massa formadora de opinião. São crianças influencers, e é meio louco pensar nisso, mas é verdade. Esses jovens ditam tendências na moda, no consumo, no comportamento, e tudo isso cada vez mais cedo, até por uma questão de acesso à informação proporcionado pelas tecnologias. Os millennials ainda são relevantes, mas o foco da atenção vai estar nessa geração mais jovem.”