MULHERES
18/02/2020 23:14 -03 | Atualizado 18/02/2020 23:49 -03

Como empresária de 35 anos venceu edição histórica e se tornou a nova 'Miss Alemanha'

'Empoderando mulheres autênticas' foi o lema do concurso de beleza. Com juri totalmente feminino, disputa aboliu prova de biquíni.

A empresária Leonie Charlotte von Hase, de 35 anos, foi eleita Miss Alemanha 2020. Ela desbancou outras 15 candidatas que participavam do concurso de beleza e, em segundo e terceiro lugar, respectivamente, ficaram Lara Runarsson, de 22 anos, e Michelle-Anastasia Masalis, de 23.

Von Hase, que é nascida na Namíbia, representou o estado de Schleswig-Holstein. Mãe de uma criança de três anos, ela era a candidata mais velha. “Há muito tempo as mulheres não se interessam em lutar por um padrão convencional de beleza. Minha percepção de uma mulher ‘bonita’ é a força, o caráter e a autenticidade que ela irradia”, disse ao site oficial do concurso.

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Da direita para a esquerda, os membros do júri: Dagmar Wöhrl, Anna Lewandowska, Frauke Ludowig e Sofia Tsakiridou, ao lado da vice-campeã Lara Runarsson (à frente), de Leonie Charlotte von Hase, a nova "Miss Alemanha 2020", e a terceira Michelle-Anastasia Masalis.

Com quase um século de história, o concurso Miss Alemanha decidiu deixar de lado velhas regras das competições de beleza no mundo e, por isso, a edição de 2020 do evento foi marcada por novidades ― o que possibilitou a vitória de Von Hase. Neste ano, “empoderando mulheres autênticas” foi o lema da competição e, pela primeira vez em 93 anos, o júri foi exclusivamente feminino. 

A edição histórica também permitiu, pela primeira vez, a participação de mulheres casadas e que são mães, como Hase, e elevou o limite de idade das candidatas em cerca de dez anos: mulheres de até 39 anos podem participar da competição a partir de agora. Já a idade mínima é de 18 anos.

Entre as novidades, também está a tão desejada extinção da prova em que as candidatas desfilam no palco com trajes de banho e biquínis para exibir seus corpos, considerada sexista por organizações e ativistas feministas.  

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Leonie Charlotte von Hase comemora o título; outras 16 candidatas participaram do concurso de beleza, que é realizado desde 1927.

O evento aconteceu no último fim de semana, no Europa Park Arena, próximo a Freiburg, no sul da Alemanha. O show e a premiação foram conduzidos pelo casal Jana e Thore Schölermann, celebridades no país, e também contou com a participação do cantor e compositor britânico Kelvin Jones.

Após o resultado, Von Hase foi coroada pela vencedora do ano passado, Nadine Berneis, que é policial. Além do título de Miss Alemanha, a empresária ganhou um carro, uma coleção de produtos de beleza, uma seleção de sapatos e também será estrela da revista “JOY”, popular na Alemanha.

Von Hase é a vencedora mais velha da história da competição. Até então, só candidatas na faixa dos 20 anos tinham ganhado o título. Ela também é a primeira mãe a ganhar o concurso. Formada em marketing, ela administra, de forma independente, uma loja virtual, em que comercializa roupas “vintage”. A empresária vive em Kiel, com o filho e o parceiro.

A lenta, mas promissora, renovação dos concursos de Miss

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Zozibini Tunzi, da África do Sul, foi coroada como Miss Universo em 2019. Ela é a primeira sul-africana negra a vencer o concurso.

Parece que, lentamente, os concursos que premiavam apenas a beleza das mulheres - majoritariamente dentro de um padrão caucasiano e magro - está mudando. A organização do Miss Alemanha afirmou, em comunicado, que a aparência hoje não é mais o principal foco e sim, a história de vida e legado. 

Um exemplo desta mudança pode ser visto no ano passado, com a vitória da sul-africana Zozibini Tunzi, de 25 anos, no Miss Universo. Ela é a primeira negra sul-africana a vencer o concurso. Esta foi a terceira vez que o evento reconheceu uma representante da África do Sul. Outras Misses Universo do país, Margaret Gardiner e Demi-Leigh Nel-Peters ganharam em 1978 e 2017.

“A sociedade foi programada durante muito tempo para não enxergar a beleza das mulheres negras. Mas agora estamos entrando em um tempo em que finalmente as mulheres como eu podem saber que são bonitas”, disse a jovem.

Em 67 anos de existência, o Miss Universo havia premiado apenas outras quatro mulheres negras. Entre elas, Janelle Commissiong, em 1977, Wendy Fitzwilliam, em 1998, Mpule Kwelagobe, em 1999 e Leila Lopes, em 2011, quando o evento teve uma edição realizada em São Paulo.

Em entrevista coletiva à imprensa logo após receber a coroa, Zozibini Tunzi falou sobre preconceito, racismo, machismo e como se sente grata por ser a nova Miss Universo e poder passar uma mensagem com o título. 

“Na sociedade, nós lutamos para enxergar a nossa própria beleza porque fomos colocadas em caixas. A sociedade foi programada por muito tempo para não enxergar a beleza como black girl magic [garota negra mágica, em tradução livre, é um termo usado para celebrar a negritude das mulheres negras]”, disse.

Tunzi completou sua fala dizendo que, para ela, agora “estamos entrando em um tempo em que finalmente as mulheres, como eu, podem encontrar seu lugar na sociedade e saber que são bonitas.”

“Mas não só isso. É sobre continuar a quebrar barreiras. Esse é um movimento de mudança muito bonito e eu fico muito feliz em fazer parte dele.”

Esta edição foi realizada em Atlanta, nos Estados Unidos, e contou com 88 candidatas. Além de premiar a África do Sul, em segundo e terceiro lugar foram escolhidas representantes das Américas: Madison Anderson, de Porto Rico, Sofía Aragón, do México, respectivamente. A Miss Brasil Julia Horta esteve entre as 20 mais bonitas do concurso, mas não foi à rodada final.