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30/10/2019 19:22 -03 | Atualizado 30/10/2019 19:27 -03

Para ministro da Saúde, intoxicação por agrotóxicos acontece porque pessoas ‘não lavam as mãos'

Segundo Henrique Mandetta, "a diferença entre o remédio e o veneno é a dose".

Antonio Cruz/Agência Brasil
Segundo ministro da Saúde, reclassificação dos agrotóxicos é uma tendência no mundo para padronizar as substâncias e que ela “não é inventada por ninguém."

A maioria dos casos de intoxicação por agrotóxico, segundo o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, se deve ao mau uso do produtos. Em audiência pública na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (30), o ministro ressaltou que a pasta identificou que 74% das pessoas não leem as informações de uso do produto.

“A principal causa de intoxicação é porque as pessoas não lavam as mãos após manipular [o agrotóxico]”, disse o ministro. “Há manipulação de pesticidas dentro de casa, o que não deveria ser utilizado [dentro dos domicílios]”, afirmou. 

Segundo avaliação dele, o debate sobre agrotóxicos é uma “eterna luta entre a fome e a produção” e que o governo está atento à toxidade e aos riscos que estes produtos podem trazer à saúde do brasileiro.

“A diferença entre o remédio e o veneno é a dose, entre você ter resultado bom ou ruim é fazer o uso correto da substância que está ingerindo”, disse. Ele afirmou que até o excesso de água pode levar à morte por insuficiência renal. 

O ministro argumentou que a regulamentação brasileira exige que as pessoas que adquirem agrotóxicos precisam ser capacitadas, mas isso não acontece entre os pequenos produtores. Ele afirma que muitos não seguem as recomendações de utilização e sequer usam máscara e outros equipamentos de segurança que os produtos exigem. “O mau uso é endêmico”, disse.

Os grandes produtores, continua o ministro, não têm o mesmo problema com os funcionários, uma vez que eles seguem as instruções. Para Mandetta, é preciso aumentar maior a capacitação destes produtores. 

O ministro defendeu o marco regulatório para avaliação e classificação toxicológica de agrotóxicos aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em julho deste ano. Segundo ele, a reclassificação dos agrotóxicos é uma tendência no mundo para padronizar as substâncias e que ela “não é inventada por ninguém [do governo]”.  

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e os deputados Ivan Valente e Felipe Carreras, que fizeram o requerimento para a audição, também participaram do debate sobre liberação de novos agrotóxicos e seu impacto para a saúde.

Durante o debate, o deputado Ivan Valente argumentou que o Brasil já liberou mais de 382 agrotóxicos só neste ano ― mais de um novo pesticida por dia ―, enquanto a ministra da Agricultura rebateu afirmando que 214 das substâncias liberadas eram “produtos técnicos equivalentes”, ou seja, foram liberados como “genéricos” dos que já existem no mercado brasileiro.