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22/11/2019 17:00 -03

Ministro da Educação acusa, sem provas, universidades de plantarem maconha

Abraham Weintraub também disse, sem provas, que faculdades de química desenvolvem drogas sintéticas, como metanfetamina.

EVARISTO SA via Getty Images
“Você tem plantações de maconha, mas não são três pés de maconha, são plantações extensivas de algumas universidades, a ponto de ter borrifador de agrotóxico", disse ministro da Educação.

 O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou, sem provas, que há “plantações extensivas” de maconha em universidades federais. Sem citar nome de instituições, ele afirmou também acusou faculdades de química de serem usadas para fabricação de metanfetamina. As declarações foram dadas em vídeo publicado pelo site Jornal da Cidade Online.

O ministro também acusou as universidades federais de boicotarem a agroindústria brasileira. “Você tem plantações de maconha, mas não são três pés de maconha, são plantações extensivas de algumas universidades, a ponto de ter borrifador de agrotóxico. Porque orgânico é bom contra a soja para não ter agroindústria no Brasil, mas na maconha deles eles querem toda tecnologia a disposição”, disse Weintraub.

Em outro trecho do vídeo, o ministro diz “você pega laboratórios de química - uma faculdade de química não era um centro de doutrinação - desenvolvendo drogas sintéticas, metanfetamina, e a polícia não pode entrar nos campi”.

Devido à autonomia universitária, há discussões sobre a atribuição das polícias para realizar policiamento dentro dos campi de instituições públicas. Algumas instituições, como a USP, têm acordos específicos com a Polícia Militar para a realização de policiamento. Na ditadura militar, houve casos de operações policiais que resultaram na violação de direitos. 

Em nota, a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) repudiou as declarações do ministro e disse que irá tomar as providências jurídicas cabíveis para apurar eventual cometimento de crime de responsabilidade, improbidade, difamação ou prevaricação por parte de Weintraub.

“Se o Sr. Ministro da Educação busca, mais uma vez, fazer tais acusações para detratar e ofender as universidades federais perante a opinião pública, mimetizando-as com organizações criminosas, ele ultrapassa todos os limites da ética pública, indo aliás muito além até de limites que já não respeitava. Nesse caso, o absurdo não tem precedentes”, diz o texto.

Desde que assumiu o cargo no governo de Jair Bolsonaro, Weintraub têm feito ataques ao ensino superior público. Em 30 de abril, ele anunciou a redução de verbas de três universidades (UFF, UFBA e UNB) e associou o corte a supostas ações de “balbúrdia” nas instituições. 

No mesmo dia, o  Ministério da Educação (MEC) informou que o bloqueio de 30% na verba das instituições de ensino federais valeria para todas as universidades e todos os institutos. O valor era o equivalente a R$ 2 bilhões. Em outubro, a pasta anunciou que liberaria  R$ 1,1 bilhão será liberado para universidades e institutos federais.