Eu deixei minha filha de 8 anos cozinhar uma refeição de 3 pratos

Lutando para manter as crianças ocupadas em confinamento? Deixe que eles assumam a cozinha por uma noite - mas leia minha experiência primeiro.

“Mamãe, posso assar uma galinha sozinha?”

Admito que parei para considerar se isso era possível, por cerca de ... meio segundo, antes de balançar a cabeça com veemência. Uma criança de oito anos, livre e solta com um forno? Não. Apenas não. Impensável. Certo?

Mas então eu comecei a pensar no assunto. E percebi que a tarefa definida por sua escola primária no leste de Londres - que, de maneira agradável, tem exigido “sextas-feiras fora da tela” priorizando a arte, lendo livros, cozinhando ou brincando fora de casa - “preparar um jantar de três pratos para sua família” era realmente uma oportunidade maravilhosa. E não apenas uma oportunidade perfeita para botar fogo na casa.

Foi maravilhoso porque deu muito trabalho, mas trabalho que não parecia trabalho. Ela mesma escolheu o cardápio, pesquisando cuidadosamente on-line o que queria cozinhar e depois escreveu uma lista de compras de ingredientes. Ela perguntou se poderia ir ao supermercado comigo, em vez de arrastar os pés e ficar choramingando com a ideia de ir ao supermercado. E ela realmente se ofereceu para arrumar a bagunça da sala de jantar para deixá-la limpa. Eu sei.

Foi glorioso ver como ela estava animada, e me fez perceber que além de assar cupcakes e ocasionalmente pão de banana (estamos em isolamento, afinal), eu poderia - e deveria - envolver meus filhos na cozinha muito mais.

Tentado a experimentar em sua própria casa durante o confinamento do coronavírus? Aqui está como foi para nós, para provar um pouco.

Cardápio:

Entrada: cream cheese e morangos em biscoitos

Prato principal: Frango assado

Sobremesa: Cupcakes

Sim, você leu certo. Queijo e morangos em cima de biscoitos para começar. “Eu estava na cama e apenas pensei no que gostaria de comer”, disse minha filha de oito anos quando perguntei de onde a combinação (um tanto bizarra) havia surgido. “Talvez eu tenha sonhado, na verdade”, acrescentou. O que realmente fazia muito sentido.

Cortar os morangos foi realmente fácil - ela usou uma faca com uma ponta de serra suficientemente segura para as crianças. Uma quantidade substancial de cream cheese ficou manchada na bancada da cozinha, é claro, mas foi parte do preparativos da entrada.

O prato principal foi a minha verdadeira preocupação. Ela queria fazer “um bom frango assado”, o que significava assar um frango… em um forno. Sozinha.

Por um momento, fiquei fiscalizando de uma distância cuidadosa (bem próxima) para lembrá-la de lavar as mãos adequadamente, antes e depois de manusear a carne crua. Ela o colocou em uma assadeira sem problemas e usou um pincel para passar óleo e sal. A certa altura, ela deixou o pincel sujo na bancada da cozinha - apenas mais uma oportunidade de falar sobre boa higiene (que nunca foi tão importante).

Já tínhamos pré-aquecido o forno - eu tinha que fazer isso, pois o botão está fora do alcance dela -, mas ela conseguiu abrir a porta e colocar o prato sem grandes problemas. Ela pediu ao Google Home para marcar o tempo de uma hora e quarenta minutos. Tarefa concluída. Na verdade, não tínhamos nada para colocar no junto forno com o frango, mas... vamos com calma. Certo?

Em seguida foram os cupcakes, nos quais ela trabalhou enquanto o frango cozinhava. Com uma receita fácil, precisando de apenas alguns ingredientes, ela conseguiu fazer tudo sozinha. Ela até fez sua própria sacola para confeitar, usando um pouco de celofane que tínhamos na ‘gaveta de arte’, inspirada no Great British Bake Off.

Eu percebi que estava olhando ao redor neste momento - mais porque estava ansiosa com a bagunça, em vez de me preocupar se ela estava fazendo o certo. Mas ela era inabalável em sua autoconfiança. “Vá embora, mamãe”, me disse ela calmamente. “Eu já quebrei um ovo antes, você sabe.” Só faltava virar os olhinhos dela pra mim.

Os cupcakes juntaram-se ao frango em uma parte diferente do forno até o final - e foi aí que meu papel se tornou ainda mais essencial. Não importa quão madura ela seja, eu não estava confiante em deixá-la vestir luvas e tirar um prato quente sozinha do forno. Essa parte foi reservada aos adultos.

E lá estávamos. Com grande entusiasmo, ela nos chamou para jantar. Ela fez até todas as escolhas dos lugares na mesa, marcando nossos nomes.

Como estavam todos os pratos, você pode me perguntar? A entrada praticamente tinha muito gosto de cream cheese e morangos em cima de um biscoito. O inesperado foi meu filho de três anos, que não come nada além de arroz, manteiga de amendoim e dinossauros de peru, declarar que estava “delicioso”. Ela alcançou algo que eu mesma ainda não consegui. Vitória.

O frango estava perfeito - com a pele crocante e dourada, o sal marinho e o azeite de oliva que ela misturava como molho, deram um realce para de sabor maravilhoso. Mais uma vitória. E os cupcakes tinham bom gosto, com apresentação simples - no entanto, seu irmão gostou tanto deles que os passou nos cabelos.

O que minha filha aprendeu? Orgulho, algumas dicas de culinária e confiança. Essa experiência não apenas ensinou a ela sobre alimentação saudável, medidas e segurança, como também lhe deu algumas habilidades essenciais para a vida.

E eu também aprendi algo: como é o gosto de comer morangos e cream cheese com biscoitos. Isso e o fato de que nossos filhos podem fazer muito mais do que acreditamos que eles podem fazer. Só precisamos confiar neles e garantir que eles estejam seguros. O que, no confinamento por causa do coronavírus, é o trabalho de todos os pais.