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27/02/2019 19:10 -03

#MinhaEscolaDeVerdade: União de estudantes cria campanha em reação a pedido do MEC

Estudantes e professores publicam vídeos nas redes sociais de situação precária em escolas.

Na última segunda-feira (25), o ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez enviou um e-mail pedindo aos diretores de escolas que gravassem seus alunos cantando o Hino Nacional e que lessem uma nota assinada por ele com o slogan da campanha de Bolsonaro.

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) aproveitou a oportunidade e lançou na última terça (26) uma campanha em resposta. Dessa vez, o pedido foi para que os alunos publicassem nas redes sociais fotos e vídeos que retratem a realidade do ensino da rede pública.

Pedro Gorki, diretor da Ubes, disse, em vídeo, que a prioridade do Ministério da Educação (MEC) não deveria ser gravar os alunos cantando o hino nacional e repetindo o slogan de campanha política do presidente eleito.

“Convocamos você, estudante, a gravar um vídeo de 1 minuto mostrando os reais problemas das escolas, que é o teto com goteira, a sala de aula sem professor porque não tem salário, a quadra e a bibliotecas fechadas porque não têm manutenção e a escola sem merenda”, diz o secundarista.

Por meio da hashtag #MinhaEscolaDeVerdade, o objetivo da Ubes é coletar as gravações para que sejam direcionadas em um e-mail para o MEC.

Entre os vídeos já enviados e republicados pela Ubes, está o de um aluno da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio de Jacaraípe, no Espírito Santo. As imagens mostram o que seriam carteiras e uma quadra de esporte danificadas e problemas em toldos e tetos. As imagens foram montadas acompanhadas pela execução do Hino Nacional.

Em publicações que usam a hashtag #minhaescoladeverdade, jovens que se apresentam como alunos secundaristas criticam a situação das escolas públicas no País.

“Eu vou cantar o hino nacional quando chover e a minha escola alagar. Eu vou cantar o hino nacional quando o meu professor reclamar que vai fazer greve porque não recebeu”, diz a estudante Renata Boaventura.

Outro vídeo também publicado nas redes sociais - desta vez pelo professor de Filosofia Marcos SJ -, mostra infiltrações que inundaram uma sala de aula. Segundo ele, o vídeo foi gravado na Escola Estadual Maria Alves, em São Paulo.

O pedido do ministro da Educação foi alvo de críticas de educadores e juristas. Após a repercussão negativa, Vélez Rodríguez afirmou que errou e que retirou o slogan da campanha do comunicado. Porém, permaneceu o pedido para a filmagem do estudantes, com adendo sobre a necessidade de pedir autorização prévia aos pais. 

Leia trecho do novo comunicado:

“No e-mail em que a carta revisada será enviada, pede-se, ainda, que, após a sua leitura, professores, alunos e demais funcionários da escola fiquem perfilados diante da bandeira do Brasil, se houver na unidade de ensino, e que seja executado o Hino Nacional.

Para os diretores que desejarem atender voluntariamente o pedido do ministro, a mensagem também solicita que um representante da escola filme (com aparelho celular) trechos curtos da leitura da carta e da execução do Hino. A gravação deve ser precedida de autorização legal da pessoa filmada ou de seu responsável.

(...)

Após o recebimento das gravações, será feita uma seleção das imagens com trechos da leitura da carta e da execução do Hino Nacional para eventual uso institucional.”