ENTRETENIMENTO
20/08/2019 12:19 -03 | Atualizado 20/08/2019 12:42 -03

'Mindhunter': Segunda temporada é mais aterrorizante do que você imagina

Thriller policial e de terror psicológico da Netflix nos aproxima dos serial killers de um jeito que incomoda e fascina.

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Sucesso de crítica, série ganhou segunda temporada que acaba de estrear na Netflix.

Culpa é a palavra que resume a incrível segunda temporada de Mindhunter, thriller policial e de terror psicológico da Netflix capitaneado por David Fincher (Seven - Os Sete Crimes Capitais e Zodíaco), um diretor que sempre foi fascinado pela figura dos serial killers. 

Mas engana-se quem acha que eles continuam sendo o foco principal do show. 

Aqui, a figura dos serial killers é desnudada. Esses sujeitos perdem a condição de monstros quase mitológicos para se aproximar cada vez mais de nós mesmos. O aguardado encontro com Charles Manson (interpretado com realismo por Damon Herriman), por exemplo, deixa isso muito claro.  

O denominador comum dessa ligação é a culpa. E uma culpa dividida entre todos.

Se na primeira temporada Holden Ford (Jonathan Groff) era o único membro da Unidade de Ciência Comportamental do FBI que conhecemos a fundo, na segunda, o agente Bill Tench (Holt McCallany) e a Dra. Wendy Carr (Anna Torv) ganham seu devido espaço. E são esses dois personagens que dão a tônica dessa ligação íntima que temos com os serial killers.

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Bill Tench (Holt McCallany) na compara as semelhanças entre o assassino BTK e David Berkowitz, conhecido como Son of Sam.

Bill vê que sua vida profissional e particular têm muito mais em comum do que ele imagina ao ter de lidar com um problema com seu filho, enquanto Wendy está presa a uma vida dupla, em que não pode ser abertamente quem ela realmente é. 

Cruzes que carregamos. 

Aliás, a figura da cruz cristã está espalhada por todos os lados neste segundo ano. Da primeira cena, com a fantasmagórica In Every Dreamhome a Heartache, do Roxy Music, à última sequência, ao som de Guilt, de Marianne Faithfull.

I feel guilt, I feel guilt, Though I know I've done no wrong I feel guilt. I feel bad, so bad, Though I ain't done nothing wrong I feel bad.Letra de 'Guilt', de Marianne Faithfull

Eu me sinto culpa, eu sinto culpa,
Embora saiba que não fiz nada errado, sinto culpa.
Eu me sinto mal, tão mal,
Embora não tenha feito nada de errado, me sinto mal.

Com a chegada do Diretor Assistente Gunn (Michael Cerveris), um novo chefe mais progressista em sua divisão, Holden, Bill e Wendy ganham o apoio que precisavam para intensificar suas pesquisas sobre serial killers.

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Até que aparece a grande chance da Unidade de Ciência Comportamental, quando Gunn envia Holden e Bill para ajudar nas investigações de uma série de assassinatos na cidade de Atlanta.

O caso, que aconteceu na capital do estado da Geórgia entre 1979 e 1981, acaba sendo um choque de realidade para as teorias de Holden e companhia, que ainda têm muito a aprender sobre esse tipo de predador.

O assassino BTK ainda paira no ar como um elemento para o futuro da trama, mas nesta segunda temporada o que importa mesmo é a análise do trio de protagonistas, sua curva de aprendizado e, por consequência, nossa própria consciência como espectadores de que a linha que nos separa dos “monstros” é tênue. E isso sim é aterrorizante.