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05/06/2020 14:57 -03 | Atualizado 05/06/2020 15:02 -03

'Meu filho não vai mais dormir comigo': A dor da mãe de Miguel, morto enquanto patroa cuidava

Menino de 5 anos caiu do 9º andar de um prédio em Recife enquanto sua mãe passeava com o cachorro da patroa, que responderá por homicídio culposo.

Reprodução/ Facebook
Miguel Otávio, em sua festa de 5 anos com tema de futebol.

“Ele é a minha vida, eu não sei o que vai ser da minha vida sem ele.” Do quarto onde dormia com o filho Miguel Otávio, de 5 anos, Mirtes Renata de Souza parecia na manhã desta sexta (5) ainda não acreditar no que aconteceu com seu único filho há três dias.

Em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo, Mirtes se emocionou ao falar de Miguel, sentada em frente ao painel de bola de futebol que ele pediu que a mãe guardasse da sua festa de aniversário, no quarto em que os dois dormiam juntos.

“Eu não estou conseguindo dormir aqui no quarto. Porque quando eu deito na minha cama e olho para a cama do meu filho, e vejo que ele não está aqui, a dor aumenta mais ainda, porque eu não vou ter mais o meu neguinho comigo”, disse, muito emocionada, à apresentadora Fátima Bernardes. “Meu filho não vai mais dormir comigo.” 

Miguel caiu do 9º andar de um prédio residencial de luxo em Recife enquanto Mirtes passeava com o cachorro da patroa, Sari Corte Real, mulher do prefeito de Tamandaré (cidade litorânea perto de Recife), Sérgio Hacker.

O menino tinha ido para o trabalho com a mãe porque, naquela terça-feira, a avó não pode ficar com ele – e as aulas estão suspensas por conta da pandemia de covid-19. Miguel ficou brincando com a filha de Sari enquanto a mãe desceu para dar uma volta com o cachorro, e ficou aos cuidados da patroa.

Uma gravação da câmera de segurança do prédio mostra a hora em que Miguel entra no elevador, em busca da mãe, e Sari segura a porta. Ela aperta um botão no alto do painel e deixa o menino sozinho no elevador. Miguel desceu no 9º andar, escalou uma grade e caiu de uma altura de 35 metros.

Reprodução/ TV Globo
"Quando eu deito na minha cama e olho para a cama do meu filho, e vejo que ele não está aqui, a dor aumenta mais ainda", disse Mirtes.

Quando voltou ao prédio, Mirtes viu o filho deitado no chão, ainda com vida. Mas ele não resistiu ao chegar ao hospital.

“Ela [Sari] deixou o meu filho dentro do elevador. Ela deixou ele em perigo. Ela não teve a capacidade de segurar a mão do meu filho e tirar ele daquele elevador. A única coisa que ele queria era a mim, ela não teve paciência. Eu sempre tive paciência com os [filhos] dela”, disse Mirtes, que trabalhava há 4 anos como empregada doméstica na casa.

“Aquilo doeu tanto, eu perdi o meu filho por falta de paciência. Por uma questão de 10 minutos, ela não teve paciência com o meu filho”, afirmou.

Sari foi presa em flagrante e liberada após pagar fiança de R$ 20 mil. Ela responderá por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Num primeiro momento, sua identidade foi preservada pela polícia, mas após o caso se tornar público, seu nome foi divulgado.

Reprodução/ Instagram
A patroa de Mirtes, Sari Corte Real, responderá por homicídio culposo.

Nesta sexta, Mirtes disse que vai buscar justiça pelo filho. “Se depender de mim, o caso não vai ser esquecido. Nem que eu mova céus e terras, o caso vai ser cumprido e a justiça vai ter que ser feita”, afirmou.

Mirtes disse que o filho “era uma criança extremamente feliz” porque ela “fazia de tudo para que ele fosse feliz”. “Eu dava tudo de suporte básico para ele, educação, saúde, escola e dava um pouco mais, de acordo com o que as minhas condições financeiras permitiam.”