ENTRETENIMENTO
24/09/2019 03:00 -03

Marlon Brando cobrou Michael Jackson pelas acusações de abuso sexual infantil

Em 1994, o ator teria dito à promotoria pública de Los Angeles que achava “razoável concluir que Jackson pode ter tido algum envolvimento com crianças”.

Dania Maxwell via Getty Images
Michael Jackson faria 61 anos no último dia 29 de agosto.

O fascínio do público com Michael Jackson continua.

No dia que teria sido seu 61º aniversário (29 de agosto), foi divulgado que o ator Marlon Branco, seu amigo, confrontou Jackson certa vez para perguntar sobre as acusações de abuso sexual infantil feitas contra ele – e que Jackson desabou em lágrimas.

O podcast Telephone Stories: The Trials of Michael Jackson disse que teve acesso a um depoimento juramentado prestado por Marlon Brando à Procuradoria-Geral de Justiça de Los Angeles em 14 de março de 1994.

A entrevista, que foi gravada e transcrita, foi incluída no final de temporada do podcast.

Nela, Brando teria dito às autoridades: “Acho que faz muito sentido concluir que ele [Jackson] pode ter tido algo a ver com crianças”.

O recluso ator premiado com o Oscar era amigo íntimo de Michael Jackson e visitava sua residência, o Rancho Neverland, frequentemente. Ele foi procurado pela procuradoria-geral e conversou com os promotores Bill Hodgman – célebre devido ao julgamento de O.J. Simpson – e Lauren Weis sobre “uma conversa fora do comum que teve com Jackson e suas desconfianças em relação ao comportamento do Rei do Pop com meninos”.

Brando também falou de “impressões e receios” que teria discutido com seu filho, Miko C. Brando, que trabalhava como segurança de Michael Jackson.

Segundo o comunicado à imprensa, Brando detalhou uma “conversa em meio a lágrimas” que teve com Michael Jackson em Neverland. Ela teria ocorrido depois de Brando ter confrontado Jackson durante um jantar a sós e aula de atuação e “culminado numa discussão reveladora entre os dois”.

Lauren Weis, que hoje é juíza, confirmou ao Los Angeles Times a entrevista com Brando sobre Jackson.

Segundo o relato documentado de Brando, Jackson começou a chorar quando eles estavam conversando e confessou que odiava seu pai, Joe Jackson.

Em seguida eles falaram de homossexualidade e das crianças que Jackson foi acusado de abusar sexualmente. O cantor tinha sido investigado por assédio sexual infantil pela primeira vez em 1993.

Brando teria dito que Jackson acabou chorando tanto que o ator teve que consolá-lo.

Foi quando Brando disse aos promotores: “Com esse tipo de comportamento, acho que faz muito sentido concluir que ele pode ter tido algum envolvimento com crianças”.

Dito isso, Brando ressalvou que Michael Jackson em nenhum momento lhe falou que era gay ou admitiu ter relações sexuais com meninos.

Em vez disso, ficou chorando e ficou tão abalado com a conversa que Brando achou que Jackson estivesse lhe dizendo alguma coisa.

“A impressão que tive é que ele não queria responder porque estava com medo de me responder”, disse Brando.

O ator também teria dito aos promotores que Michael Jackson, que agia um pouco como criança, nunca xingava e não gostava quando as pessoas falavam “f...”. Ele ficava extremamente sem jeito quando alguém lhe perguntava sobre sua vida sexual.

“Perguntei se ele era virgem, e ele deu umas risadinhas e me chamou de Brando”, disse o ator aos promotores. “Falou ‘oh, Brando’. Eu disse: ‘Como é que você se vira para transar?’. E ele ficou todo incomodado e constrangido.”

Brando também perguntou: “Quem são seus amigos? “Ele me disse: ‘Não conheço ninguém da minha idade. Não curto ninguém da minha idade.’ Falei: ‘Por que não?’ Ele disse: ‘Não sei, não sei’. Ele estava chorando tanto que eu tentei consolá-lo. Tentei tudo para ajudá-lo.”

É a primeira vez que essa conversa entre Brando e Jackson é levada a público, porque ela não chegou a ser apresentada como evidência no julgamento de Jackson em 2005, que acabou com o astro pop sendo absolvido.

Marlon Brando morreu em 2004, e Michael Jackson em 2009. Após a morte de Brando, seu filho Miko disse ao L.A. Times que em seus últimos anos de vida seu pai tivera o cantor como um de seus maiores amigos.

“A última vez que meu pai saiu de casa para ir a qualquer lugar para passar um pouco mais tempo foi com Michael Jackson”, contou Miko. “Ele adorou. Havia um chef à disposição 24 horas por dia, segurança 24 horas por dia, empregados 24 horas por dia, cozinha 24 horas por dia, serviço de camareira 24 horas por dia. Era carta branca total.”

Miko disse que Brando e Jackson se conheceram na década de 1980 através do produtor musical Quincy Jones.

 *Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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