Comportamento

Como lidar com ansiedade do fim de ano se você não alcançou todas as metas

Lembrete mental: não existe prazo de validade para ir em busca daquilo que nos faz felizes.
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Sim, o ano-novo está começando, mas não precisamos de afobação para ir atrás do que almejamos.
Sim, o ano-novo está começando, mas não precisamos de afobação para ir atrás do que almejamos.

São os últimos dias de 2019. Mas antes de vestir a sua roupa branca (ou da cor que você desejar) para receber 2020, é normal se sentir invadido por aquela mistura de sentimentos entre melancolia, cansaço e gratidão.

Costumam ser uma época esquisita estes períodos que marcam o fechamento de um ciclo. E, pelo menos para mim, o final de cada ano também é carregado de um bocado de reflexão. Para completar, ainda temos o “combo” de estar presenciando o final de uma década.

Não raro questionamentos como estes atravessam minha mente. Onde eu estava em janeiro deste ano? E até onde eu consegui chegar no final de dezembro? Ou, ainda, quantas das metas a que eu me propus eu consegui acompanhar? Por que diabos eu não tenho nenhuma meta? Para onde estou indo?

Se você está nas redes sociais (ou até fora delas), sabe do que estou falando. Não são poucos os memes e as mensagens que nos induzem a pensar que “ainda dá tempo” de realizar todos os sonhos e aspirações até o fim do ano. Mas e se não deu?

Uma imagem, em especial, me chamou atenção no Instagram. A frase fazia uma metáfora com uma canção de Natal muito conhecida, mas no fundo trazia uma mensagem um pouco mais realista — e muito mais importante: fiz o que deu. Simples assim.

E é exatamente para me lembrar do meu processo — muito mais do que apenas dos resultados que eu acho que eu *não* alcancei — que eu me dei de presente esta lista-mental (agora colocada no papel) para acalmar a minha ansiedade e equilibrar as minhas expectativas para o ano que está por vir.

(Espero que também possa te ajudar)

Você teve inúmeras “microrrealizações” — e você precisa se orgulhar de verdade delas...

Você sobreviveu. Simples assim. Você levantou da cama e deu conta de mais um dia, mesmo naquelas semanas em que você achava que seria impossível e que a sua vontade era simplesmente de sumir do mapa.

Essa temporada de balanço-do-fim-de-ano coloca pressão suficiente em qualquer pessoa, e é fácil da gente se perder em relação a cada régua. Joãozinho ganhou uma promoção e deu um passo importante na carreira? Parabéns! Joaninha conseguiu comprar uma casa própria? O máximo! Mariazinha foi passar a lua de mel nas Bahamas? Incrível!

Por aqui, eu prefiro colocar as coisas em maior perspectiva. Então, eu realmente me orgulho de quem decidiu acordar, tomar aquele banho e simplesmente encarar mais um dia. E se você conseguiu passar por isso e ainda ser gentil com alguém, mesmo na loucura da rotina, tá aí um grande aplauso.

“A vida acontece no presente. E isso não é desculpa para adiar planos ou objetivos. Mas apenas um lembrete de que precisamos olhar com gentileza para todos os nossos dias.”

Enfim. Não há absolutamente *nada de errado* em você se sentir foda por ter chegado ao final de 2019, mesmo que algumas de suas conquistas não pareçam tão instagramáveis assim.

Nós não somos iguais. Nós não temos a mesma trajetória. E é absolutamente irreal achar que todos nós entraremos em 2020 com aquele sentimento de “eu estou no meu auge”. A coisa mais revolucionária que podemos fazer para nós mesmos é estabelecer a nossa própria régua — e nos orgulharmos da nossa evolução individual.

... E mesmo assim, é totalmente ok se você estiver se sentindo exausto, e nem tão inspirado com o fim de mais um ano

2019 foi um ano e tanto. Não vou nem me alongar nas retrospectivas dos fatos políticos e sociais que, de uma forma ou de outra, acabam por nos afetar física e mentalmente.

Aliado a isso, cada um viveu a sua própria batalha. Os seus próprios medos, fantasmas e desafios. Alguns enfrentaram perdas importantes. Outros precisaram abrir espaço para lidar com a frustração. Tem ainda o imponderável, aquilo que não está sob nosso controle e que, de algum jeito, nos suga uma boa dose de energia.

É normal estar se sentindo exausto. Mesmo que também tenham acontecido coisas muito boas. Posso soar um tanto grossa, mas não sinto nenhum remorso em ter deixado de lado aquele impulso de fazer a retrospectiva do ano nas redes sociais — ou textão-gratidão para pontuar tudo o que vivi.

Às vezes, faz até bem deixar de lado um pouquinho as redes nesta época e se recolher, ficar um pouco em silêncio, para realmente digerir tudo o que ocorreu nos últimos 365 dias.

Lembrete mental: Não existe prazo de validade para ir em busca daquilo que nos faz felizes

Perder peso. Iniciar um novo hábito. Reclamar menos. Mudar de emprego.

Não são poucas as “metas” que a gente costuma se colocar a cada início de ano. Mas entender que nem sempre os resultados chegam no momento que a gente havia planejado que eles aconteceriam é realmente libertador. Sabe quando você parece estar prendendo a respiração e aí se toca de que não faz sentido? Pois é. Voltar a respirar na sua cadência normal traz muito alívio.

Estou cada vez mais perto dos 30. Perceber meu amadurecimento parece que traz a corrida contra o tempo cada vez mais para a realidade. Às vezes a gente só precisa lembrar do óbvio: não temos prazo de validade.

A vida acontece no presente. E isso não é desculpa para adiar planos ou objetivos. Mas apenas um lembrete de que precisamos olhar com gentileza para todos os nossos dias. É assim que vamos percebendo que todas as nossas microdecisões, conscientemente ou não, nos afastam ou nos aproximam do que nos faz felizes.

Assim como não precisamos de um check-list-da-felicidade em determinada idade, também não precisamos ter medo de recomeçar (ou alterar a rota) quando for preciso. Seja por fim a um relacionamento, arriscar uma mudança ou experimentar algo completamente novo. É perfeitamente saudável reorientar as prioridades.

Que venha 2020. Com ou sem metas!