COMPORTAMENTO
04/03/2019 15:41 -03

Menopausa: Você pode apresentar sintomas muito antes do que imagina

Especialistas explicam a perimenopausa, que às vezes pode começar antes dos 40.

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Sintomas da menopausa começam antes do fim da menstruação.

Você provavelmente já ouviu falar da menopausa, conhecida comumente como o ponto em que o ciclo menstrual da mulher se encerra de vez. Mas talvez se surpreenda ao saber que muitos dos sintomas que ocorrem na menopausa na realidade começam muito antes, durante a fase conhecida como perimenopausa.

A perimenopausa é o período em que a mulher começa a observar irregularidades em seu ciclo menstrual; ela dura até a chegada da menopausa propriamente dita. A menopausa começa, tecnicamente falando, quando a pessoa já passou 12 meses sem menstruar.

Segundo Nanette Santoro, diretora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade do Colorado e pesquisadora sobre a menopausa, “a transição é marcada ou por uma variabilidade de 7 dias ou mais na duração de seus ciclos ou por uma menstruação que deixa de ocorrer”.

A perimenopausa não deve ser confundida com a pré-menopausa, da qual você talvez já tenha ouvido falar. A pré-menopausa é o período que se passa até a pessoa começar a apresentar sintomas da menopausa, disse Alyssa Dweck, autora e ginecologista de Nova York que pratica a medicina há mais de 20 anos. Basicamente, se você é mulher e menstrua, está na pré-menopausa.

Além de toda a terminologia, os sintomas e o timing podem complicar ainda mais um período que já é confuso.

Por isso o HuffPost conversou com especialistas na perimenopausa para deixar algumas coisas um pouco mais claras.

Veja o que é preciso saber sobre quando ela pode ocorrer, o que esperar e como aliviar quaisquer sintomas incômodos.

Quando começa a perimenopausa?

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Perimenopausa pode começar antes mesmo dos 40 anos.

Não há como definir a idade exata em que uma mulher passa pela perimenopausa, mas Santoro disse que a transição geralmente começa com uma menstruação que deixa de ocorrer ou com uma “diferença notável na variabilidade” do ciclo menstrual, quando a mulher está na casa dos 40 anos.

Quando ela chega aos 49, ela já pode ter passado cerca de 60 dias sem menstruar. Aos 51 ou 52 anos, ela geralmente já está na menopausa.

Santoro observou que em algumas mulheres a perimenopausa pode começar quando elas ainda estão na casa dos 30 anos. Mas isso não é muito comum.

Segundo Dweck, mulheres na faixa dos 35 a 40 anos que apresentam amenorreia (ausência de menstruação) devem primeiro fazer um exame de gravidez ou verificar se estão com outro tipo de problema, como uma anormalidade na tireóide, antes de pensar imediatamente na perimenopausa. (E, mesmo que a irregularidade em suas menstruações se deva à perimenopausa, Dweck aconselha as mulheres a usar anticoncepcionais se não quiserem engravidar.)

A duração da perimenopausa varia; ela se prolonga em média por alguns anos. Para algumas mulheres, pode durar até uma década.

Quais são os sintomas da perimenopausa?

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Irregularidade no ciclo é um dos sintomas da perimenopausa.

Além da irregularidade menstrual, a perimenopausa traz uma série de outros sintomas bastante semelhantes aos que a maioria das pessoas geralmente associa à menopausa. Segundo Santoro, a gravidade desses sintomas pode se intensificar até você chegar ao ponto em que seu ciclo menstrual se encerra por completo.

Um dos problemas mais frequentemente citados é o das ondas de calor, ou seja, “ondas de calor muito fortes e rápidas que sobem pelo rosto e pela cabeça, levando você a transpirar com abundância”, disse Dweck. Quando ocorrem durante à noite, são descritos como calores noturnos.

Há também a mudança frequente de humor. Durante a perimenopausa as mulheres provavelmente vão apresentar alguma irritabilidade, ansiedade e depressão.

“As mulheres correm o risco de sofrer o primeiro episódio de depressão maior quando estão na perimenopausa”, disse Santoro. Foi um sintoma que ela constatou em suas pesquisas. “Entre 15% e 25% das mulheres relatam um aumento do que chamamos de sintomas depressivos.”

Finalmente, as duas especialistas dizem que a mulher pode ter uma qualidade de sono pior e apresentar secura vaginal.

As interrupções do sono podem ocorrer quando a mulher acorda devido a uma onda de calor, disse Santoro, mas outra razão é a flutuação hormonal (as mudanças hormonais também explicam a secura vaginal).

Até a perimenopausa, os hormônios estrogênio e progesterona regem o ciclo menstrual regular. A partir da perimenopausa eles começam a sofrer alterações, desencadeando a irregularidade menstrual, além de outros sintomas.

O que esperar do período da perimenopausa?

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A genética interfere na prevalência da perimenopausa.

Se você quer ter uma ideia de como poderá ser sua própria perimenopausa, tanto Dweck quanto Santoro sugerem olhar para seu histórico familiar, já que a genética exerce um papel relevante. Outro fator a levar em conta é o estilo de vida.

“Se sua mãe teve menopausa precoce e seu estilo de vida é semelhante ao dela, é muito provável que você viva algo muito semelhante”, disse Dweck. Ela destaca que o tabagismo é um fator comportamental importante a levar em conta: “é fato conhecido que as fumantes entram na menopausa mais cedo”.

O peso corporal e a etnia também podem influir. Santoro disse que o sobrepeso ou a obesidade estão associados a ondas de calor mais fortes e que, segundo suas pesquisas, as mulheres negras tendem a sofrer as ondas de calor mais intensas e que duram mais tempo. As asiático-americanas têm ondas de calor mais curtas e menos intensas, e as mulheres brancas ficam no meio do espectro.

O que você pode fazer para aliviar os sintomas?

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Conversa franca com sua médica ajuda a prevenir desconfortos na perimenopausa.

Mesmo que tudo isso soe inevitável e desanimador, não é preciso desanimar. A perimenopausa e a menopausa podem exercer um grande impacto sobre sua vida, mas você pode se beneficiar de um diálogo franco e aberto com seu médico para discutir opções de tratamento.

Para começo de conversa este pode ser um bom momento para começar a pensar em adotar decisões sobre estilo de vida, como aumentar sua prática de exercícios físicos e consultar uma nutricionista, disse Dweck.

É desnecessário dizer que é recomendável parar de fumar, por uma série de razões. Você também pode aprender a evitar ou limitar fatores que desencadeiam ondas de calor, que, segundo Dweck, incluem o estresse e o consumo de cafeína e álcool, em especial o vinho tinto.

Outra opção possível é a terapia de reposição hormonal, disse Santoro, embora ela encerre alguns riscos e tenha alguns efeitos colaterais. Trata-se essencialmente de repor os hormônios que você perdeu, estrogênio e progesterona; isso ajuda com praticamente todos os sintomas da perimenopausa.

Se a terapia de reposição hormonal não for uma opção para você, por exemplo porque você já teve certos tipos de câncer ou tem predisposição a apresentar coágulos sanguíneos, existem medicamentos aprovados no mercado para combater as ondas de calor.

Santoro disse que há muitas pesquisas em andamento sobre a prevenção das ondas de calor. Um pesquisador, segundo ela, está estudando uma droga experimental que bloqueia completamente os receptores cerebrais responsáveis pelas ondas de calor.

Dweck e Santoro deixam claro que há muito que você pode fazer para diminuir o incômodo causado por essa transição. Falar sobre ela é o primeiro passo.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.